O rio que secou: a ruptura do ciclo hidrossocial da comunidade de Piranga, no Norte de Minas Gerais

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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The river that dried up: the disruption of the hydrosocial cycle of the Piranga community in northern Minas Gerais

Membros da banca

Rômulo Soares Barbosa e Ana Pimenta Ribeiro

Resumo

A presente dissertação analisa os efeitos socioambientais da mineração e da silvicultura na comunidade de Piranga, Riacho dos Machados, Minas Gerais, sob a ótica do ciclo hidrossocial. Por meio da integração de dados geoespaciais, análise de uso e cobertura do solo, e narrativas comunitárias, o estudo desvela um cenário de injustiça ambiental e desterritorialização. Os resultados demonstram que a expansão da silvicultura (1985-2000) e a subsequente chegada do empreendimento minerário (2000-2023) ocasionaram impactos socioambientais cumulativos e severos. Tais alterações representam um colapso ecológico, simbólico e político, desestruturando a relação da comunidade com seu território. A pesquisa revela que acomunidade, outrora autônoma na gestão hídrica, foi progressivamente excluída das decisões territoriais e submetida à lógica de mercantilização da natureza, resultando na conversão da água de bem comum em insumo industrial. Este processo culminou na transformação de Piranga em uma "zona de sacrifício", onde os custos ambientais são coletivizados e os lucros concentrados. Não obstante, a dissertação evidencia as formas silenciosas de resistência da comunidade, manifestas na preservação da memória do rio, na autogestão de poços artesianos e na manutenção de hortas em áreas úmidas. Tais práticas são interpretadas como "artes do cotidiano" e expressões do "ecologismo dos pobres", reafirmando a dignidade e a continuidade da vida. Metodologicamente, o trabalho ressalta a relevância da combinação entre pesquisa de campo de inspiração etnográfica, geoprocessamento e investigação para compreender os saberes locais e oferecer um modelo replicável para estudos em outros contextos de conflitos socioambientais. A dissertação conclui que a crise hídrica em Piranga não é um fenômeno natural, mas sim o resultado de decisões políticas e econômicas que priorizam empreendimentos privados em detrimento da sustentabilidade e dos direitos comunitários, sublinhando a urgência de uma reorientação para modelos sociais mais justos e participativos.

Abstract

This dissertation analyzes the socio-environmental effects of mining and silviculture in the community of Piranga, Riacho dos Machados, Minas Gerais, from the perspective of the hydrosocial cycle. Through the integration of geospatial data, land use and land cover analysis, and community narratives, the study reveals a scenario of environmental injustice and deterritorialization. The results demonstrate that the expansion of silviculture (1985-2000) and the subsequent arrival of the mining enterprise (2000-2023) caused cumulative and severe socio-environmental impacts. These alterations represent an ecological, symbolic, and political collapse, disrupting the community's relationship with its territory. The research reveals that the community, once autonomous in water management, was progressively excluded from territorial decisions and subjected to the logic of nature's commodification, resulting in the conversion of water from a common good into an industrial input. This process culminated in the transformation of Piranga into a "sacrifice zone," where environmental costs are collectivized and profits concentrated. Nevertheless, the dissertation highlights the silent and resilient forms of community resistance, manifested in the preservation of the river's memory, the self-management of artesian wells, and the maintenance of gardens in wetlands. These practices are interpreted as "arts of everyday life" and expressions of the "environmentalism of the poor," reaffirming the dignity and continuity of life. Methodologically, the work highlights the relevance of combining ethnographically inspired field research, geoprocessing, and investigation to understand local knowledge and offer a replicable model for studies in other contexts of socio-environmental conflicts. The dissertation concludes that the water crisis in Piranga is not a natural phenomenon, but rather the result of political and economic decisions that prioritize enterprises to the detriment of sustainability and community rights, underscoring the urgency of a reorientation towards more just and participatory social models.

Assunto

Palavras-chave

Conflitos hídricos. Mineração. Silvicultura. Justiça ambiental. Ciclo hidrossocial.

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