Uso problemático da internet e seus fatores associados: um estudo epidemiológico com dados de abrangência nacional
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Monografia de especialização
Título alternativo
Problematic internet use and associated factors: an epidemiological study with national data
Primeiro orientador
Membros da banca
Thaís Rotsen Correa
Resumo
O uso problemático da internet se refere à dificuldade em controlar as atividades virtuais, o que pode estar associado a prejuízos psicológicos, sociais e funcionais. Considerando que os meios tecnológicos de comunicação fazem parte da sociedade moderna, é importante compreender quem são as pessoas que estão realizando o seu uso problemático, assim como a interface desse problema com a saúde mental. Objetivo: Estimar a prevalência de uso problemático da internet e as variáveis associadas, na população geral brasileira, acessada virtualmente. Material e método: Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo-analítico de corte transversal a partir de uma amostra por conveniência composta por 1191 pessoas das diferentes regiões do Brasil, acessadas, virtualmente, de maio a outubro de 2024. Os participantes responderam a um questionário virtual, no Google Forms, o qual contemplou: identificação pessoal e sociodemográfica; identificação clínica; estilos de vida; identificação psicossocial; perfil atual do uso do smartphone; perfil atual do uso das mídias sociais e “Questionário de uso problemático da internet”. O tratamento estatístico foi realizado no R (versão 4.4.0) com cálculo de estatísticas descritivas (frequência absoluta, frequência relativa, média e desvio padrão), aplicação do teste do qui-quadrado de Pearson, do teste do qui-quadrado por simulação e do teste t de Student para igualdade de médias. Adotou-se nível de significância de 5%. Para a variável dicotômica uso problemático da internet (sim e não), construiu-se um modelo de regressão logística múltiplo por meio da seleção de variáveis com o método backward. As variáveis independentes incluídas foram aquelas que apresentaram p < 0,20 na análise bivariada. O modelo final foi constituído somente pelas variáveis com p<0,05. Foram calculados o VIF médio, a área sob a curva ROC e aplicado o teste de Hosmer-Lemeshow. Resultados: A prevalência de uso problemático da internet foi de 55,1% (IC95%=[52,2% a 57,9%]. A análise bivariada revelou que o uso problemático foi mais prevalente entre os participantes com o seguinte perfil: mulheres; jovens (18 a 25 anos); solteiros; ensino superior incompleto; sem ocupação; residentes com outras cinco pessoas; renda mensal entre R$ 1000 e R$ 2000; sem religião ou prática religiosa; tinham diagnóstico psiquiátrico, especialmente esquizofrenia, transtornos alimentares ou ansiosos; o diagnóstico havia sido realizado seis a dez anos antes; avaliavam sua própria saúde como “ruim”; apresentavam menor IMC; ex-fumantes; consumo de álcool de duas a quatro vezes por mês; uso de substâncias ilícitas nos últimos 12 meses; hipersonia; não praticavam atividades físicas ou se a praticavam o faziam por uma hora ou menos por semana; vivência de conflitos familiares e/ou externos à família; introvertidos; experiencia solidão frequentemente; experiencia ansiedade e depressão quase sempre; menor autoestima; maior autopercepção de narcisismo; acesso à internet somente a partir dos dados móveis; autopercepção do tempo de exposição à tela do smartphone de nove horas diárias; já experienciou o smartphone vibrar ou o ouviu tocar na ausência de notificações; não utilizava o smartphone para fins profissionais; admitiu já ter se acidentado por estar utilizando o smartphone; utilizava maior quantidade de mídias sociais; o Tik Tok era a mídia social utilizada mais frequentemente; acessava as mídias sociais imediatamente ao acordar; postava fotos pessoais ao menos uma vez por semana; comentava ou curtia postagem de outras pessoas quase todos os dias; lia comentários das postagens de outras pessoas quase todos os dias; verificava, com frequência, quem visualizou, curtiu ou comentou suas postagens; já se sentiu ofendido nas mídias sociais; sentia ciúmes quando o parceiro amoroso postava fotos ou recebia curtidas ou comentários; já deixou de seguir alguém por não se sentir bem. Com os resultados do modelo múltiplo, os fatores independentes associados ao uso problemático da internet foram sexo, idade, frequência de uso de álcool, tempo semanal dedicado às atividades físicas, frequência solidão, ansiedade e depressão, autopercepção narcisismo, autopercepção tempo de exposição à tela do smartphone, síndrome da vibração ou toque fantasma, acidentes durante o uso do smartphone, acesso às mídias sociais ao acordar, verificação recorrente das interações com suas postagens nas mídias sociais e já ter deixado de seguir alguém por não se ter se sentido bem com suas interações virtuais. Conclusões: A maioria da amostra foi classificada com uso problemático da internet. O delineamento transversal, do presente estudo, permitiu a delimitação do perfil dessas pessoas. Espera-se que este estudo possa disparar discussões quanto à necessidade de compreender a linha tênue que separa o potencial dos meios tecnológicos para promover ou prejudicar a saúde mental das pessoas.
