Extubação paliativa em pediatria: experiência de 10 anos em um hospital público de Minas Gerais
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Daniel Neves Forte,
Alexandre Ernesto Silva,
Alexandre Rodrigues Ferreira,
Isabela Silva Cancio Velloso
Alexandre Ernesto Silva,
Alexandre Rodrigues Ferreira,
Isabela Silva Cancio Velloso
Resumo
Introdução: A retirada do suporte ventilatório invasivo, denominada extubação paliativa é uma medida que pode trazer conforto e permitir que a doença, incurável e irreversível, possa seguir o seu curso natural, indo de encontro aos objetivos de cuidado definidos com paciente e/ou família. Objetivos: Apresentar uma análise descritiva de uma série de casos de pacientes pediátricos submetidos a extubação paliativa entre abril de 2014 e maio de 2023 em um hospital público pediátrico. Resultados: No artigo original verificou-se que 41 pacientes, com idade média de 4,5 anos, foi submetido à extubação paliativa. Cerca de 78% das extubações foram realizadas na UTI e o tempo total de ventilação mecânica variou de 2 dias a 6 anos. Vinte e oito (68,3%) pacientes morreram no hospital. A ocorrência de dispneia após a extubação paliativa correlacionou-se com maior probabilidade de óbito hospitalar e o tempo até o óbito foi mais curto entre os pacientes que receberam aminas nas 72 horas que antecederam o procedimento ou que fizeram uso de morfina ou benzodiazepínicos após o procedimento. O tempo entre a retirada da ventilação mecânica e o óbito hospitalar variou de 2 minutos a 25 dias (mediana: 31,2 horas). Entre os 28 pacientes que receberam opioide e/ou benzodiazepínico antes da extubação, 32% apresentaram sintomas de dispneia, dor ou agitação, contra 62% entre os que não receberam. Os principais sintomas observados foram dispneia e dor, e os principais medicamentos utilizados para controle dos sintomas foram opioides e benzodiazepínicos. Conclusão: A extubação paliativa é uma prática com potencial para aliviar sofrimento, como para respeitar preferências individuais e familiares, se conduzida por equipe experiente e com planejamento detalhado. Destaca-se a necessidade de maior atenção para controle de sintomas, uma vez que, a ocorrência de dispneia após a extubação paliativa correlacionou-se com maior probabilidade de óbito hospitalar e o óbito ocorreu mais rapidamente em pacientes que usaram aminas vasoativas até 72h antes da extubação paliativa.
Abstract
Introduction: The removal of invasive ventilatory support, known as palliative extubation, is a measure that can bring comfort and allow incurable and irreversible diseases to follow their natural course, in line with the care objectives defined with the patient and/or family. Objectives: To present a descriptive analysis of a series of cases of pediatric patients who underwent palliative extubation between April 2014 and May 2023 in a public pediatric hospital. Results: In the original article, 41 patients, with a mean age of 4.5 years, underwent palliative extubation. About 78% of extubations were performed in the ICU, and the total duration of mechanical ventilation ranged from 2 days to 6 years. Twenty-eight (68.3%) patients died in the hospital. The occurrence of dyspnea after palliative extubation was correlated with a higher probability of in-hospital death, and the time to death was shorter among patients who received amines in the 72 hours prior to the procedure or who used morphine or benzodiazepines after the procedure. The time between removal of mechanical ventilation and hospital death ranged from 2 minutes to 25 days (median: 31.2 hours). Among the 28 patients who received opioids and/or benzodiazepines before extubation, 32% had symptoms of dyspnea, pain, or agitation, compared with 62% among those who did not receive them. The main symptoms observed were dyspnea and pain, and the main medications used to control symptoms were opioids and benzodiazepines. Conclusion: Palliative extubation is a practice with the potential to alleviate suffering and respect individual and family preferences when conducted by an experienced team with detailed planning. Greater attention to symptom control is needed, since the occurrence of dyspnea after palliative extubation was correlated with a higher probability of in-hospital death, and death occurred more quickly in patients who used vasoactive amines up to 72 hours before palliative extubation.
Assunto
Cuidados Paliativos, Extubação, Respiração Artificial, Fatores de Tempo, Dispneia, Pessoa de Meia-Idade, Hospitais de Ensino, Unidades de Terapia Intensiva, Desmame do Respirador, Manejo da Dor, Analgésicos Opioides, Dor, Intubação Intratraqueal
Palavras-chave
cuidados paliativos, extubação, unidade de terapia intensiva pediátrica, cuidados de fim de vida, suporte de vida.