Identificação de fatores de risco cardiovascular e avaliação da espessura mediointimal das artérias carótidas em jovens e crianças com deficiência da enzima 21-hidroxilase
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Antonio Ribeiro de Oliveira Junior
Claudia Maria Vilas Freire
Sylvia do Carmo Castro Franceschini
Claudia Maria Vilas Freire
Sylvia do Carmo Castro Franceschini
Resumo
A deficiência da enzima 21-hidroxilase é a causa mais frequente (90-95%) de Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC), sendo caracterizada pela deficiência da secreção de cortisol e excesso de andrógenos. Na forma perdedora de sal, diagnosticada em 75% casos, ocorre também deficiência de aldosterona. O tratamento realizado com a reposição de glicocorticoides e quando necessário, mineralocorticoides, é de difícil controle e os efeitos adversos são relativamente frequentes. Mais recentemente, alterações consideradas fatores de risco para doenças cardiovasculares tais como obesidade, hipertensão arterial, hiperinsulinismo e disfunção endotelial têm sido relatadas em pacientes com deficiência da enzima 21-hidroxilase. Ainda não estão devidamente esclarecidas as razões para essas alterações. O objetivo do estudo foi identificar fatores de risco cardiovascular, dosar adipocinas plasmáticas e avaliar a espessura mediointimal das artérias carótidas em jovens e crianças com HAC. Foi realizado estudo transversal, por meio de avaliação clínica, nutricional, laboratorial e ultrassonográfica para avaliação das medidas da Espessura Mediointimal das Artérias Carótidas (EMIC) em 40 pacientes (5 a 20 anos), sendo 80% (n=32) do sexo feminino e 72,5% (n=29), com a forma perdedora de sal. Os resultados foram comparados a um grupo controle (n=73), sem sobrepeso ou obesidade (critérios OMS), pareados por sexo e idade. Dez pacientes (25%) apresentavam sobrepeso. O escore z Altura/Idade foi significativamente menor (p=0,033); e o escore z IMC/Idade significativamente maior (p=0,000) nos pacientes em relação ao grupo controle, mesmo quando a comparação foi feita excluindo-se os pacientes com sobrepeso (p=0,029). Não houve diferenças significativas em relação à composição corporal entre os dois grupos. A ultrassonografia das artérias carótidas realizada em 38 pacientes e 22 controles mostrou EMIC significativamente maior entre os pacientes, p=0,0240 para Carótida Comum Direita, e p=0,0003 para Carótida Comum Esquerda, mesmo quando se excluiu da análise os pacientes com sobrepeso, tanto para a Carótida Comum Direita (p=0,0168) quanto para a Carótida Comum Esquerda (p=0,0005). Os níveis pressóricos foram mais altos nos pacientes, tanto sistólicos (p=0,0186) como diastólicos (p=0,0095), mesmo após a exclusão daqueles com sobrepeso. O perfil lipídico, assim como as dosagens de adiponectina e leptina foram similares entre os grupos. O consumo de sódio foi maior entre os pacientes (p=0,001), enquanto o consumo de potássio foi menor entre os pacientes (p=0,006). Os pacientes não apresentaram índices indicativos de resistência à insulina. Nessa população jovem com HAC, foi observado maior EMIC, fator independente para risco cardiovascular, maior escore z IMC/Idade e maiores níveis pressóricos. Esses achados indicam a necessidade de outros estudos, para confirmação dos resultados e avaliação a longo prazo, visando intervenção precoce e prevenção de complicações cardiovasculares em jovens com HAC
Abstract
A deficiência da enzima 21-hidroxilase é a causa mais frequente (90-95%) de Hiperplasia Adrenal Congênita (HAC), sendo caracterizada pela deficiência da secreção de cortisol e excesso de andrógenos. Na forma perdedora de sal, diagnosticada em 75% casos, ocorre também deficiência de aldosterona. O tratamento realizado com a reposição de glicocorticoides e quando necessário, mineralocorticoides, é de difícil controle e os efeitos adversos são relativamente frequentes. Mais recentemente, alterações consideradas fatores de risco para doenças cardiovasculares tais como obesidade, hipertensão arterial, hiperinsulinismo e disfunção endotelial têm sido relatadas em pacientes com deficiência da enzima 21-hidroxilase. Ainda não estão devidamente esclarecidas as razões para essas alterações. O objetivo do estudo foi identificar fatores de risco cardiovascular, dosar adipocinas plasmáticas e avaliar a espessura mediointimal das artérias carótidas em jovens e crianças com HAC. Foi realizado estudo transversal, por meio de avaliação clínica, nutricional, laboratorial e ultrassonográfica para avaliação das medidas da Espessura Mediointimal das Artérias Carótidas (EMIC) em 40 pacientes (5 a 20 anos), sendo 80% (n=32) do sexo feminino e 72,5% (n=29), com a forma perdedora de sal. Os resultados foram comparados a um grupo controle (n=73), sem sobrepeso ou obesidade (critérios OMS), pareados por sexo e idade. Dez pacientes (25%) apresentavam sobrepeso. O escore z Altura/Idade foi significativamente menor (p=0,033); e o escore z IMC/Idade significativamente maior (p=0,000) nos pacientes em relação ao grupo controle, mesmo quando a comparação foi feita excluindo-se os pacientes com sobrepeso (p=0,029). Não houve diferenças significativas em relação à composição corporal entre os dois grupos. A ultrassonografia das artérias carótidas realizada em 38 pacientes e 22 controles mostrou EMIC significativamente maior entre os pacientes, p=0,0240 para Carótida Comum Direita, e p=0,0003 para Carótida Comum Esquerda, mesmo quando se excluiu da análise os pacientes com sobrepeso, tanto para a Carótida Comum Direita (p=0,0168) quanto para a Carótida Comum Esquerda (p=0,0005). Os níveis pressóricos foram mais altos nos pacientes, tanto sistólicos (p=0,0186) como diastólicos (p=0,0095), mesmo após a exclusão daqueles com sobrepeso. O perfil lipídico, assim como as dosagens de adiponectina e leptina foram similares entre os grupos. O consumo de sódio foi maior entre os pacientes (p=0,001), enquanto o consumo de potássio foi menor entre os pacientes (p=0,006). Os pacientes não apresentaram índices indicativos de resistência à insulina. Nessa população jovem com HAC, foi observado maior EMIC, fator independente para risco cardiovascular, maior escore z IMC/Idade e maiores níveis pressóricos. Esses achados indicam a necessidade de outros estudos, para confirmação dos resultados e avaliação a longo prazo, visando intervenção precoce e prevenção de complicações cardiovasculares em jovens com HAC.
Assunto
Endocrinologia pediatrica, Estudos transversais, Hipertensão, Fatores de risco, Adolescente, Hiperinsulinismo, Artérias carótidas, Avaliação nutricional, Doenças cardiovasculares/etiologia, Esteróide 21-hidroxilase, Hiperplasia supra-renal congênita/complicações, Adiponectina, Obesidade, Criança
Palavras-chave
Hiperinsulinismo, Esteróide 21-hidroxilase, Hipertensão, Carótida, Adiponectina, Leptina, Obesidade