Associação entre Diabetes Mellitus Gestacional e práticas obstétricas, por características sociodemográficas, em maternidades de Belo Horizonte, Minas Gerais
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Association between gestational diabetes mellitus and obstetric practices, by sociodemographic characteristics, in maternity hospitals in Belo Horizonte Belo Horizonte, Minas Gerais
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Resumo
Introdução: A assistência ao parto tem passado por transformações ao longo dos
anos, e a incorporação de diversas tecnologias à prática obstétrica contribuiu para que
a mulher deixasse de ser protagonista do processo parturitivo em muitas das
circunstâncias. Dados populacionais demonstram que menos de 5% das gestantes
brasileiras tiveram experiência de parto sem intervenções e que há uma baixa
prevalência de práticas obstétricas recomendadas durante a assistência ao trabalho
de parto e uma alta prevalência de práticas obstétricas não recomendadas. Existem
estudos que relacionam a presença de comorbidades, como a diabetes mellitus
gestacional (DMG), a um elevado número de práticas obstétricas não recomendadas.
Dessa forma, estudar a associação entre DMG e as práticas obstétricas em diferentes
grupos etários e contextos socioeconômicos torna-se importante, na medida em que
há poucos estudos sobre DMG no Brasil e aqueles sobre intervenções obstétricas são
limitados, considerando que avaliam poucas intervenções ou não as associam a
doenças crônicas, em especial à DMG. Objetivo: Estimar a associação entre
diagnóstico de DMG e práticas obstétricas, com base nas características
sociodemográficas das gestantes, em maternidades de Belo Horizonte, Minas Gerais.
Métodos: Trata-se de um estudo transversal, desenvolvido com dados da pesquisa
“Nascer em Belo Horizonte: Inquérito sobre parto e Nascimento”, envolvendo 1.088
mulheres. Foram realizados dois tipos de análise: PCA (Análise de Componentes
Principais) e Cluster. Para avaliar a coexistência entre presença de DMG, plano de
saúde e idade materna acima dos 35 anos (exposição) e a presença de intervenções
obstétricas (desfechos), criou-se um score em tercis do padrão encontrado e utilizouse o teste qui-quadrado. Para a segregação de grupos correlacionados, utilizou-se a
análise de clusters, para gerar grupos que unissem informações sobre a presença ou
não da DMG em diferentes médias de idade. A diferença de médias de idade entre os
grupos foi avaliada por meio do teste t. As associações entre o diagnóstico de DMG
(exposição) e cada prática obstétrica (desfechos) foram com base nos testes quiquadrado de Pearson ou Exato de Fisher, por clusters de idade materna,
considerando a significância de 5%. Resultados: A análise de PCA mostrou que o
padrão foi composto pelas variáveis posse de plano de saúde, idade materna
avançada e presença de DMG, e esse padrão foi associado às seguintes práticas
obstétricas durante o trabalho de parto: posição deitada, enema, ausência de
deambulação, utilização de acesso intravenoso, não oferecimento de dieta e via de
nascimento cesariana. Foram encontradas maiores proporções dessas práticas no
terceiro tercil do padrão obtido pela análise de componentes principais (p < 0,05). Os
resultados apontaram associações estatisticamente significativas entre ter DMG e as
seguintes práticas obstétricas, no cluster de mulheres mais jovens: maior proporção
de analgesia durante o parto (50%) em comparação com mulheres sem DMG do
mesmo cluster (26,13%) e uso de fórceps ou vácuo extrator (23,08%) em comparação
com mulheres sem DMG (4,85%). No cluster de mulheres mais velhas que
apresentaram DMG houve associação estatisticamente significativa para
oferecimento de dieta (16,67%) em comparação com mulheres sem DMG do mesmo
cluster (13,61%) e maior uso de antibiótico durante o trabalho de parto (24,14%) em
comparação com mulheres sem DMG do mesmo cluster (9,05%). No cluster de
mulheres mais jovens, aquelas com diabetes, em comparação com mulheres sem
DMG, deambularam mais durante o trabalho de parto (93,33%), fizeram mais uso de
CTG (cardiotocografia) (12,50%), amamentaram menos na primeira hora de vida do
recém-nascido (40,00%), tiveram menor contato pele a pele com o bebê (52,00%),
fizeram maior uso de métodos não farmacológicos para alívio da dor (96,00%),
apresentaram maior uso de medicamento intravaginal para indução do parto (37,50%)
e apresentaram mais episódios de infecção urinária (68,00%). Conclusão:
Demonstrou-se que a presença do diagnóstico de DMG pode ser apontada como
potencial fator de risco para o uso de práticas obstétricas não recomendadas e que
essa relação também é potencializada ao se considerar idade elevada, bem como
posse de plano de saúde.
