Ações de uma equipe multiprofissional: o atendimento do adolescente em cumprimento de medida socioeducativa
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Actions in a multiprofessional team: care of the adolescent in compliance with sócio-educative measure
Primeiro orientador
Membros da banca
Patrícia Regina Guimarães
Aline Araujo Sampaio
Aline Araujo Sampaio
Resumo
O fenômeno da hiperespecialização tem provocado a fragmentação do saber que impacta negativamente nas relações de trabalho, o que diminui a colaboração e interação entre os profissionais. A modalidade de trabalho em equipe surge como estratégia para reduzir a incompletude dos saberes e relações horizontais. Um dos pontos mais importantes no atendimento do adolescente nas medidas socioeducativas é o trabalho em equipe, que visa responsabilizar e ressocializar o adolescente em conflito com a lei. Assim, esta pesquisa tem como objetivo analisar o trabalho em equipe, desenvolvido em uma unidade socioeducativa de internação localizada no município de Belo Horizonte/Minas Gerais, segundo a perspectiva da equipe multiprofissional. A população constituiu-se de profissionais de uma equipe que atuavam no referido centro há pelo menos um ano, sendo excluídos aqueles que se encontravam afastados do trabalho à época da coleta dos dados, uma de cada categoria profissional. Na presença de mais de um profissional por categoria, foi incluído aquele como maior tempo de atuação naquela equipe. Utilizou-se de entrevista como instrumento de coleta de dados composta por caso hipotético e um roteiro semiestruturado, ambos elaborados para este fim. O percurso analítico dos dados foi realizado por meio de análise de conteúdo segundo Graneheim e Lundman (2004). Participaram do estudo 07 profissionais da equipe multiprofissional, o que corresponde a 01 profissional de cada categoria que compõe a equipe conforme legislação: assistente jurídico, assistente social, dentista, enfermeiro, pedagogo, psicólogo e terapeuta ocupacional. Das entrevista emergiram 06 categorias quanto aos aspectos facilitadores do trabalho em equipe: conhecer o trabalho e o saber do outro, proximidade física, discussões em espaços formais, discurso coeso, equipe por afinidade e boa gestão. Quanto aos aspectos que dificultam o trabalham em equipe emergiram 04 categorias, a saber: ausência de diálogo, ausência de consenso, competência exclusiva por categoria e os impedimentos externos à atuação da equipe multiprofissional. Esta última, composta por quatro subcategorias: a ausência de reconhecimento, rotatividade dos profissionais e gestores, características dos adolescentes e a falta de recursos. Conclui-se que, apesar da equipe demonstrar compreender a importância do trabalho interdisciplinar e o desejo de trabalhar como equipe, a comunicação se dá pela lógica da transmissão de informações. Para além da percepção da equipe, identificamos que as normativas que orientam a execução da medida socioeducativa de internação apresentam uma compreensão reduzida do que seria o trabalho em equipe, orientando os profissionais a atuarem de forma isolada. A partir do referencial teórico adotado proposto por Peduzzi (2001) e West e Lyubovnikova (2012, 2013), verificamos que a equipe estuda assemelha-se a uma equipe agrupamento e se comporta como uma pseudoequipes.
Abstract
The phenomenon of hyperspecialization has caused the fragmentation of knowledge
that negatively impacts on work relationships, which decreases collaboration and
interaction between professionals. Teamwork emerges as a strategy to reduce the
incompleteness of knowledge and horizontal relationships. One of the most important
points in adolescent care in socio-educational measures is teamwork, which aims to
make responsible and resocialize adolescents in conflict with the law. Thus, this
research aims to analyze teamwork, developed in a socio-educational unit of
deprivation of liberty located in the city of Belo Horizonte / Minas Gerais, according to
the perspective of the multiprofessional team. The population consisted of
professionals from a team who had been working in the center for at least one year,
excluding those who were away from work at the time of data collection, one from
each professional category. In the presence of more than one professional per
category, the one with the longest working time in that team was included. An
interview was used as a data collection instrument composed of a hypothetical case
and a semi-structured script, both designed for this purpose. The analytical course of
the data was performed through content analysis according to Graneheim and
Lundman (2004). Seven professionals from the multiprofessional team participated in
the study, which corresponds to 01 professionals from each category that make up
the team according to legislation: legal assistant, social worker, dentist, nurse,
pedagogue, psychologist and occupational therapist. From the interviews, six
categories emerged regarding the facilitating aspects of teamwork: knowing each
other's work and knowledge, physical proximity, discussions in formal spaces,
cohesive discourse, affinity team and good management. As for the aspects that
make teamwork difficult, four categories emerged, namely: absence of dialogue,
absence of consensus, exclusive competence by category, and external
impediments to the performance of the multiprofessional team. The latter, composed
of four subcategories: lack of recognition, turnover of professionals and managers,
characteristics of adolescents and lack of resources. It is concluded that, although
the team demonstrates to understand the importance of interdisciplinary work and
the desire to work as a team, communication occurs through the logic of information
transmission. Beyond the perception of the team, we identified that the norms that
guide the execution of the socio-educational measure have a reduced understanding
of what teamwork would be, guiding professionals to act in isolation. From the
adopted theoretical framework proposed by Peduzzi (2001) and West and
Lyubovnikova (2012, 2013), we find that the study team resembles a grouping team
and behaves like a pseudo-team
Assunto
Serviço social, Equipe de assistência ao paciente, Comportamento do adolescente, Prisões, Adolescente institucionalizado
Palavras-chave
Adolescente institucionalizado, Equipe multiprofissional, Trabalho social