Alternativas adaptativas: a autogestão de inundações em ontologias amazônicas

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Ana Claudia Duarte Cardoso
Juliano Pamplona Ximenes Ponte
Daniel Medeiros de Freitas

Resumo

A concentração espacial de riscos e vulnerabilidades ecológico-ambientais é mais uma faceta da espoliação urbana imposta sobre periferias da produção capitalista, cuja operação destrutiva e degradante se escancara diante de eventos climáticos, dentre os quais aqui interessam as cada vez mais intensas, frequentes e imprevisíveis inundações urbanas em cidades brasileiras. Substanciando uma delimitação assertiva de problemas socioecológicos contemporâneos pela superação da acumulação e circulação do capital como prioridades de soluções tecno-científicas, a pesquisa problematiza investimentos incipientes em estratégias adaptativas incorporáveis à principal modalidade de construção e gestão habitacional e urbana no Brasil, discutindo-os enquanto reflexos da programática desarticulação de alternativas à produção capitalista do espaço. Ao situar a relevância de epistemologias da diferença para horizontes político-filosóficos na gestão e planejamento urbano-ambiental, os modos de vida ribeirinhos em várzeas amazônicas, ecossistemas sazonalmente inundados e, há muito, construídos por sociedades diversas e transnacionais, são abordados como significativa e convenientemente marginalizados pelas mesmas lógicas destrutivas, em prol de sua reprodução. A pesquisa, então, indagou se a autogestão de inundações em várzeas amazônicas poderia contribuir à adaptação de assentamentos urbanos a eventos hidrogeoclimáticos, dispondo um estudo exploratório sobre medidas de autogestão nas ontologias amazônicas coletadas de estudos antropológicos e arqueológicos via revisão de escopo e mapeamento de literatura online através de buscadores, priorizados os formatos de artigos científicos, ensaios e seções de livros, em Português, Inglês e Espanhol. Foram delimitados cinco casos conforme o caráter representativo das estratégias registradas em relação ao panorama de medidas obtido, então cartografados, descritos e analisados segundo uma bricolagem metodológica de abordagens relacionais e de escalaridade, explorando-se os novos sentidos obtidos pela modelagem, que resultou em: uma cartografia da autogestão de inundações na Bacia Amazônica, em territórios do Brasil, Equador, Peru e Bolívia, disponibilizada em serviço online, de acesso público; leituras adaptativas sobre as relações hidrossociais justificadas; comprometimentos ontológicos imbricados nas práticas locais e possíveis correlações através de distintas espacialidades; e a indicação de lacunas no conhecimento atual sobre medidas estruturais e não-estruturais empregadas em zonas úmidas amazônicas. O trabalho corrobora a natureza ecológico-ambiental e político-econômica de desafios climáticos, salientando a condição histórico-geográfica de ontologias amazônicas como valiosa a novas materialidades, representações e imaginários, indistintamente contributivos para repensar desigualdades urbano-ambientais no Brasil e no mundo, a partir de linguagens autônomas e coproduzidas motivadas por espacialidades inundáveis.

Abstract

The spatial concentration of ecological and environmental risks and vulnerabilities constitutes another facet of urban dispossession imposed on the peripheries of capitalist production. Its destructive and degrading operation becomes plainly evident during climatic events, notably the increasingly intense, frequent, and unpredictable urban floods affecting Brazilian cities. Framing an assertive delineation of contemporary socioecological problems, the research problematizes the prioritization of capital accumulation and circulation within techno-scientific solution agendas. Critically, it questions nascent investments in adaptive strategies that might be incorporated into Brazil’s predominant modes of housing and urban management, reading such investments as reflections of a programmatic disarticulation of alternatives to capitalist spatial production. By situating the relevance of epistemologies of difference for political-philosophical horizons in urban-environmental planning and governance, the study foregrounds riverine lifeways in Amazonian floodplains. These seasonally inundated ecosystems—long shaped by diverse and transnational societies—are treated as significantly and conveniently marginalized by the very destructive logics that sustain capitalist reproduction. The research therefore asked whether flood self-management in Amazonian várzeas could contribute to the adaptation of urban settlements to hydro-geoclimatic events. To this end, an exploratory study was conducted on self-management measures within Amazonian ontologies, compiled from anthropological and archaeological literature via a scoping review and online literature mapping using search engines, with priority given to peer-reviewed articles, essays, and book chapters in Portuguese, English, and Spanish. Five cases were delimited according to the representative character of recorded strategies relative to the overall panorama of measures obtained; these were subsequently mapped, described, and analyzed through a methodological bricolage combining relational approaches and scalar analysis. The modeling thereby produced new interpretive registers. Modeling resulted in: a cartography of flood self-management across the Amazon Basin—covering territories in Brazil, Ecuador, Peru, and Bolivia—and made publicly available via an online platform; adaptive readings of the justified hydro-social relations; ontological entanglements embedded within local practices and potential correlations across distinct spatialities; and the identification of knowledge gaps concerning structural and non-structural measures employed in Amazonian wetlands. The work corroborates the ecological-environmental and politico-economic character of climate challenges, emphasizing the historical-geographical condition of Amazonian ontologies as valuable for new materialities, representations, and imaginaries. Broadly, these autonomous and co-produced languages, motivated by flood-prone spatialities, contribute meaningfully to rethinking urban-environmental inequalities in Brazil and beyond.

Assunto

Várzeas, Inundações, Planejamento urbano, Mudanças climáticas, Ontologia, Amazônia

Palavras-chave

Várzeas; adaptação; inundações urbanas; autogestão; ontologias

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