Colonialidade, necropoder e quilombo: uma leitura decolonial sobre vidas amefricanas contra o racismo-falocrático
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Coloniality, necropower, and quilombo: a decolonial reading of amefrican lives against phallocratic racism
Primeiro orientador
Membros da banca
Nilma Lino Gomes
Marcus Abílio Gomes Pereira
Ana Cláudia Lemos Pachec
Lilian Cristina Bernardo Gomes
Marcus Abílio Gomes Pereira
Ana Cláudia Lemos Pachec
Lilian Cristina Bernardo Gomes
Resumo
Em diálogo com proposições decoloniais e pós-coloniais, proponho a ideia de racismo falocrático como uma tautologia necessária, uma espécie de “lupa” metonímica sobre o que Jurema Werneck e Iraci Silva chamaram de racismo-patriarcal heteronormativo. Minha intenção é deixar explícito o caráter de um dos complexos fundantes das opressões em contextos de sociedades derivadas
do colonialismo, tendo como referência os processos de colonização nas Américas e mais especificamente o Brasil. Argumento que o racismo falocrático compõe uma modalidade de poder que forja, distribui, organiza e adéqua as assimetrias, as sujeições, as explorações, as descartabilidades e as matabilidades; e se perpetua, de forma soberana, nas performances do “eu conquistador”, que é também tautologicamente um “eu exterminador”. A descartabilidade e a matabilidade imputadas pelo “eu conquistador” performatizado nas contingências atuais e operadas pelo necropoder são flagrantes nas formas contemporâneas como corpos
tornados indesejados são tratados, tanto pelos poderes instituídos como por uma soberania que opera para além da face institucional. Na costura desse constructo interpretativo, seguirei com o argumento de que a aptidão penetradora do “eu
conquistador” e a sua íntima relação com a práxis de um necropoder afetam, mas também são fissuradas pela memória subversiva do colonizado (cujo sentido é atualizado). Essa memória, por exemplo, está no quilombo, como conceituado por Beatriz Nascimento, ou ainda, nas ações amefricanas em nossa cotidianidade, como nos mostrou Lélia González. Identifico nas propostas dessas autoras, além da convergência com a perspectiva fanoniana, uma profunda identificação com a proposta decolonial da analética, de Enrique Dussel. Portanto, em referência à proposta dusseliana de libertação, essa tese é uma discussão epistemológica que se apresenta em duas faces: a primeira, a que desce das caravelas; e a segunda, a face Outra, desocultada.
Abstract
In a dialogue with decolonial and postcolonial theories, I propose the idea of phallocratic racism as a necessary tautology, a kind of metonymic magnifying glass on heteronormative racist-patriarchalism, a term proposed by Jurema Werneck and Iraci Silva. My goal is to make explicit the nature of one of the founding aspects of oppression within the contexts of societies derived from colonialism, having as a reference the colonization processes in the Americas and, more specifically, Brazil. I argue that phallocratic racism is part of a modality of power that creates, distributes, organizes, and conforms the asymmetries, subjugations, the explorations, the disposabilities, and the killabilities; and it perpetuates itself, in a sovereign manner, in the performances of the “I, conqueror”, which is also, tautologically, an “I, exterminator”. The disposability and killability imposed by the “I, conqueror”, performed in the current contexts and operated by necropolitics, are evident in their contemporary form as how bodies made unwanted are treated, both by institutional powers and by a sovereignty that operates beyond the institutional. In formulating this interpretative construct, I will continue with the argument that the penetrating aptitude of the “I, conqueror” and its intimate relationship with the praxis of necropolitics affect, byt are also fractured by the subversive memory of a the colonized (whose meaning is updated). This memory, for example, is in the quilombo, as conceptualized by Beatriz Nascimento, or yet in the African-American actions in our daily lives, as Lélia González demonstrated. I identify, in the writings of these authors, beyond the convergence with the fanonian perspective, a profound identification with the decolonial proposal of analytics, by Enrique Dussel. Therefore, in reference to the dusselian proposal of liberation, this dissertation is an epistemological discussion of that presents itself with two faces: the first, that descends from the caravels; and the second, the Other face, unveiled.
Assunto
Ciência política - Teses, Racismo - Teses, Quilombos - Teses
Palavras-chave
Racismo-falocrático, Necropolítica, Quilombo, Amefricanidade