Potencial evocado miogênico vestibular como marcador de progressão da mielopatia associada ao HTLV-1: seguimento de 10 anos
Carregando...
Arquivos
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Julia Fonseca de Moraes Caporali (Titular)
Fernanda Abalen Martins Dias (Titular)
Luciana Macedo de Resende (Suplente)
Fernanda Abalen Martins Dias (Titular)
Luciana Macedo de Resende (Suplente)
Resumo
Introdução: A mielopatia associada ao HTLV-1 (HAM) é uma inflamação crônica da medula espinhal que leva ao comprometimento de postura e da marcha. O diagnóstico da HAM geralmente é tardio e o potencial evocado miogênico vestibular desencadeado por estimulação galvânica (G-VEMP) pode ser uma ferramenta promissora para auxiliar no diagnóstico precoce da HAM. Objetivos: Avaliar o papel do G-VEMP como marcador de progressão para HAM com base na resposta do reflexo vestíbulo-espinhal. Métodos: Trata-se de estudo longitudinal com indivíduos infectados pelo HTLV-1 assintomáticos e com possível HAM (p-HAM) acompanhados de 2012/13 a 2022/23. Todos os participantes foram submetidos a avaliação neurológica, aplicação da Escala de Incapacidade Motora (OMDS) e ao G-VEMP no início do estudo (T0), após 4 anos (T1) e após 10 anos da primeira avaliação (T2). O desfecho considerado foi o diagnóstico definido de HAM. O estímulo galvânico foi aplicado nos processos mastoides e o G-VEMP foi registrado no músculo gastrocnêmio bilateralmente. Os parâmetros considerados do G-VEMP foram a latência e amplitude das respostas de curta latência (CL) e média latência (ML). Realizou-se a comparação das variáveis do estudo por meio do teste de Friedman e teste Q de Cochran. Para significância estatística, foi considerado um erro alfa de 0,05. Resultados: O estudo contemplou 31 participantes. Em T0, a idade média foi 58 anos, sendo 21(68%) mulheres. No início do seguimento, os indivíduos foram alocados em 2 grupos: assintomáticos (26/31) e p-HAM (5/31). Em 10 anos de seguimento, a análise comparativa da OMDS mostrou diferença entre T0xT2 (p=0,001) e T1xT2 (p=0,003) no sentido de piora clínica; em relação aos parâmetros do G-VEMP, a latência tanto de CL quanto de ML aumentou (p<0,001) e a amplitude reduziu (p<0,001). Considerando o grupo dos indivíduos assintomáticos em T0 (n=26), 5/26(19%) apresentavam G-VEMP alterado. Destes, 4/5 evoluíram para p-HAM e 1/5 evoluiu para HAM (1/26; 4%) em T2. Considerando o grupo dos indivíduos p-HAM em T0 (n=5) todos (100%) apresentavam G-VEMP alterado. Destes, 2/5 evoluíram para HAM em T1 e 1/5 em T2, totalizando 3/5 HAM (60%). No seguimento de 10 anos, a precisão G-VEMP para predizer a evolução para HAM foi de 93%, sensibilidade de 83% e especificidade de 100%. Conclusão: O G-VEMP foi um marcador de progressão da mielopatia porque o potencial se alterou antes da HAM tornar-se visível pelo exame clínico. Sendo assim, pode auxiliar na predição de quais indivíduos assintomáticos tem maior risco de evoluir para HAM.
Abstract
Introduction: Human T-lymphotropic virus type 1-associated myelopathy (HAM) is a chronic
inflammation of the spinal cord that results in posture and gait impairment. The diagnosis of
HAM is typically delayed, and galvanic vestibular-evoked myogenic potential (G-VEMP) may
serve as a promising tool to aid in the early diagnosis of HAM. Objectives: To assess the role
of G-VEMP as a progression marker for HAM based on the vestibulospinal reflex response.
Methods: This is a longitudinal study involving asymptomatic individuals infected with HTLV1 and those with possible HAM (p-HAM) followed from 2012/13 to 2022/23. All participants
underwent neurological evaluation, application of the Motor Disability Scale (OMDS), and GVEMP at the beginning of the study (T0), after 4 years (T1), and after 10 years from the first
assessment (T2). The defined outcome was the confirmed diagnosis of HAM. Galvanic
stimulation was applied to the mastoid processes, and G-VEMP was recorded bilaterally in the
gastrocnemius muscle. Considered parameters of G-VEMP were latency and amplitude of
short-latency (SL) and medium-latency (ML) responses. Study variables were compared using
the Friedman test and Cochran's Q test. A significance level of 0.05 was considered for
statistical significance. Results: The study included 31 participants. At T0, the average age was
58 years, with 21 (68%) being women. At the beginning of follow-up, individuals were
allocated into two groups: asymptomatic (26/31) and p-HAM (5/31). Over 10 years of followup, the comparative analysis of OMDS showed a difference between T0xT2 (p=0.001) and
T1xT2 (p=0.003) indicating clinical deterioration. Regarding G-VEMP parameters, both SL
and ML latency increased (p<0.001), and amplitude decreased (p<0.001). Among
asymptomatic individuals at T0 (n=26), 5/26 (19%) showed altered G-VEMP. Of these, 4/5
progressed to p-HAM, and 1/5 progressed to HAM (1/26; 4%) at T2. In the p-HAM group at
T0 (n=5), all (100%) had altered G-VEMP. Of these, 2/5 progressed to HAM at T1, and 1/5 at
T2, totaling 3/5 HAM (60%). Over the 10-year follow-up, G-VEMP accuracy in predicting
progression to HAM was 93%, with a sensitivity of 83% and specificity of 100%. Conclusion:
G-VEMP served as a marker for myelopathy progression as the potential changed before HAM
became clinically evident. Therefore, it can assist in predicting which asymptomatic individuals
are at a higher risk of evolving into HAM
Assunto
Potenciais Evocados Miogênicos Vestibulares, Infecções por HTLV-I, Paraparesia Espástica, Testes de Função Vestibular, Equilíbrio Postural, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Potencial evocado miogênico vestibular, Estimulação galvânica, HTLV-1