Teorias conspiratórias, as massas e o "cidadão de bem" da extrema direita no Brasil : uma leitura psicanalítica

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Membros da banca

Antônio Márcio Ribeiro Teixeira
Anna Luiza Andrade Coli
Nádia Laguardia de Lima

Resumo

Este trabalho busca compreender e analisar a ascensão e o crescimento da extrema direita no Brasil do ponto de vista psicanalítico. Como a extrema direita no país, valendo-se de um discurso autoritário, tosco e anticivilizatório, ganhou eleitoralmente não só a presidência, mas também inúmeras cadeiras do Legislativo federal e estadual, bem como elegeu vários governadores? Entender a extrema direita nas suas engrenagens pode lançar luz para que possamos de fato compreendê-la e combatê-la. A psicanálise, nesse sentido, pode trazer grandes contribuições sobre esse fenômeno e sua dinâmica psíquica que leva o sujeito ao extremismo político. O autor tem como hipótese que o engajamento dos sujeitos na extrema direita se dá pelos processos de identificação. Bolsonaro ocupa um lugar de ideal do “Eu”, que esteve no poder e vocifera apenas o que seus seguidores identificam. Na verdade, não há uma conversão do indivíduo tal qual acontece nas religiões, mas, sim, uma identificação. Nesse sentido, o bolsonarismo é anterior ao próprio Bolsonaro. Ou seja, Bolsonaro é apenas uma encarnação de um discurso racista, misógino, homofóbico e machista enraizado há muito tempo na sociedade brasileira que, valendo-se da técnica discursiva neopentecostalista de forma secularizada, cria inimigos políticos em série. Dessa maneira, ele conseguiu aglutinar os sujeitos e transformá-los numa massa. O bolsonarismo, dessa forma, não tem um projeto político efetivo para a pólis, mas constitui uma visão de mundo própria do que há de pior em nossa sociedade. Lançando mão de discursos conspiratórios (alicerce da extrema direita brasileira) e fake news que engendram fantasias, paranoias, ilusões, projeções e negacionismos, sobretudo com a ajuda das mídias sociais e seus algoritmos, cria-se uma realidade alternativa, um inimigo comum, formando uma massa de sujeitos que se creem “cidadãos de bem”, dispostos a eliminarem, simbolicamente ou fisicamente, seus antagonistas. O autor conclui que, para enfrentarmos a extrema direita no Brasil e, de fato, sermos um país de democracia social e política plena, não basta apenas recordarmos nossa história como nação para não repetir os erros do nosso passado nefasto: é preciso, acima de tudo, perlaborar nossa história por meio de políticas efetivas e não paliativas, sem que haja qualquer violação dos direitos humanos nas áreas de segurança, saúde, educação e economia, o que, de fato, incluiria o sujeito marginalizado no bojo da cidadania.

Abstract

Assunto

Psicologia - Teses, Psicanálise - Teses, Ciência política - Teses

Palavras-chave

Teorias conspiratória, Extrema direita, Identificação, Massas, Psicanálise, "Cidadão de bem"

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