Abstract
Problematic internet use refers to the difficulty in controlling online activities, which may be associated with psychological, social, and functional impairments. Considering that technological means of communication are an integral part of modern society, it is important to understand who the individuals engaging in problematic internet use are, as well as how this issue interfaces with mental health. Objective: To estimate the prevalence of problematic internet use and its associated variables in the general Brazilian population, ccessed virtually. Materials and Methods: This is a descriptive-analytical epidemiological cross-sectional study, conducted with a convenience sample of 1,191 individuals from different regions of Brazil, accessed virtually between May and October 2024. articipants completed an online questionnaire via Google Forms, which included the following sections: personal and ociodemographic information; clinical profile; lifestyle habits; psychosocial profile; current smartphone usage profile; current social media usage profile; and the "Problematic Internet Use Questionnaire." Statistical analysis was performed using R software (version 4.4.0), including escriptive statistics (absolute frequency, relative frequency, mean, and standard deviation), Pearson's chi-square test, simulated chi- quare test, and Student's t-test for equality of means. A significance level of 5% was adopted. For the dichotomous variable roblematic internet use" (yes/no), a multiple logistic regression model was built using the backward selection method. Independent variables with p < 0.20 in the bivariate analysis were included in the model. The final model retained only variables with p < 0.05. The average VIF, the area under the ROC curve, and the Hosmer-Lemeshow test were calculated to assess the model's adequacy. Results: The revalence of problematic internet use was 55.1% (95% CI = [52.2% to 57.9%]). Bivariate analysis revealed that problematic use was more prevalent among participants with the following characteristics: female; young adults (18–25 years); single; incomplete higher education; unemployed; living with five or more people; monthly income between R$ 1,000 and R$ 2,000; without religion or religious practice; psychiatric diagnosis, especially schizophrenia, eating disorders, or anxiety disorders; diagnosis made six to ten years ago; self-rated health as "poor"; lower BMI; former smokers; alcohol consumption two to four times a month; use of illicit substances in the past 12 months; hypersomnia; not engaging in physical activity or engaging for one hour or less per week; experience of family and/or external conflicts; introverted personality; frequent feelings of loneliness; experiencing anxiety and depression almost always; lower elf-esteem; higher self-perceived narcissism; accessing the internet only through mobile data; self-perceived daily screen time of nine hours; experiencing phantom vibration or phantom ringing; not using smartphones for professional purposes; having experienced an accident while using the smartphone; higher use of multiple social media platforms; most frequently using TikTok; accessing social media immediately upon waking up; posting personal photos at least once a week; frequently commenting or liking other people's posts; frequently reading comments on other people's posts; frequently checking who viewed, liked, or commented on their posts; having felt offended on social media; feeling jealous when a romantic partner posted photos or received likes or comments; and having nfollowed someone because of feeling uncomfortable with online interactions. Based on the multiple regression model, the independent factors associated with problematic internet use were gender, age, frequency of alcohol consumption, weekly time spent on physical activity, frequency of loneliness, anxiety and depression, selfperceived narcissism, self-perceived screen time, phantom vibration or ringing syndrome, accidents while using a smartphone, accessing social media upon waking up, frequent checking of nteractions on one's own posts, and having unfollowed someone due to discomfort with virtual interactions. Conclusions: The majority of the sample was classified as having problematic internet use. The cross-sectional design of this study allowed the characterization of the profile of these individuals. It is expected that this study will prompt discussions about the need to better understand the fine line between the potential of technological means to promote or harm people's mental health.
Assunto
Estatística, Estatística – Análise, Epidemiologia – Métodos estatísticos, Saúde Mental – Epidemiologia – Brasil, Internet – Aspectos psicológicos, R (Linguagem de programação de computador) – Modelos matemáticos
Palavras-chave
uso de internet, saúde mental, epidemiologia, estatística