Análise comparativa das intervenções cirúrgicas pré-natal e pós-natal na Mielomeningocele: desfechos urodinâmicos precoces avaliados por meio do ultrassom dinâmico de rins e vias urinárias

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Introdução e objetivo: A mielomeningocele (MMC) é a principal causa de bexiga neurogênica (BN) na infância, frequentemente associada à disfunção do trato urinário inferior, infecções urinárias de repetição, refluxo vesicoureteral e risco de deterioração renal precoce. Embora o estudo urodinâmico (EUD) seja amplamente utilizado para avaliação funcional, suas limitações técnicas e características invasivas reduzem sua aplicabilidade em neonatos e lactentes jovens. O ultrassom dinâmico (USD) de rins e vias urinárias surge como uma alternativa promissora, por ser não invasivo e capaz de avaliar simultaneamente aspectos morfológicos e funcionais do trato urinário sob condições fisiológicas. Este estudo teve como objetivos: (1) caracterizar achados urodinâmicos obtidos por meio do USD em neonatos com MMC, em comparação com controles saudáveis; (2) revisar sistematicamente a literatura sobre o uso do USD em BN pediátrica; (3) comparar os desfechos urodinâmicos precoces de neonatos com MMC submetidos à correção cirúrgica pré-natal versus pós-natal. Métodos: A tese incluiu dois estudos originais e uma revisão sistemática. Ambos os estudos foram conduzidos em centro quaternário de referência entre 2021 e 2025. O primeiro estudo teve delineamento transversal e comparou recém-nascidos com MMC e controles saudáveis pareados por idade e sexo, que foram avaliados por meio de protocolo padronizado de USD. Uma revisão sistemática também foi realizada no primeiro estudo seguindo as diretrizes PRISMA e Cochrane, com registro na plataforma PROSPERO (CRD42023556854). O segundo estudo foi um coorte prospectivo que comparou os achados do USD entre pacientes submetidos à correção intrauterina da MMC e aqueles operados após o nascimento. Nos dois estudos, o USD foi realizado entre 10 e 90 dias de vida, avaliando a espessura da parede vesical, a capacidade vesical máxima (CVM), o resíduo urinário vesical (RUV), a atividade do detrusor, a competência esfincteriana e a pressão intravesical. A análise estatística incluiu testes de comparação entre grupos, análise de poder e avaliação da concordância interobservador por coeficientes Kappa e ICC (Intraclass Correlation Coefficient). Resultados: No primeiro estudo, foram incluídos 41 pacientes com MMC e 45 controles. O grupo MMC apresentou CVM significativamente reduzida e RUV aumentado em relação aos controles (p < 0,001). Contrações involuntárias do detrusor foram observadas em mais de 75% dos pacientes com MMC. Foi também realizada revisão sistemática que identificou apenas três estudos avaliando o uso do USD em crianças com BN. Ficou clara a escassez de evidências, mas com resultados promissores quanto à acurácia e aplicabilidade clínica do método. O segundo estudo comparou os neonatos com MMC submetidos à cirurgia pré- (n=15) e pós-natal (n=26) entre si e com controles saudáveis (n=52). Os pacientes submetidos à cirurgia pré-natal apresentaram menor CVM (p = 0,006), RUV significativamente menor (p = 0,001) e menor razão RUV/CVM (p = 0,003), sugerindo melhor esvaziamento vesical. Não foram observadas diferenças significativas entre os grupos cirúrgicos quanto à função do detrusor ou do esfíncter. Conclusões: Recém-nascidos com MMC apresentaram características vesicais distintas no ultrassom dinâmico em comparação com os controles saudáveis. A correção pré-natal da MMC pode favorecer a eficiência do esvaziamento vesical em neonatos e lactentes. O USD apresentou capacidade de identificar alterações morfológicas e funcionais do trato urinário na abordagem inicial da BN, podendo orientar o manejo individualizado após a cirurgia fetal, com boa concordância com achados tradicionalmente obtidos por EUD. O exame se mostrou seguro, bem tolerado e tecnicamente viável em neonatos e lactentes jovens. Apesar do número reduzido de publicações na literatura, os achados desta tese sugerem que o USD pode ser uma ferramenta útil para triagem, diagnóstico e seguimento de disfunção urinária neurogênica em pacientes com MMC, além de auxiliar na avaliação do impacto urológico do momento da correção cirúrgica. Estudos futuros com coortes maiores e seguimento prolongado são essenciais para validar nossos achados. Palavras-chave: mielomeningocele; disrafismo espinhal; bexiga neurogênica; ultrassom dinâmico; disfunção miccional; cirurgia fetal; reparo pré-natal; reparo pós-natal; urologia pediátrica.

