Preditores de reestenose após valvoplastia mitral percutânea na estenose mitral reumática

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Kenneth John Gollob
Luisa Mourão Dias Magalhães
Gabriela Miana De Mattos Paixão
Lucas Lodi Junqueira

Resumo

Introdução: A valvoplastia mitral percutânea por balão (VMPB) é a principal escolha terapêutica para pacientes com estenose mitral (EM) reumática. Contudo, reestenose pode ocorrer ao longo do tempo, tornando-se a principal causa de deterioração funcional após uma VMPB bem-sucedida. O objetivo deste estudo foi avaliar a incidência de reestenose mitral e identificar os principais fatores associados à sua ocorrência após uma VMPB bem-sucedida em pacientes com EM reumática. Métodos: Trata-se de uma coorte de pacientes com EM reumática submetidos a VMPB entre janeiro de 1997 e maio de 2023, acompanhados no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG). O desfecho primário foi o desenvolvimento de reestenose mitral clinicamente significativa, definida como redução da área valvar mitral (AVM) para menos de 1,5 cm², resultando em morte cardiovascular, necessidade de repetição de VMPB ou indicação de troca valvar mitral. O modelo de regressão de riscos proporcionais de Cox foi utilizado para identificar variáveis preditoras pré e pós-procedimento de reestenose mitral. O teste de correlação de Spearman foi utilizado para avaliar a correlação dos níveis de citocinas, quimiocinas e fatores de crescimento com AVM no acompanhamento em um subgrupo de pacientes. Resultados: Foram incluídos no estudo 380 pacientes, com idade média de 41,8 ± 12,1 anos, e 322 pacientes eram mulheres (84,7%). A mediana do tempo de seguimento foi de 5,34 anos (IIQ 2,21-9,38). A reestenose ocorreu em 127 pacientes (33,4%) com incidência de 5,1 eventos/100 pacientes/ano (IC 95% 4,2-6,0%). As taxas de sobrevida livre de reestenose em 5 e 10 anos foram de 85,9 ± 2,1% e 63,1 ± 3,5%, respectivamente. As variáveis independentemente associadas à reestenose incluíram idade, escore de Nunes, AVM pós-VMPB, abertura comissural e variação do peptídeo natriurético cerebral (BNP). Além disso, os níveis pós-VMPB de TNF-α, IL-6, IL-15, IL-4, IL-5, IL-17, CXCL-10, FGF-basic e VEGF foram negativamente correlacionados com a AVM no seguimento. Conclusão: A reestenose permanece prevalente apesar de uma VMPB bem-sucedida e pode ser prevista pela idade, morfologia valvar, área valvar pós-procedimento, abertura comissural e grau de redução do BNP. Num subgrupo de pacientes, a correlação entre marcadores inflamatórios e a AVM sugere que a inflamação persistente pode ser um fator crítico de reestenose.

Abstract

Introduction: Percutaneous mitral commissurotomy (PMC) is the primary choice of therapy for patients with rheumatic mitral stenosis (MS). However, restenosis can develop over time, becoming the main cause of functional deterioration after successful PMC. This study aims to assess the incidence of mitral restenosis and identify the primary factors associated with its occurrence after a successful PMC in patients with rheumatic MS. Methods: This is a cohort of patients with rheumatic MS who have undergone PMC between January 1997 and May 2023, followed at the Hospital das Clínicas of the Federal University of Minas Gerais (HC-UFMG). The primary outcome was the development of clinically significant mitral restenosis, defined as a reduction in mitral valve area (MVA) to less than 1.5 cm², resulting in cardiovascular death, the need for repeat PMC, or the indication for mitral valve replacement. Cox proportional hazards regression model was performed to identify pre and post procedural variables predictors of mitral restenosis. Spearman correlation test was used to evaluate the correlation of the levels of cytokines, chemokines, and growth factors with MVA at follow-up in a subgroup of patients. Results: A total of 380 patients were included in the study, with a mean age of 41.8 ± 12.1 years, and 322 patients were women (84.7%). The median follow-up time was 5.34 years (IQR 2.21-9.38). Restenosis occurred in 127 patients (33.4%) with an incidence of 5.1 events/100 patients/year (CI 95% 4.2-6.0%). The 5- and 10-years restenosis-free survival rates were 85.9 ± 2.1%, and 63.1 ± 3.5%, respectively. Variables independently associated with restenosis included age, Nunes score, post-PMC MVA, commissural opening, and brain natriuretic peptide (BNP) change. Additionally, post-PMC levels of TNF-α, IL-6, IL-15, IL-4, IL-5, IL-17, CXCL-10, FGF-basic, and VEGF were negatively correlated with MVA at follow-up. Conclusion: Restenosis remains prevalent despite a successful PMC and can be predicted by age, valve morphology, post-procedural valve area, commissural opening, and the degree of BNP reduction. In a subset of patients, the correlation between inflammatory markers and MVA suggests that persistent inflammation may be a critical driver of restenosis.

Assunto

Febre Reumática, Cardiopatia Reumática, Estenose da Valva Mitral, Valvuloplastia com Balão, Citocinas

Palavras-chave

Cardiopatia reumática, Estenose mitral, Valvoplastia mitral percutânea por balão, Reestenose, Citocinas

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