Pântanos alimentares e entornos comunitários: associações com o excesso de peso de crianças e adolescentes de uma cidade de grande porte do Brasil
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Luana Caroline dos Santos
Milene Cristine Pessoa
Thales Philipe Rodrigues Da Silva
Mariana Souza Lopes
Milene Cristine Pessoa
Thales Philipe Rodrigues Da Silva
Mariana Souza Lopes
Resumo
Introdução: O excesso de peso presente na população é um dos grandes desafios a ser enfrentado no século XXI. A condição de viver com excesso de peso, desde a infância e adolescência, tem influência de fatores relacionados à exposição a que esses estão sujeitos e, em meio às consequências têm-se a manifestação precoce de doenças crônicas não transmissíveis. Dentre os fatores associados à exposição estão os relacionados ao ambiente alimentar, sendo que poucos estudos avaliaram a associação de pântanos alimentares no entorno escolar e/ou domiciliar com o excesso de peso nesse grupo.
Objetivo: Avaliar os pântanos alimentares no ambiente alimentar do entorno escolar e domiciliar, e sua associação com o excesso de peso em crianças e adolescentes.
Método: Trata-se de estudo de dois diferentes métodos. O primeiro foi um estudo ecológico com informações de localização das escolas e dos estabelecimentos de aquisição de alimentos da cidade de Betim para o ano de 2019. Os pântanos alimentares identificados no entorno escola consideraram buffer euclidiano de 250 metros. Para a identificação dos pântanos alimentares foi realizada uma adaptação do modelo criado por Hager et at. (2017). Foram classificados como pântanos alimentares os entornos cujo somatório de estabelecimentos dos tipos lanchonetes, mercearias e lojas de doces era igual ou superior a quatro. Para as análises foram realizados teste de normalidade. As variáveis categóricas foram apresentadas em frequência relativa e absoluta. As variáveis contínuas em intervalos interquartis. Para a análise de associação foi realizada razão de prevalência (RP). O segundo foi um estudo transversal, com dados individuais, demográficos e antropométricos de crianças e adolescentes, de 5 a 14 anos, estudantes nas escolas públicas municipais participantes do Programa Saúde na Escola (PSE). Os dados de peso e altura foram aferidos entre março e novembro de 2019 por equipe de saúde treinada, realizado o cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC) por idade, em seguida foi utilizado o programa WHO AnthroPlus, para a classificação do excesso de peso IMC/Idade para todos os indivíduos com o escore z >+1. As informações referentes à localização, dos dois estudos, e coordenadas geográficas, foram obtidas utilizando os endereços fornecidos pela Secretaria Estadual de Fazenda para os estabelecimentos, Secretaria Estadual de Educação para as escolas, e Secretaria Municipal de Saúde para os domicílios. Em seguida utilizou-se o software Qgis 2.10.1 para projetar as coordenadas e realizar as análises dos buffers. As análises realizadas no estudo dois tiveram as variáveis contínuas descritas em mediana e as variáveis categóricas descritas em frequência absoluta e relativa. Nas análises de associação foi realizado modelo de regressão logística com modelo de equação estimativa generalizada (GEE) expressas em razão de chances (Odds Ratio) .As análises empregadas no estudo foram realizadas no software STATA 17.0.
Resultados: Artigo 1: Foram avaliadas 222 escolas, públicas e privadas em funcionamento. Quanto aos tipos de estabelecimentos, no buffer de 250 metros, em mais de 90% dos entornos escolares havia pelo menos um estabelecimento que comercializava predominantemente alimentos mistos e ultraprocessados. Quanto à caracterização dos estabelecimentos em que havia pelo menos um estabelecimento de comércio de alimentos, 78,8% eram lanchonetes, 72,5% eram restaurantes, e 71,6% eram bares. Foi identificado que a prevalência de escolas localizadas em pântanos alimentares era de 52,7%.Quanto as interações de associação a prevalência de entornos escolares em que mais de 50% dos estabelecimentos são de estabelecimentos que comercializam predominantemente AUP foi 3,15 (IC 95%: 1,89-5,25) vezes maior entre escolas localizadas em setores censitários com maior tercil de renda. Artigo 2: Foram avaliados 2601 indivíduos estudantes de 46 escolas públicas municipais, desses 54,1% eram crianças de 5 a 9 anos e 45,9% eram adolescentes de 10 a 14 anos. A prevalência de excesso de peso foi de 30,5%, maior entre adolescentes (33,3% vs 28,1%, p=0,004). Na avaliação da associação do pântano alimentar as variáveis de exposição foram a presença dos pântanos alimentares no entorno domiciliar e escolar, e a variável desfecho foi o excesso de peso. Na associação simultânea a chance de excesso de peso foi de 1,22 vezes (p=0,024), no modelo de regressão logística ajustado por sexo, idade e renda.
