Envelhecimento ativo no Brasil urbano: a relação entre as desigualdades socioeconômicas e os padrões de participação no mercado de trabalho

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Este trabalho teve como objetivo identificar as associações entre as condições sociais e econômicas da população mais velha e seus padrões de participação no mercado de trabalho, considerando os recortes de raça e gênero no Brasil urbano. Procurou-se investigar de que forma essa relação se transformou ao longo do tempo em função das crises econômicas e das reformas institucionais que impactaram a economia brasileira entre os anos de 2013 e 2023. Como hipótese, buscou-se verificar a ocorrência de um processo de polarização entre os mais velhos. Tal fenômeno se manifestaria, por um lado, pela participação motivada pela necessidade econômica e financeira do domicílio, relacionada ao trabalho do indivíduo analisado. Por outro, entende-se que os domicílios com rendas mais elevadas também concentram as melhores condições e oportunidades de ocupação. Dessa forma, tanto a base quanto o topo da distribuição de renda tenderiam a apresentar as maiores taxas de participação, ainda que por razões distintas. Através dos dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC), a combinação da análise descritiva com as estimações de diferentes modelos econométricos permitiu identificar as desigualdades por raça e gênero, bem como os efeitos das variáveis explicativas sobre a probabilidade de participação e sobre a qualidade ocupacional dos mais velhos ao longo do tempo. Os resultados evidenciam que a permanência em atividade no mercado de trabalho após os 54 anos é fortemente mediada pelas condições sociais e econômicas acumuladas ao longo da trajetória de vida. Os efeitos dos rendimentos dos outros membros do domicílio demonstraram que, para além da necessidade, há motivações e condições mais favoráveis que sustentam a permanência no mercado entre os mais privilegiados, o que, somado aos efeitos encontrados para o grupo intermediário da distribuição, constitui um dos principais indícios da ocorrência da polarização entre os mais velhos. Essa polarização caracteriza-se pelo distanciamento dos grupos mais favorecidos, enquanto base e meio permanecem relativamente homogêneos entre si. Ao longo do tempo, observou-se uma leve atenuação do papel da renda do não trabalho como fator de desincentivo à participação, bem como uma aproximação dos retornos educacionais entre os diferentes grupos sociodemográficos. Além disso, intensificaram-se os efeitos negativos associados à informalidade, ao passo que a ocupação por conta-própria passou a se aproximar, em alguns casos, das ocupações formais. Tais mudanças indicam potenciais reconfigurações nas formas de participação dos mais velhos, ainda marcadas pela persistência das desigualdades no mercado de trabalho brasileiro.

Abstract

Assunto

Mercado de trabalho, Envelhecimento, Economia

Palavras-chave

envelhecimento ativo, mercado de trabalho

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