Abstract
Introduction: Childbirth care has undergone transformations over the years and the
incorporation of various technologies into obstetric practice has contributed to the fact
that women are no longer the protagonists of the parturition process, in many
circumstances. Population data show that less than 5% of Brazilian pregnant women
have experienced childbirth without interventions and that there is a low prevalence of
recommended obstetric practices during labor care and a high prevalence of nonrecommended obstetric practices. In this context, there are studies that relate the
presence of comorbidities, such as gestational diabetes mellitus (GDM), to a high
number of obstetric practices. Thus, studying the association between GDM and
obstetric practices in different age groups and sociodemographic contexts becomes
important, since, to our knowledge, there are few studies on GDM in Brazil and studies
on obstetric interventions are limited, evaluating few interventions or they do not
associate chronic diseases, especially GDM. Objective: To estimate the association
between GDM diagnosis and obstetric practices, based on the sociodemographic
characteristics of pregnant women, in maternity hospitals in Belo Horizonte, Minas
Gerais. Methods: This is a cross-sectional study, based on data from the survey
“Nascer em Belo Horizonte: Inquérito sobre parto e Nascimento”, involving 1,088
women. Two types of analysis were performed: PCA (Principal Component Analysis)
and Cluster. To assess the coexistence between the presence of GDM, health
insurance and maternal age over 35 years (exposure) and the presence of obstetric
interventions (outcomes), a tertile score of the pattern found was created and the chi
square test was used. For the segregation of correlated groups, cluster analysis was
used to generate groups that gathered information on the presence or absence of GDM
at different age averages. The difference in averages ages between the groups was
evaluated using the t test. The associations between the diagnosis of GDM (exposure)
and each obstetric practice (outcomes) were based on Pearson's chi-square or
Fisher's exact tests, by maternal age clusters, considering a significance of 5%.
Results: PCA analysis showed that the pattern was composed of the variables
possession of health insurance, advanced maternal age, education, economic class
and presence of GDM with the following obstetric practices during labor: lying position,
enema, absence of ambulation, use of intravenous access, no diet and cesarean
delivery. Higher proportions of these practices were also found in the third tertile of the
pattern obtained by the analysis of principal components (p<0.05). The results showed
statistically significant associations in the cluster of younger women with GDM in:
greater proportion of analgesia during childbirth (50%) compared to non-diabetic
women from the same cluster (26.13%) and use of forceps or vacuum extractor (23
.08%) compared to non-diabetic patients (4.85%). In the cluster of older women, who
had GDM, there was a statistically significant association for offering some diet
(16.67%) when compared to non-diabetic women from the same cluster (13.61%) and
greater use of antibiotics during labor (24 .14%) compared to non-diabetic women in
the same cluster (9.05%). In the cluster of younger women, it was observed that, when
compared to non-diabetic women: they walked more during labor (93.33%), made
more use of CTG (cardiotocography) (12.50%), breastfed less in the first hour of the
baby´s life (40.00%), had less skin-to-skin contact with the baby (52.00%), made
greater use of non-pharmacological methods for pain relief (96.00%), used more
intravaginal medication for labor induction (37.50%) and had more episodes of urinary
tract infection (68.00%). Conclusion: : It was demonstrated that the presence of the diagnosis of GDM can be a potential risk factor for the use of non-recommended obstetric practices, and this relationship is also enhanced when considering high age,
as well as having a health insurance plan.
Assunto
Diabetes Gestacional, Parto Humanizado, Enfermagem Obstétrica, Saúde Materno-Infantil, Parto, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Diabetes gestacional, Saúde materno infantil, Parto, Parto humanizado, Enfermagem obstétrica