Ensaios sobre a Inclusão e o Desenvolvimento Financeiro no Brasil
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Antônio Dias Pereira Filho
Reginaldo Morais de Macedo
Tânia Marta Maia Fialho
Carlos Renato Theóphilo
Reginaldo Morais de Macedo
Tânia Marta Maia Fialho
Carlos Renato Theóphilo
Resumo
Esta tese é composta por quatro capítulos, sendo o primeiro responsável por apresentar os conceitos que permeiam todo o trabalho, e os outros três estruturados na forma de ensaios empíricos aplicados ao contexto brasileiro, mais especificamente um aborda a temática da inclusão financeira, e os outros dois versam sobre o desenvolvimento financeiro. As propostas aqui apresentadas estão em consonância com os anseios do Banco Mundial, sobretudo em sua Estrutura de Suporte à Inclusão Financeira (Financial Inclusion Support Framework) (FISF) (WORLD BANK, 2021), uma iniciativa que visa acelerar e aumentar a eficácia das reformas e de outras ações para alcançar metas para o desenvolvimento de um sistema financeiro mais inclusivo. O primeiro capítulo apresentou os principais conceitos teóricos que permeiam toda a tese, além de resgatar diversos estudos empíricos anteriores sobre os temas trabalhados. Em específico, concentrou-se na inclusão financeira e o desenvolvimento financeiro. A inclusão financeira pode ser definida como um processo que visa eliminar barreiras para que as instituições financeiras do setor formal estejam ao alcance de todos, sejam acessadas por todos e sejam usadas por todos. Já o desenvolvimento financeiro é mais abrangente, inclui em suas dimensões a própria inclusão financeira, mas também considera questões relacionadas à eficiência tanto das instituições financeiras quanto dos mercados de capitais em relação aos seus efeitos nas diversas variáveis sociais e econômicas. O capítulo 2 teve como objetivo desenvolver um índice composto de inclusão financeira para o território brasileiro. Recorreu-se ao Displaced Ideal Method para a operacionalização dos dados. A série temporal considerada se estende do ano de 2008 até o ano de 2019, as variáveis utilizadas abrangem aspectos geográficos, demográficos e digitais, relacionadas ao sistema financeiro brasileiro. Essas variáveis foram utilizadas para a construção do índice composto. Além disso, para que isso fosse possível, foi feita a estimação de índices dimensionais, a saber, o índice de disponibilidade do sistema financeiro brasileiro, o índice de acesso ao sistema financeiro brasileiro e o índice de uso do sistema financeiro brasileiro. Em síntese, os resultados mostram que, apesar de o Brasil possuir uma boa disponibilidade de instituições financeiras e também um elevado nível de acesso, isto é, bancarização, o uso dos produtos e serviços financeiros ainda é limitado, sendo essa uma das principais barreiras encontradas para o desenvolvimento de um sistema financeiro inclusivo no país. Hipóteses que podem explicar isso foram levantadas na seção de resultados e análise, e merecem novas pesquisas para serem, de fato, comprovadas. O capítulo 3 teve como objetivo investigar a relação entre o desenvolvimento financeiro e a receita tributária brasileira. Em específico, estimou-se dois modelos, um para investigar os efeitos do desenvolvimento das instituições financeiras nas receitas tributárias no Brasil (modelo 1), e outro para investigar os efeitos do desenvolvimento dos mercados financeiros nas receitas tributárias no Brasil (modelo 2). Para ambos, o método mais adequado para o tratamento dos dados foi Modelo Autorregressivo de Defasagem Distribuída (ARDL). Os resultados do modelo 1 evidenciam que em conjunto as variáveis têm relação de longo prazo, já individualmente, no longo prazo, apenas a eficiência das instituições financeiras apresentou-se positiva e com significância estatística. No curto prazo o sinal encontrado foi o oposto. Os achados do modelo 2 demonstram que em conjunto as variáveis têm relação de longo prazo, já individualmente, no longo prazo, apenas a variável profundidade dos mercados financeiros apresentou-se positiva e com significância estatística. No curto prazo o sinal encontrado foi o oposto. Em suma, identificou-se que de modo amplo, o desenvolvimento financeiro tem relação com as receitas tributárias brasileiras, considerando o longo prazo. O capítulo 4 teve como objetivo investigar a relação entre o desenvolvimento financeiro (medido em sua dimensão desenvolvimento das instituições financeiras) e o PIB per capita no Brasil (medida representativa da renda média da população brasileira). O método mais adequado para a operacionalização dos dados foi o Modelo Autorregressivo de Defasagem Distribuída (ARDL). Identificou-se relação de longo prazo entre as variáveis do modelo a partir da constatação da cointegração, em específico, no longo prazo, observou-se que todas as variáveis apresentaram significância estatística, o acesso às instituições financeiras retornou valor negativo, porém, as variáveis profundidade e eficiências das instituições financeiras mostraram-se positivamente relacionadas. Já no curto prazo apenas a variável profundidade apresentou significância estatística, mas com sinal oposto ao encontrado no longo prazo. Em síntese, os achados reforçam a importância do desenvolvimento financeiro para a promoção da renda média da população brasileira.
Abstract
Assunto
Administração financeira, Capital (Economia), Empresas, Finanças
Palavras-chave
Inclusão Financeira, Desenvolvimento Financeiro, Brasil