Conclusão: Existe maior disponibilidade de estabelecimentos que ofertam AUP no entorno das escolas públicas avaliadas, principalmente entre aquelas que estão localizadas em setores censitários de maior renda. A maioria das escolas estão localizadas em regiões de pântanos alimentares, o que pode favorecer a maior exposição e, consequentemente, maior consumo de alimentos não saudáveis. A exposição simultânea em ambientes do entorno domiciliar e escolar, desfavoráveis quanto a oferta de alimentação saudável, pode contribuir para o excesso de peso em crianças e adolescentes. O monitoramento do ambiente alimentar no entorno escolar e domiciliar, por meio da identificação de pântanos alimentares, é uma das ferramentas possíveis para o planejamento e execução de ações públicas, voltadas para prevenção do excesso de peso em crianças e adolescentes.
Abstract
Introduction: Overweight and obesity in the population are among the greatest challenges to
be addressed in the 21st century. The condition of living with excess weight, from childhood
through adolescence, is influenced by factors related to environmental exposure, which, in turn,
can lead to the early onset of non-communicable chronic diseases. Among the exposure-related
factors, the food environment plays a crucial role; however, few studies have evaluated the
association between food swamps in school and/or residential surroundings and excess weight
in this population group.
Objective: To assess the presence of food swamps in the food environment surrounding schools
and residences and their association with overweight and obesity in children and adolescents.
Methods: This study employed two different methodological approaches. The first was an
ecological study using geolocation data on schools and food retail establishments in the city of
Betim for the year 2019. Food swamps in school surroundings were identified using a 250-
meter Euclidean buffer. The identification of food swamps was based on an adaptation of the
model proposed by Hager et al. (2017). Environments where the sum of establishments
classified as snack bars, grocery stores, and candy shops was equal to or greater than four were
defined as food swamps. Normality tests were conducted for statistical analyses. Categorical
variables were presented as absolute and relative frequencies, while continuous variables were
described using interquartile ranges. Prevalence ratios (PR) were used for association analyses.
The second approach consisted of a cross-sectional study with individual demographic and
anthropometric data of children and adolescents aged 5 to 14 years, attending public municipal
schools participating in the School Health Program (PSE). Weight and height measurements
were taken between March and November 2019 by a trained health team. Body Mass Index
(BMI) for age was calculated and classified using the WHO AnthroPlus software, with
overweight defined as BMI-for-age z-score > +1. Geolocation data for both studies, including
geographic coordinates, were obtained using addresses provided by the State Secretariat of
Finance for food establishments, the State Secretariat of Education for schools, and the
Municipal Health Secretariat for residences. QGIS 2.10.1 software was used for spatial analysis
and buffer calculations. In the second study, continuous variables were described using
medians, and categorical variables were reported as absolute and relative frequencies. Logistic
regression models with generalized estimating equations (GEE) were employed to assess
associations, expressed as odds ratios (OR). Statistical analyses were performed using STATA
17.0 software.
Results: Article 1: A total of 222 operational public and private schools were evaluated.
Regarding the types of food establishments within the 250-meter buffer, over 90% of school
surroundings contained at least one establishment that predominantly sold mixed and ultraprocessed foods (UPFs). Among school surroundings with at least one food retailer, 78.8%
included snack bars, 72.5% had restaurants, and 71.6% had bars. The prevalence of schools
located in food swamps was 52.7%. In terms of associations, the prevalence of school
surroundings where more than 50% of establishments primarily sold UPFs was 3.15 times
higher (95% CI: 1.89–5.25) in schools located in census tracts within the highest income tertile.
Article 2: A total of 2,601 students from 46 public municipal schools were evaluated, of whom
54.1% were children aged 5–9 years, and 45.9% were adolescents aged 10–14 years. The
prevalence of overweight was 30.5%, with a higher rate among adolescents (33.3% vs. 28.1%,
p=0.004). In the assessment of the association between food swamps and excess weight,
exposure variables included the presence of food swamps in residential and school
surroundings, while the outcome variable was overweight. In the simultaneous exposure model,
the odds of overweight were 1.22 times higher (p=0.024) in the logistic regression model
adjusted for sex, age, and income.
Conclusion: There is a higher availability of establishments selling UPFs in the surroundings
of the evaluated public schools, particularly those located in census tracts with higher income
levels. Most schools are situated in food swamp areas, which may increase exposure to and
consumption of unhealthy foods. Simultaneous exposure to unfavorable food environments in
both school and residential surroundings may contribute to overweight in children and
adolescents. Monitoring the food environment in school and residential areas through the
identification of food swamps is a valuable tool for planning and implementing public actions
aimed at preventing overweight and obesity in children and adolescents
Assunto
Alimento Processado, Redes Comunitárias, Espaço Social Alimentar, Sobrepeso, Obesidade Infantil, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Ambiente Alimentar, Vizinhança, Pântano Alimentar, Excesso de Peso, Escolas
Citação
Departamento
Endereço externo
Avaliação
Revisão
Suplementado Por
Referenciado Por
Licença Creative Commons
Exceto quando indicado de outra forma, a licença deste item é descrita como Acesso Restrito
