Iniquidades raciais nas associações entre mobilidade educacional e status social subjetivo com a satisfação com a vida no estudo Elsa-Brasil

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Etna Kaliane Pereira da Silva
Luana Giatti Gonçalves
Joana Miguez Nery Guimarães
Daniela Castelo Azavedo

Resumo

Os objetivos dessa tese foi verificar, em contexto brasileiro, se a raça/cor (Branca, Parda, Preta) modifica a associação da mobilidade educacional intergeracional com a satisfação com a vida e com a renda média per capita (artigo 1) e investigar a associação entre o SSS e a insatisfação com a vida após considerar indicadores objetivos de posição socioeconômica e verificar se essa associação varia segundo a raça/cor da pele (artigo 2). Utilizamos dados da visita 1 (2008-2010) e visita 2 (2012-2014) de 12.987 participantes do Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA-Brasil), uma coorte de servidores públicos de instituições de ensino e pesquisa de seis seus capitais brasileiras (Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo e Vitória). As variáveis explicativas de interesse desta tese foram a mobilidade social intergeracional educacional (Artigo 1) e o status social subjetivo (SSS) aferido pela escala de McArthur da sociedade e vizinhança, além de uma adaptação realizada para o trabalho (Artigo 2). O desfecho principal da tese foi a insatisfação com vida, que foi definida por pontuações ≤ 20 na Satisfaction With Life Scale. Utilizamos também a renda familiar per capita como desfecho secundário no artigo 1. A análise descritiva foi realizada por meio de proporções, médias e desvio padrão (+DP). A associação entre as variáveis duas variáveis explicativas e a insatisfação com a vida foi avaliada por modelos de regressão logística múltipla com obtenção dos odds ratios (OR) e seus respectivos intervalos de confiança de 95% (IC95%). Para avaliar se a raça/cor modificava essas associações, termos de interação multiplicava forma inseridos no modelo final. Como esses termos foram estatisticamente significantes, todas as análises foram estratificadas por raça/cor. No artigo 1 uma análise secundária procurou estimar em que medida as diferentes trajetórias de mobilidade educacional dos indivíduos impactaram em seus níveis de renda familiar per capita (desfecho secundário) em brancos, pardos e pretos, por meio de modelos de regressão linear robusta ajustados por sexo, idade, situação conjugal e centro de pesquisa por meio de modelos de regressão linear robusta. A prevalência de insatisfação com a vida foi maior em Pretos (13,5%) e Pardos (12,4%) do que em Brancos (9,2%). No artigo 1, encontramos que após ajustes por idade, sexo, situação conjugal e centro de pesquisa, a mobilidade educacional ascendente foi associada às chances 32% (OR: 0.68; 0.53-0.86) menores de insatisfação com vida quando comparada à trajetória estável-baixa, mas essa associação foi observada apenas entre Brancos. A trajetória estável-alta foi associada às chances 31% (OR: 0.69; IC95%: 0.56-0.86) e 29% (OR: 0.71; 0.54-0.95) menores de insatisfação com vida em Brancos e Pardos, respectivamente. Nenhuma associação entre mobilidade social e satisfação com vida foi observada entre os pretos. Constatamos também que os maiores níveis de renda familiar per capita foram observados entre aqueles com trajetória estável-alta, seguidos pelos indivíduos com trajetória ascendente, descendente e, por último, pela trajetória estável-baixa. Porém, encontramos evidências de que a raça/cor preta e parda modificou o efeito da trajetória educacional descendente (preta: p<0,001; p=0,014) e estável-baixa (preta: p<0,001; parda: p=0,001) na relação com a renda familiar per capita como desfecho, indicando que os retornos financeiros dessas trajetórias foram mais baixos entre pretos e pardos quando comparados aos brancos. No artigo 2, após ajustes por sexo, idade, centro de pesquisa, situação conjugal, escolaridade materna, escolaridade do participante, natureza da ocupação e renda familiar per capita, verificamos que o aumento do SSS em todas as escalas foi associado à menor insatisfação com a vida em todos os grupos raciais. Porém, entre brancos, o aumento de cada degrau no SSS na escala da sociedade reduziu em 30% a chance de insatisfação com vida (OR = 0,70; IC95%: 0,65-0,74), enquanto para pardos e pretos a redução foi de apenas 18% (OR = 0,82; IC95%: 0,76–0,88) e 21% (OR = 0,79; IC95%: 0,73–0,87), respectivamente. As diferenças nas magnitudes de associação foram menores nas escalas da vizinhança e do trabalho do que na escala da sociedade e não diferiram segundo a raça/cor. Nossos resultados reforçam que o racismo estrutural reduz os benefícios da mobilidade educacional e do SSS em termos de satisfação com a vida e renda em pretos e pardos em comparação aos benefícios observados em brancos. Isso indica que a mobilidade social ascendente e o aumento do SSS conferem uma maior proteção contra a insatisfação com a vida entre brancos do que entre pretos e pardos, possivelmente refletindo o impacto persistente do racismo estrutural nos efeitos da mobilidade social e da experiência subjetiva status social na promoção da satisfação com a vida.

