Má oclusão em crianças e adolescentes com osteogênese imperfeita
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Suzane Paixão Gonçalves
Isabella Mota Pereira Veloso
Júnia Maria Cheib Serra Negra
Tahyna Duda Deps Almeida
Isabella Mota Pereira Veloso
Júnia Maria Cheib Serra Negra
Tahyna Duda Deps Almeida
Resumo
A Osteogênese Imperfeita (OI) é uma doença genética que afeta o tecido conjuntivo
e é causada por defeitos na síntese de colágeno tipo I. As alterações na produção
do colágeno podem causar anomalias nos ossos da face, resultando em um
crescimento craniofacial anormal e má-formação dos dentes e arcos dentários.
Dentre as más oclusões, indivíduos com OI apresentam alta prevalência de mordida
cruzada, mordida aberta e má oclusão de Classe III. Este estudo objetivou comparar
os fatores associados com as más oclusões em crianças e adolescentes com OI e
sem OI. Foi realizado um estudo transversal, pareado, com 39 indivíduos com OI e
39 sem OI, na faixa etária de três a 17 anos, e seus pais/responsáveis. A coleta de
dados ocorreu por meio de um questionário direcionado aos pais/responsáveis e
exame bucal das crianças e adolescentes atendidos nos setores de Ortopedia e
Pediatria do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais
(UFMG), em Belo Horizonte, região sudeste do Brasil. O instrumento continha itens
sobre as características individuais, econômicas, hábitos comportamentais e história
médica-odontológica dos filhos. O exame clínico identificou o tipo de respiração das
crianças/adolescentes e a presença de anomalias dentárias, apinhamento dentário,
má oclusão (mordida aberta anterior e mordida cruzada anterior/posterior) e
dentinogênese imperfeita (DI). A fim de garantir a confiabilidade dos dados, foi
realizado um treinamento teórico e a calibração prática dos examinadores. O
treinamento teórico foi conduzido por meio de leitura sobre o tema e imagens em
slides. Após essa etapa, seguindo um padrão ouro diagnóstico, foi realizada a
calibração prática. Os valores kappa obtidos para cada condição examinada
variaram de 0,82 a 0,96. A confiabilidade interna foi garantida por meio do testereteste
do instrumento, que apresentou valores kappa entre 0,81 e 1,00. Em seguida
foi realizado o estudo piloto com 5 pares de pais/responsáveis e
crianças/adolescentes com OI e 5 sem OI. Após essas fases foi iniciado o estudo
principal. Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da UFMG.
Os dados foram analisados por meio do software Statistical Package for Social
Science - SPSS® (versão 21.0). A média de idade das crianças/adolescentes foi de
7,9 anos (±4,5). Ao comparar o grupo de crianças/adolescentes com OI e sem OI
verificou-se uma associação estatisticamente significativa entre ter OI e ser
diagnosticado com anomalias dentárias (dentes conóides, dentes fusionados/
geminados, ausência clínica, rotação e microdontia) (p=0,001) e apinhamento
dentário (p=0,001). A presença de OI foi estatisticamente associada com mordida
aberta anterior (p=0,043), mordida cruzada anterior (p=0,045) e mordida cruzada
posterior (p=0,004). No grupo com OI, a prevalência de mordida cruzada anterior foi
associada com o uso de bifosfonatos (p=0,036) e com a presença de DI (p=0,004). A
presença de mordida cruzada posterior foi associada com a presença de DI
(p=0,006). A mordida aberta anterior não foi estatisticamente associada com as
variáveis independentes (p>0,05). Concluiu-se que a prevalência de anomalias
dentárias e de má oclusão foi maior entre as crianças/adolescentes com OI. No
grupo com OI, ter DI foi associado a prevalência de mordida cruzada anterior e
posterior entre as crianças/adolescentes. Fazer uso de bifosfonatos foi associado a
mordida cruzada anterior.
Abstract
Osteogenesis Imperfecta (OI) is a rare genetic disorder which affects connective
tissue and it is caused by defects in type I collagen structure or synthesis. Alterations
in collagen production might cause abnormal craniofacial growth and malformation of
the teeth and dental arches. Among the malocclusions, individuals with OI have a
high prevalence of crossbite, open bite and Class III malocclusion. This study aimed
to compare the prevalence of malocclusion in children/adolescents with OI and
without OI and to identify its associated factors. A cross-sectional study was
performed of 39 individuals with OI and 39 without OI, aged from 3 to 17 years, and
their parents/guardians. Children and adolescents with OI and without OI were
matched by sex and age. They are treated in the Orthopedic and Pediatric outpatient
clinics of a university hospital, in Belo Horizonte, southeastern Brazil. The instrument
contained items on the individual, economic and oral-medical characteristics of the
children. The clinical examination identified the type of breathing of the children /
adolescents and the presence of dental anomalies, dental crowding, malocclusion
(anterior open bite and anterior / posterior crossbite) and imperfect dentinogenesis
(DI). In order to guarantee the reliability of the data, a theoretical training and the
practical calibration of the examiners were carried out. Theoretical training was
conducted through reading on the subject and images on slides. After this step,
following a gold standard diagnosis, the practical calibration was performed. The
kappa values obtained for each condition examined ranged from 0.82 to 0.96. The
internal reliability was guaranteed by the test-retest of the instrument, which
presented kappa values between 0.81 and 1.00. Then, the pilot study was carried out
with 5 pairs of parents / guardians and children / adolescents with OI and 5 pairs
without OI. After these phases the main study was started. This study was approved
for the Research Ethics Committee of the Federal University of Minas Gerais. The
mean age of children/adolescents was 7.9 years (± 4.5). When comparing the OI
group and without OI, there was a statistically significant association between having
OI and being diagnosed with dental anomalies (conoid teeth, fused/geminated teeth,
clinical absence, rotation and microdontia) (p=0.001) and dental crowding (p=0.001).
The presence of OI was statistically associated with anterior open bite (p=0.043),
anterior crossbite (p=0.045) and posterior crossbite (p=0.004). In the OI group, the
prevalence of anterior crossbite was associated with the use of bisphosphonates
(p=0.036) and with the presence of ID (p=0.004). The presence of posterior crossbite
was associated with the presence of ID (p=0.006). The anterior open bite was not
statistically associated with the independent variables (p>0.05). It was concluded that
the prevalence of dental anomalies and malocclusion was higher among children /
adolescents with OI. In the group with OI, having DI was associated with the
prevalence of anterior and posterior crossbite among children / adolescents. Using
bisphosphonates was associated with anterior crossbite.
Assunto
Palavras-chave
Osteogênese imperfeita, Dentinogênese imperfeita, Anormalidades craniofaciais, Má oclusão, Pessoas com deficiência, Assistência odontológica
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