Análise de estratégias da gestão estadual de saúde para o enfrentamento de óbitos maternos por hemorragia em Minas Gerais
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
MOREIRA, N. C. L. Análise de estratégias da gestão estadual de saúde para o enfrentamento de óbitos maternos por hemorragia em Minas Gerais. 133 f. 2025.
Dissertação (Mestrado Profissional em Gestão de Serviços de Saúde) – Escola de Enfermagem, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte, 2025.
A Razão de Mortalidade Materna (RMM) é um indicador sensível da qualidade da atenção materna e infantil, influenciado por determinantes sociais e pelo impacto das políticas públicas. As mortes maternas, sobretudo as diretas, têm na hemorragia pósparto sua principal causa mundial, mantendo-se como desafio persistente para gestores e sociedade, apesar de sua longa inserção na agenda internacional de saúde. Nesse contexto, a investigação epidemiológica e a análise sistemática dos óbitos tornam-se boas estratégias para identificar falhas assistenciais e de gestão, qualificar o planejamento em saúde e subsidiar a formulação e o aprimoramento de políticas públicas voltadas à prevenção de mortes maternas evitáveis. Em Minas Gerais, relatórios do Comitê Estadual de Prevenção à Mortalidade Materna, Infantil e Fetal (CEPMMIF-MG) revelam aumento da RMM, das desigualdades regionais e predominância de hemorragias obstétricas em óbitos majoritariamente evitáveis. Ainda que não sejam responsáveis pela formulação de políticas, os Comitês produzem recomendações que subsidiam a gestão, cuja principal estratégia recente em Minas Gerais é o Plano de Enfrentamento à Mortalidade Materna e Infantil, operacionalizado regionalmente. Diante da heterogeneidade territorial do risco de morte materna, torna-se essencial organizar os serviços de forma regionalizada e avaliar se os esforços em curso respondem efetivamente às necessidades e vulnerabilidades locais. O objetivo geral deste estudo foi analisar o enfrentamento da mortalidade materna por hemorragia, a partir das estratégias da gestão estadual de saúde, direcionadas pelas ações de resposta aos óbitos ocorridos no período de 2019 a 2021. Trata-se de uma pesquisa qualitativa, de caráter descritivo-exploratório, em que se utilizou análise documental de fontes secundárias: relatórios de mortalidade e
atividades do CEPMMIF-MG, devolutivas do Comitê e Planos de Ação das Unidades Regionais de Saúde; além de entrevistas em profundidade com seis informantes chave. A análise dos dados foi conduzida por meio da Análise de Conteúdo Temática, com apoio do software ATLAS.tiⓇ. Os principais resultados evidenciaram divergência entre o número de óbitos registrados no Sistema de Informação de Mortalidade (SIM) e aqueles identificados pelo CEPMMIF-MG, além de alta proporção de mortes evitáveis, sobretudo entre mulheres negras e com baixa escolaridade. Persistem fragilidades assistenciais, como falhas no planejamento reprodutivo, na estratificação de risco, na articulação entre níveis de atenção e na aplicação de protocolos hospitalares, incluindo dificuldades de acesso a hemocomponentes. Os Planos de Ação regionais apresentaram implementação heterogênea e nem sempre alinhada às lacunas mais críticas, somada à subutilização dos relatórios e devolutivas do CEPMMIF-MG no planejamento e na qualificação da gestão. Como produto técnico deste estudo, elaborou-se um relatório técnico a ser apresentado à Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e as Unidades Regionais de Saúde com propostas de intervenção sobre as lacunas identificadas.
Abstract
Assunto
Mortalidade Materna, Política de Saúde, Saúde Materno-Infantil, Regionalização da Saúde, Gestão em Saúde, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Mortalidade Materna. Política de Saúde. Saúde Materno-Infantil. Regionalização da Saúde. Gestão em Saúde