Abstract

The objectives of this thesis were to verify, in a Brazilian context, whether race/skin color (White, Brown, Black) modifies the association between intergenerational educational mobility and life satisfaction and average per capita income (article 1) and to investigate the association between SSS and life dissatisfaction after considering objective indicators of socioeconomic position and verifying whether this association varies according to race/skin color (article 2). We used data from visit 1 (2008-2010) and visit 2 (2012-2014) of 12,987 participants of the Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil), a cohort of public servants from educational and research institutions in six Brazilian capitals (Belo Horizonte, Porto Alegre, Rio de Janeiro, Salvador, São Paulo and Vitória). The explanatory variables of interest in this thesis were intergenerational educational social mobility (Article 1) and subjective social status (SSS) measured by the McArthur Society and Neighborhood Scale, in addition to an adaptation made for work (Article 2). The main outcome of the thesis was life dissatisfaction, which was defined by scores ≤ 20 on the Satisfaction With Life Scale. We also used per capita family income as a secondary outcome in Article 1. The descriptive analysis was performed using proportions, means, and standard deviation (+SD). The association between the two explanatory variables and life dissatisfaction was assessed by multiple logistic regression models, obtaining odds ratios (OR) and their respective 95% confidence intervals (95%CI). To assess whether race/color modified these associations, interaction terms were multiplied and inserted into the final model. Since these terms were statistically significant, all analyses were stratified by race/color. In article 1, a secondary analysis sought to estimate the extent to which the different trajectories of educational mobility of individuals impacted their levels of per capita family income (secondary outcome) in whites, browns, and blacks, through robust linear regression models adjusted for sex, age, marital status, and research center through robust linear regression models. The prevalence of life dissatisfaction was higher in blacks (13.5%) and browns (12.4%) than in whites (9.2%). In article 1, we found that after adjustments for age, sex, marital status, and research center, upward educational mobility was associated with 32% (OR: 0.68; 0.53-0.86) lower odds of life dissatisfaction when compared to the stable-low trajectory, but this association was only observed among whites. The stable-high trajectory was associated with 31% (OR: 0.69; 95% CI: 0.56-0.86) and 29% (OR: 0.71; 0.54-0.95) lower odds of life dissatisfaction in Whites and Browns, respectively. No association between social mobility and life satisfaction was observed among Blacks. We also found that the highest levels of per capita family income were observed among those with a stable-high trajectory, followed by individuals with an ascending trajectory, descending trajectory and, lastly, by the stable-low trajectory. However, we found evidence that black and brown race/color modified the effect of the descending (black: p<0.001; p=0.014) and stable-low (black: p<0.001; brown: p=0.001) educational trajectory in relation to per capita family income as an outcome, indicating that the financial returns of these trajectories were lower among black and brown individuals when compared to white individuals. In article 2, after adjustments for sex, age, region of the research center, marital status, maternal education, participant's education, nature of occupation and per capita family income, we found that the increase in SSS in all scales was associated with lower life dissatisfaction in all racial groups. However, among whites, each step higher in the SSS on the society scale reduced the odds of life dissatisfaction by 30% (OR = 0.70; 95% CI: 0.65–0.74), while for browns and blacks the reduction was only 18% (OR = 0.82; 95% CI: 0.76–0.88) and 21% (OR = 0.79; 95% CI: 0.73–0.87), respectively. The differences in the magnitudes of association were smaller on the neighborhood and work scales than on the society scale and did not differ by race/color. Our results reinforce that structural racism reduces the benefits of educational mobility and SSS in terms of life satisfaction and income for blacks and browns compared to the benefits observed for whites. This indicates that upward social mobility and increased SSS confer greater protection against life dissatisfaction among whites than among blacks and browns, possibly reflecting the persistent impact of structural racism on the effects of social mobility and the subjective experience of social status in promoting life satisfaction.

Assunto

Racismo, Grupos Raciais, Satisfação Pessoal, Dissertação Acadêmica

Palavras-chave

Racismo, Raça/cor, Satisfação com a vida, Mobilidade educacional, Status social subjetivo

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