Retórica, dialética e filosofia na Retórica de Aristóteles

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Viviane de Castilho Moreira
Rafael Guimaraes Tavares da Silva

Resumo

Nesta dissertação é analisada a afinidade entre retórica e dialética na Retórica de Aristóteles, destacando o conceito de ἀντίστροφος (traduzido habitualmente por contraparte), que posiciona a retórica como uma técnica lógica e persuasiva ligada à dialética. Aristóteles sustenta que a retórica não é meramente uma manipulação emocional, mas uma arte (τέχνη). Assim, este trabalho explorará como a retórica aristotélica utiliza elementos lógicos, especialmente o entimema (ἐνθύμημα), um tipo de silogismo adaptado à persuasão, e o exemplo (παράδειγμα) com o objetivo de compor discursos eficazes e adequados para produzir a persuasão nos cidadãos que participavam dos tribunais e assembleias em Atenas. Inicialmente, esta dissertação examina a crítica de Aristóteles às abordagens anteriores de retórica, que negligenciavam o entimema e se concentravam em influenciar emoções; passa-se então à discussão do papel das emoções na persuasão, que Aristóteles interpreta (em sua abordagem cognitiva das emoções) como disposições (livro II, 1-11) que, quando bem direcionadas, complementam os argumentos lógicos; por fim, será abordada a elocução (λέξις) e a organização (τάξις) do discurso, aspectos importantes para a eficácia retórica. Pretende-se concluir, ao final, que Aristóteles estrutura a retórica como uma arte racional, distinguindo-a da empiria (ἐμπειρία), considerando-a como um ramo da dialética. Esta dissertação busca mostrar que essa caracterização proporciona uma visão, na medida do possível, unificada e coerente da retórica como técnica de persuasão fundamentada no uso de estratégias lógicas.

Abstract

In this dissertation, the affinity between rhetoric and dialectic in Aristotle's Rhetoric is analyzed, highlighting the concept of ἀντίστροφος (commonly translated as “counterpart”), which positions rhetoric as a logical and persuasive technique connected to dialectic. Aristotle argues that rhetoric is not merely emotional manipulation but an art (τέχνη). Thus, this work will explore how Aristotelian rhetoric employs logical elements, especially the enthymeme (ἐνθύμημα), a type of syllogism adapted to persuasion, and the example (παράδειγμα), with the aim of composing effective speeches suitable for persuading citizens participating in courts and assemblies in Athens. Initially, this dissertation examines Aristotle's critique of earlier approaches to rhetoric, which neglected the enthymeme and focused on influencing emotions. It then moves on to discuss the role of emotions in persuasion, which Aristotle interprets (in his cognitive approach to emotions) as dispositions (Book II, 1–11) that, when well-directed, complement logical arguments. Finally, the dissertation addresses delivery (λέξις) and the arrangement (τάξις) of the speech, important aspects for rhetorical effectiveness. It aims to conclude that Aristotle structures rhetoric as a rational art, distinguishing it from empiricism (ἐμπειρία) and considering it a branch of dialectic. This dissertation seeks to demonstrate that this characterization provides a unified and coherent view, as far as possible, of rhetoric as a technique of persuasion grounded in the use of logical strategies.

Assunto

Filosofia -Teses, Aristóteles. Retórica, Filosofia antiga - Teses, Dialética - Teses

Palavras-chave

Aristóteles, Retórica, Dialética, Arte, Entimema

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