Desenvolvimento da insuficiência renal promovida pela sepse induzida pelo modelo CLP (Cecal Ligation and Puncture): avaliação morfológica e de parâmetros renais e inflamatórios

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Membros da banca

Kenia Pompermayer
Janetti Nogueira de Francischi
Danielle da Gloria de Souza

Resumo

Neste trabalho, foi investigado o efeito da sepse a longo prazo, sobre o tecido renal, utilizando o modelo de sepse induzida por ligação e perfuração cecal (cecal ligation and perfuration, CLP, 10 perfurações) em ratos. Após a indução da sepse, o aspecto morfológico bem como parâmetros da função renal e inflamatórios foram avaliados em diferentes tempos (dias 1, 5, 10, 15 e 20), ao longo de 20 dias. A sepse induziu uma queda drástica na PAS (CLP, 62,0 ± 9,4 mmHg; Sham, 122,0 ± 10,7 mmHg; Controle, 130,0 ±7,1 mmHg) e o hematócrito apresentou-se aumentado (CLP, 54,0 ± 0,7%; Sham, 44,0 ± 0,3%; Controle, 44,0 ± 0,5%), efeitos estes, observados apenas no 1º dia pós-indução. A sepse também produziu aumento das concentrações plasmáticas de uréia e de creatinina, com concomitante queda do RFG, da proteinúria, da excreção urinária de yGT e do FU, com concomitante redução da densidade específica urinária. Esses efeitos já intensos e máximos no 1º dia pós-sepse, assim permaneceram até 20 dias. As frações de excreção de sódio e de potássio mostraram-se elevadas somente a partir do 5º dia pós-sepse ao passo que o clearance osmolar e de H2O livre não foram significativamente afetados. Cortes histológicos corados pelo Tricrômico de Masson evidenciam que a sepse afetou principalmente a estrutura glomerular sendo, as alterações morfológicas durante a instalação da doença renal (dias 1, 5, 10 e 15 após a indução da sepse), compatíveis com o quadro de glomerulonefrite. Alterações significativas não foram observadas nos ratos dos grupos Controle e Sham. A morfometria glomerular de ratos do grupo CLP apresentou diferença significativa dos demais grupos quanto ao diâmetro da cápsula de Bowman (CLP, 128,0 ± 8,0 m; Sham, 88,0 ± 11,0 m; Controle, 91,0 ± 9,2 m) e diâmetro do espaço de Bowman (CLP, 10,0 ± 0,7 m; Sham, 7,6 ± 0,7 m; Controle, 7,2 ± 0,3 m) enquanto que a morfometria tubular foi similar nos três grupos estudados e em todos os tempos avaliados. A análise do perfil inflamatório mostra que a sepse aumentou acentuadamente a atividade da MPO no 1º dia após a indução de sepse (em unidades relativas: CLP, 68,6 ± 14,5; Sham, 36,5 ± 12,0; Controle, 7,4 ± 2,5). Embora a sepse não tenha alterado o conteúdo renal de RNA mensageiro que codifica TNF, em nenhum dos dias avaliados, o TNF renal mostrou-se aumentado apenas no 1º dia pós-sepse (em pg/ml/mg: CLP, 216,0 ± 63,8; Sham, 97,6 ± 53,0; Controle, 89,9 ± 45,8) enquanto que, neste mesmo dia, o TNF quase não pôde ser detectado na urina. Nos demais dias analisados, o TNF renal estava bastante diminuído. Similarmente ao observado para o TNF renal, a IL-6 renal já se encontrava elevada no 1º dia pós-sepse (em pg/ml/mg: CLP, 1086,8 ± 193,9; Sham, 946,8 ± 298,6; Controle, 441,5 ± 135,4). No entanto, esta citocina também se encontrava aumentada nos rins do grupo Sham, indicando que o procedimento cirúrgico, por si, já aumentava os níveis renais da IL-6. Nos demais dias analisados, os níveis de IL-6 renal estavam diminuídos de forma similar nos 3 grupos estudados. As razões urinárias de TNF/Creatinina e IL-6/Creatinina mostraram-se significativamente aumentadas ao longo dos 20 dias pós-sepse. O TGFß1 renal apresentou-se elevado somente no 20º dia após indução da sepse. Os nossos resultados mostraram que a sepse induzida pelo modelo CLP produz danos profundos na função renal acompanhada por alterações na estrutura glomerular e induzindo um processo inflamatório renal. Este quadro já se encontra instalado nas primeiras 24 h após a indução da sepse, o qual permaneceu igualmente afetado durante todo o período avaliado (20 dias)

