Impacto do uso da camouflage cosmética na qualidade de vida relacionada à saúde em mulheres com lúpus sistêmico e dano cutâneo permanente: um estudo de intervenção controlado
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Cristina Costa Duarte Lanna
Maila de Castro Lourenço das Neves
Blanca Elena Rios Gomes Bica
Rosa Weiss Telles
Maila de Castro Lourenço das Neves
Blanca Elena Rios Gomes Bica
Rosa Weiss Telles
Resumo
Contextualização: Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença inflamatória crônica
que ocorre, principalmente, em mulheres jovens e acomete múltiplos órgãos e sistemas,
resultando em diferentes sequelas e no aumento da mortalidade. As manifestações
cutâneas ocorrem em até 80% dos pacientes com LES, e são classificadas em agudas,
subagudas e crônicas. Algumas deixam cicatrizes definitivas, caracterizando um dano
permanente da doença. Estudos demonstraram que pacientes com LES possuem pior
qualidade de vida relacionada à saúde (QVRS) se comparados aos indivíduos saudáveis ou
com doenças crônicas reumatológicas ou não. Por sua vez, indivíduos com lúpus cutâneo
possuem pior QVRS do que os com outras doenças dermatológicas e do que os com LES
sem envolvimento cutâneo. O eritema da doença e as cicatrizes cutâneas afetam a maneira
como são vistos pelos outros e podem estar relacionados à depressão. O uso de cosméticos
e de roupas para esconder as lesões são estratégias utilizadas por esses pacientes. A
camouflage cosmética é indicada por dermatologistas em doenças de pele como psoríase,
vitiligo e acne, promovendo melhora da QVRS. Contudo, seu uso não está estudado em
pacientes com LES e sequelas de manifestações cutâneas.
Objetivo: O objetivo desse estudo foi avaliar o impacto do uso da camouflage cosmética na
qualidade de vida relacionada à saúde em mulheres com LES e sequelas de manifestações
cutâneas na face.
Metodologia: Trata-se de um ensaio clínico randomizado controlado (Universal Trial
Number: U1111-1210-2554e) com mulheres com LES de acordo com os critérios do ACR
1982/1997 e / ou SLICC 2012 atendidas no ambulatório de Reumatologia de dois centros
terciários, Hospital das Clínicas da UFMG e Grupo Santa Casa Belo Horizonte, maiores de
18 anos, com sequelas de manifestações cutâneas da doença na face. Os critérios de
exclusão foram: atividade sistêmica moderada a grave (SLEDAI 2k-modificado> 4), não
compreensão dos questionários ou início ou modificação do tratamento psicológico e/ou
psiquiátrico durante o estudo. 65 pacientes foram selecionadas, 56 foram incluídas e
alocadas nos grupos de estudo e 13 foram excluídos durante o acompanhamento,
resultando em uma amostra final de 43 pacientes divididos em grupo I (camouflage
cosmética - n = 28) e grupo II (controle - n = 15). As pacientes foram avaliadas conforme o
protocolo do estudo no momento da inclusão (T0), após 12 semanas +/- 2 semanas (Fase I)
e após 24 semanas do tempo inicial +/- 2 semanas (Fase II). O grupo I recebeu treinamento
para uso em camouflage cosmética e as pacientes foram instruídas a usá-la diariamente
entre o tempo T0 e T1 e a usar conforme a demanda pessoal entre os tempos T1 e T2; o
grupo II não fez uso da camouflage. Para estudo da QVRS, foram utilizados os
questionários: SLE Quality of Life (SLEQoL) e Disease Quality of Life Index (DLQI), com
escores mais altos significando pior QVRS. Além desses, foram utilizadas a Escala de
Autoestima de Rosenberg e a Escala HAD (Hospital Anxiety and Depression Scale). A
atividade de doença foi mensurada pelo SLEDAI 2K modificado (Systemic Lupus
Erythematosus Disease Activity Index) e a avaliação do dano acumulado pelo índice SLICCDI
(Systemic Lupus International Collaborating Clinics American College of Rheumatology
Damage Index). O desfecho primário foi a comparação, entre os grupos intervenção e
controle, da variação dos escores finais do DLQI, SLEQOL (e de cada um de seus
domínios), escala de Rosenberg e escala HAD entre os dois tempos da pesquisa. A
variação (Δ) dos escores foi calculada pela diferença dos escores no tempo T2, T1 e no T0
(Δ = escore Tx – escore Ty). Os desfechos secundários foram a comparação dos escores na
Fase II (T2-T1), em todo o tempo do estudo (T2-T0) e nos três tempos pareados em cada
grupo separadamente. Variáveis contínuas foram descritas como mediana (intervalo
interquartil). A analise do desfecho primário foi realizada por regressão univariada com cada
variável desfecho seguida de modelos multivariados para ajuste por escore basal de cada
questionário e SLICC devido a entre os grupos na linha de base. O teste de Friedman e
quando encontrada diferença significativa o teste de Wilcoxon para amostras pareadas, foi
utilizado na comparação entre os três tempos. Os resultados foram considerados
significativos para uma probabilidade de significância inferior a 5% (p<0,05).
Resultados: Os grupos intervenção e controle eram semelhantes em relação às
características sociodemográficas, clínicas e laboratoriais, bem como quanto ao uso de
medicamentos e aos escores dos questionários aplicados na inclusão, exceto pelo índice de
dano SLICC cuja mediana (IIq) foi maior no grupo intervenção [3 (2 - 4) versus 1 (1 - 2), p=
0,001]. Para os desfechos primários, em comparação ao controle (n = 15), os pacientes que
usaram camuflagem cosmética (n = 28) melhoraram a QVRS de acordo com o SLEQoL total
[B -27,56 (IC95% -47,86 a -7,27)], especificamente humor, auto-imagem e funcão física; e
de acordo com o DLQI [B -7,65 (IC95% -12,31 a -3,00)]. A melhoria da QVRS não mudou
entre as fases I e II e foi mantida considerando todo o acompanhamento. Depressão [B -
1,92 (IC95% -3,67 a -0,16)], ansiedade [B -2,87 (IC95% -5,67 a -0,07)] e auto-estima [B 2,79
(IC95% 0,13 a 5,46)] também melhoraram considerando todo o acompanhamento.
Conclusão: Neste grupo de mulheres com LES, baixa atividade sistêmica da doença, baixo
índice de dano permanente e sequelas de manifestações cutâneas na face, observou-se
melhora da QVRS, especificamente nos domínios humor e autoimagem, na autoestima e em
sinais de ansiedade e depressão após o uso da camouflage cosmética. A camouflage
cosmética é uma estratégia terapêutica apropriada para melhora da QVRS desses
indivíduos e deve, portanto, ser recomendada pelo médico reumatologista e incorporada em
sua rotina de atendimento.
Abstract
Assunto
Cosméticos, Lúpus Eritematoso Cutâneo, Lúpus Eritematoso Sistêmico, Qualidade de Vida, Autoimagem, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Camouflage, Lúpus Eritematoso Sistêmico, Lúpus Cutâneo, Qualidade de Vida Relacionada à Saúde, Depressão, Ansiedade, Autoestima