“Não olhe para mim senão meto a mão na sua cara!”: Narrativas de adolescentes e jovens sobre violência policial e racismo em Belo Horizonte.
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
“Don’t look at me, or I’ll slap you”: Narratives of Adolescents and Young People on Police Violence and Racism in Belo Horizonte - MG.
Primeiro orientador
Membros da banca
Ludmila Mendonça Lopes Ribeiro
Luana Almeida Martins
Luana Almeida Martins
Resumo
O objetivo deste trabalho é analisar as implicações sobre a violência policial e o racismo nas vivências de adolescentes e jovens com trajetórias vulnerabilizadas no município de Belo Horizonte - MG. Foi realizado um estudo descritivo com duas fontes de dados distintas e complementares, sendo uma delas o resultado dos grupos inventivos de escuta de adolescentes e jovens em uma pesquisa de diagnóstico, encomendada pelo Conselho Municipal de Direitos da Criança e do Adolescente, e a outra as respostas ao formulário sobre violências institucionais praticadas contra adolescentes e jovens em cumprimento de medidas socioeducativas em meio aberto, ambos realizados na cidade de Belo Horizonte - MG. Para a análise dos dados foram utilizados métodos quantitativos na compilação
das respostas ao formulário e análise qualitativa sobre as narrativas dos adolescentes e jovens que participaram dos grupos inventivos e do campo aberto que o formulário possui. As análises indicaram a ocorrência de diferentes formas de violências institucionais, com preponderância da violência policial na trajetória e vida de adolescentes e jovens, manifestada como violência física, psicológica,
patrimonial, tortura, abuso de poder, perseguições e ameaças constantes contra os jovens e contra seus familiares. A ocorrência dessas formas de violência institucional contribui para a vivência de insegurança em seus territórios, na circulação pela cidade e na descrença nas instituições, sobretudo de segurança pública. Identifica-se ainda, a não realização de denúncias formais em relação a essas violências pelo receio de possíveis retaliações. Dessa forma, faz-se necessária uma maior produção de dados e registros qualificados sobre a violência policial praticada contra esse público e de seus impactos para possibilitar espaços e fluxos institucionais de escuta a adolescentes e jovens de modo protegido e seguro, podendo contribuir para a efetivação das denúncias, assim como no planejamento e implementação de medidas preventivas em relação a essas violências.
Abstract
The objective of this study is to analyze the implications of police violence and racism on the experiences of adolescents and young people with vulnerable trajectories in the city of Belo Horizonte - MG. A descriptive study was conducted with two distinct and complementary data sources, one of which was the result of inventive listening groups of adolescents and young people in a diagnostic survey commissioned by the Municipal Council for the Rights of Children and Adolescents, and the other was the responses to the form on institutional violence practiced against adolescents and young people serving socio-educational measures in an open environment, both carried out in the city of Belo Horizonte - MG. For data analysis, quantitative methods were used to compile the responses to the form and qualitative analysis of the narratives of the adolescents and young people who participated in the inventive groups and the open field that the form has. The analyses indicated the occurrence of different forms of institutional violence, with a preponderance of police violence in the trajectories and lives of adolescents and young people, manifested as physical, psychological, and patrimonial violence, torture, abuse of power, persecution, and constant threats against young people and their families. The occurrence of these
forms of institutional violence contributes to the experience of insecurity in their territories, in movement around the city and in the distrust in institutions, especially public security. It is also identified that formal complaints regarding these acts of violence are not made due to fear of possible retaliation. Thus, it is necessary to produce more data and qualified records on police violence practiced against this population and its impacts to enable spaces and institutional flows to listen to adolescents and young people in a safe and rotected manner, which can contribute to the effective reporting, as well as in the planning and implementation of preventive measures regarding these acts of violence.
Assunto
Poder de Polícia, Violência, Racismo, Adolescente, Serviço Social, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Violência policial, Racismo, Adolescentes, Juventude