Abstract

Neste trabalho, foi investigado o efeito da sepse a longo prazo, sobre o tecido renal, utilizando o modelo de sepse induzida por ligação e perfuração cecal (cecal ligation and perfuration, CLP, 10 perfurações) em ratos. Após a indução da sepse, o aspecto morfológico bem como parâmetros da função renal e inflamatórios foram avaliados em diferentes tempos (dias 1, 5, 10, 15 e 20), ao longo de 20 dias. A sepse induziu uma queda drástica na PAS (CLP, 62,0 ± 9,4 mmHg; Sham, 122,0 ± 10,7 mmHg; Controle, 130,0 ±7,1 mmHg) e o hematócrito apresentou-se aumentado (CLP, 54,0 ± 0,7%; Sham, 44,0 ± 0,3%; Controle, 44,0 ± 0,5%), efeitos estes, observados apenas no 1º dia pós-indução. A sepse também produziu aumento das concentrações plasmáticas de uréia e de creatinina, com concomitante queda do RFG, da proteinúria, da excreção urinária de yGT e do FU, com concomitante redução da densidade específica urinária. Esses efeitos já intensos e máximos no 1º dia pós-sepse, assim permaneceram até 20 dias. As frações de excreção de sódio e de potássio mostraram-se elevadas somente a partir do 5º dia pós-sepse ao passo que o clearance osmolar e de H2O livre não foram significativamente afetados. Cortes histológicos corados pelo Tricrômico de Masson evidenciam que a sepse afetou principalmente a estrutura glomerular sendo, as alterações morfológicas durante a instalação da doença renal (dias 1, 5, 10 e 15 após a indução da sepse), compatíveis com o quadro de glomerulonefrite. Alterações significativas não foram observadas nos ratos dos grupos Controle e Sham. A morfometria glomerular de ratos do grupo CLP apresentou diferença significativa dos demais grupos quanto ao diâmetro da cápsula de Bowman (CLP, 128,0 ± 8,0 m; Sham, 88,0 ± 11,0 m; Controle, 91,0 ± 9,2 m) e diâmetro do espaço de Bowman (CLP, 10,0 ± 0,7 m; Sham, 7,6 ± 0,7 m; Controle, 7,2 ± 0,3 m) enquanto que a morfometria tubular foi similar nos três grupos estudados e em todos os tempos avaliados. A análise do perfil inflamatório mostra que a sepse aumentou acentuadamente a atividade da MPO no 1º dia após a indução de sepse (em unidades relativas: CLP, 68,6 ± 14,5; Sham, 36,5 ± 12,0; Controle, 7,4 ± 2,5). Embora a sepse não tenha alterado o conteúdo renal de RNA mensageiro que codifica TNF, em nenhum dos dias avaliados, o TNF renal mostrou-se aumentado apenas no 1º dia pós-sepse (em pg/ml/mg: CLP, 216,0 ± 63,8; Sham, 97,6 ± 53,0; Controle, 89,9 ± 45,8) enquanto que, neste mesmo dia, o TNF quase não pôde ser detectado na urina. Nos demais dias analisados, o TNF renal estava bastante diminuído. Similarmente ao observado para o TNF renal, a IL-6 renal já se encontrava elevada no 1º dia pós-sepse (em pg/ml/mg: CLP, 1086,8 ± 193,9; Sham, 946,8 ± 298,6; Controle, 441,5 ± 135,4). No entanto, esta citocina também se encontrava aumentada nos rins do grupo Sham, indicando que o procedimento cirúrgico, por si, já aumentava os níveis renais da IL-6. Nos demais dias analisados, os níveis de IL-6 renal estavam diminuídos de forma similar nos 3 grupos estudados. As razões urinárias de TNF/Creatinina e IL-6/Creatinina mostraram-se significativamente aumentadas ao longo dos 20 dias pós-sepse. O TGFß1 renal apresentou-se elevado somente no 20º dia após indução da sepse. Os nossos resultados mostraram que a sepse induzida pelo modelo CLP produz danos profundos na função renal acompanhada por alterações na estrutura glomerular e induzindo um processo inflamatório renal. Este quadro já se encontra instalado nas primeiras 24 h após a indução da sepse, o qual permaneceu igualmente afetado durante todo o período avaliado (20 dias)

Assunto

Rins Fisiologia, Sepse, Septicemia, Histomorfometria, Insuficiencia renal, Fisiologia, Ligação e perfuração cecalCLP

Palavras-chave

Sepse, insuficiência renal

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