Abstract

Introduction and objectives: Myelomeningocele (MMC) is the leading cause of neurogenic bladder (NB) in childhood and is frequently associated with lower urinary tract dysfunction, recurrent urinary tract infections, vesicoureteral reflux, and a high risk of early renal deterioration. Although urodynamic studies (UDS) are widely used for functional assessment, their technical limitations and invasive nature reduce their applicability in neonates and young infants. Dynamic ultrasound (DUS) of the kidneys and urinary tract has emerged as a promising non-invasive alternative, enabling simultaneous morphological and functional evaluation of the urinary system under physiological conditions. This study aimed to: (1) characterize DUS-based urodynamic findings in neonates with MMC compared to healthy controls; (2) systematically review the literature on DUS in pediatric NB; and (3) compare early urodynamic outcomes between neonates with MMC who underwent prenatal versus postnatal surgical repair. Methods: This thesis included two original studies and a systematic review. Both studies were conducted at a quaternary referral center between 2021 and 2025. The first study had a cross-sectional design that compared neonates with MMC and age-matched healthy controls, all assessed with a standardized DUS protocol. A systematic review was also included in the first study and conducted following PRISMA and Cochrane Handbook guidelines, registered in the PROSPERO platform (CRD42023556854). The second study was a prospective cohort comparing DUS findings between patients who underwent prenatal MMC repair and those submitted to postnatal correction. In both studies, DUS was performed between 10 and 90 days of life and assessed bladder wall thickness, maximum bladder capacity (MBC), residual urine volume (RUV), detrusor activity, sphincter competence, and intravesical pressure. Statistical analyses included group comparisons, post hoc power analysis, and interobserver agreement using Kappa and ICC coefficients. Results: In the first study, 41 MMC patients and 45 healthy controls were included. The MMC group showed significantly reduced MBC and increased RUV compared to controls (p < 0.001). Involuntary detrusor contractions were present in over 75% of MMC patients. A systematic review was also performed and identified only three studies evaluating DUS in children with neurogenic bladder, highlighting the scarcity of data but showing promising accuracy and clinical applicability. The second study compared neonates with MMC who underwent pre- (n=15) and postnatal (n=26) surgery with each other and with healthy controls (n=52). Among MMC neonates, those undergoing prenatal surgery had significantly lower MBC (p = 0.006), lower RUV (p = 0.001), and a reduced RUV/MBC ratio (p = 0.003), suggesting more effective bladder emptying. No significant differences were observed in detrusor or sphincter function between surgical groups. Conclusions: Prenatal MMC repair may enhance bladder emptying efficiency in neonates and infants. DUS presented capacity of detecting morphological and functional abnormalities in the early evaluation of NB, aligning well with UDS findings and supporting individualized management following fetal surgery. The technique was safe, well-tolerated, and technically feasible in the neonatal period. Despite the limited number of publications, the findings of this thesis suggest that DUS may serve as a valuable tool for screening, diagnosis, and follow-up of neurogenic bladder dysfunction in MMC patients, as well as for assessing the urological impact of surgical timing. Further studies with larger cohorts and longer follow-up are essential to validate these findings.

Assunto

Resultado do Tratamento, Reprodutibilidade dos Testes, Estudos de Casos e Controles, Disrafismo Espinal, Meningomielocele, Complicações Pós-Operatórias, Estudos de Coortes, Refluxo Vesicoureteral, Urodinâmica, Bexiga Urinária, Ultrassonografia

Palavras-chave

mielomeningocele, disrafismo espinhal, bexiga neurogênica, ultrassom dinâmico, disfunção miccional, cirurgia fetal, reparo pré-natal, reparo pós-natal, urologia pediátrica

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