Entre mães e filhas: Lenu, Lila e a pluralidade de representações da figura materna em Elena Ferrante
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Maria Carolina Junqueira Fenati
Luiza Larangeiras da Silva Mello
Luiza Larangeiras da Silva Mello
Resumo
Esta pesquisa construiu um estudo acerca de como a maternidade foi abordada na obra da escritora Elena Ferrante, com o recorte nos livros que compõem a tetralogia napolitana: A amiga genial (2015), História de um novo sobrenome (2016), História de quem foge e quem fica (2016) e História da menina perdida (2017). A autora traz ao texto as multiplicidades e complexidades do fazer materno tendo em vista questões de ordem sociocultural (Beauvoir, 2009; Badinter, 1985; Lerner, 2019; Iaconelli, 2023). Com as personagens mães, sobretudo as protagonistas dos romances, Lenu (Elena Greco) e Lila (Rafaella Cerullo), foi possível analisar o modo como a autora aborda a maternidade a partir de comportamentos pautados em repetições e conflitos. Em seu texto, ela fornece elementos para uma leitura da temática a partir da construção de mães possíveis: as personagens são mães que precisam lidar com as problemáticas que a maternidade e a maternagem suscitam. Assim, Ferrante discute como as mulheres mães são marcadas pela tensão entre atender às demandas pessoais e desempenhar o papel que o sistema do patriarcado (Lerner, 2019) construiu e espera delas. A autora, consoante a outras obras contemporâneas de autoria feminina, desconstrói o modelo materno sacralizado, que esvazia a individualidade feminina em nome da constituição da mãe (Badinter, 1985), demonstrando como a mulher mãe enfrenta empecilhos para a garantia e manutenção da própria subjetividade. Além disso, discute como o trabalho invisível de cuidado é um agente mantenedor do status quo patriarcal (Federici, 2019; Lerner, 2019). Assim, nesta pesquisa, por meio do estudo da obra ferrantiana, à luz de teorias feministas, foram discutidas questões de ordem social e cultural que marcam não só as expectativas de gênero - o que inclui a construção e idealização da maternidade -, mas também a escrita de autoria feminina.
Abstract
This research presents a study on how motherhood is approached in the works of writer Elena Ferrante, focusing on the books that make up the Neapolitan tetralogy: My Brilliant Friend (2015), The Story of a New Name (2016), Those Who Leave and Those Who Stay (2016) and The Story of the Lost Child (2017). The author highlights the multiplicities and complexities of maternal experiences in light of sociocultural issues (Beauvoir, 2009; Badinter, 1985; Lerner, 2019; Iaconelli, 2023). Through the portrayal of mother characters, particularly the protagonists Lenu (Elena Greco) and Lila (Rafaella Cerullo), it was possible to analyze how the author addresses motherhood through behaviors characterized by repetition and conflict. In her text, she provides elements for reading the theme through the construction of possible mothers: the characters are mothers who must navigate the challenges that motherhood and caregiving raise. Thus, Ferrante discusses how mothering women are marked by the tension between fulfilling personal demands and performing the role that the patriarchal system (Lerner, 2019) has constructed and expects of them. In alignment with other contemporary works by female authors, she deconstructs the sacralized maternal model that undermines female individuality in the name of becoming a mother (Badinter, 1985), demonstrating how mothering women face obstacles in securing and maintaining their own subjectivity. Additionally, she discusses how the invisible labor of care serves as a sustaining agent of the patriarchal status quo (Federici, 2019; Lerner, 2019). Therefore, this research, through the study of Ferrante's works, addresses social and cultural factors that shape not only gender expectations - including the construction and idealization of motherhood - but also the practice of female authorship, in light of feminist theories.
Assunto
Ferrante, Elena, 1943- – Amiga genial – Crítica e interpretação, Ferrante, Elena, 1943- – História de um novo sobrenome – Crítica e interpretação, Ferrante, Elena, 1943- – História da menina perdida – Crítica e interpretação, Ficção italiana – História e crítica, Maternidade na literatura, Literatura italiana – Escritoras, Mulheres e literatura
Palavras-chave
Maternidade, Elena ferrante, Autoria feminina, Mães na literatura
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