Cenas mínimas de crianças e músicas: confluências nos interstícios das infâncias
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Autor(es)
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Minimal scenes of children and music: confluences in the interstices of childhood
Primeiro orientador
Membros da banca
Helena Lopes da Silva
Viviane Beineke
Deborah Vier Fischer
Helena Maria Ferreira Rodrigues da Silva
Jussara Rodrigues Fernandino
Viviane Beineke
Deborah Vier Fischer
Helena Maria Ferreira Rodrigues da Silva
Jussara Rodrigues Fernandino
Resumo
Esta tese renova o convite para prestar atenção nas crianças. Não há uma pergunta de pesquisa, há várias; como várias foram as fontes para produção dos dados. As perguntas mais importantes não surgiram antes, mas no decorrer da pesquisa; as possibilidades de dados a serem produzidos, também: esta pesquisa é uma cartografia – o acompanhamento de territórios e paisagens, à medida que esses se constroem e se desfazem (Deleuze e Guattari, 2011, 2012; Rolnik, 2016); aqui, territórios que incluem a música. Dentre as questões da pesquisa, destacam-se: o que algumas crianças dizem sobre música quando elas não são perguntadas? O que seus modos de ser e estar informam ou sugerem a esse respeito? Como isso pode inspirar fazeres artísticos que envolvem crianças? A confluência que emerge como importante linha de força nesta pesquisa encontra um paralelo na Confluência das Artes, via Teatro de Confluência de Murray Schafer (2002, 2011), em que os elementos confluentes não se anulam no encontro, mas caminham juntos. Foram observadas aulas de musicalização para crianças de 3 a 6 anos no Centro de Musicalização Integrado (CMI) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), de modo a perceber contribuições espontâneas das crianças para o fazer musical. A observação, de caráter participante, foi realizada durante três semestres letivos e teve como principal instrumento para produção de dados os diários do pesquisador. As cenas recolhidas foram transcritas na forma de crônicas e fragmentos, convidando a literatura para dizer que a arte informa a ciência e que as infâncias, as crianças e as artes requerem mais gêneros discursivos. Paralelamente, foram realizadas entrevistas semiestruturadas com professores-artistas que se dedicam ao público infantil e cujas características dialogam com a pesquisa. Lançou-se, ainda, um olhar para ações artísticas e educativas direcionadas às crianças e às infâncias realizadas em perspectivas semelhantes à deste estudo, bem como para alguns aspectos da trajetória do próprio pesquisador – outras paisagens afetivas e musicais cartografáveis. Os principais autores colocados em diálogo na pesquisa são: Murray Schafer (2002; 2011), Manuel Jacinto Sarmento (2002; 2004; 2009; 2013; 2021), Willian Corsaro (2011), Spyros Spyrou (2018), Gilles Deleuze e Felix Guattari (2011, 2012), Suely Rolnik (2016), Marina Marcondes Machado (2023), Deborah Vier Fischer (2019), María Acaso e Clara Megías (2017), Carmen Capra e Luciana Gruppelli Loponte (2016), Janusz Korczak (2022), Ailton Krenak (2022), Alfredo Hoyuelos (2020) e Companhia de Música Teatral – Portugal, entre outros. A investigação evidencia confluências e multiplicidades no fazer artístico e musical com/para crianças, chamando a atenção para o que burla e escapa ao previsível e ao instituído, a que se denominou interstícios da infância. Por fim, são apresentados alguns princípios artísticos a partir de um fazer musical com/para crianças, numa perspectiva rizomática e confluente.
Abstract
This thesis renews the invitation to pay attention to children. There is not one research question, but several; just as there were several sources for producing the data. The most important questions did not emerge beforehand, but rather during the research; as well as the possibilities of data to be produced: this research is a cartography – the tracking of territories and landscapes as they are constructed and undone (Deleuze and Guattari, 2011, 2012; Rolnik, 2016), here, territories that include music. Among the research questions, the following stand out: what do some children say about music when they are not asked? What do their ways of being inform or suggest in this regard? How can this inspire artistic proposals that involve children? The confluence that emerges as an important line of force in this research finds a parallel in the Confluence of the Arts, via Murray Schafer’s Theatre of Confluence (2002, 2011), where confluent elements do not cancel each other out in their encounter, but rather move together. Music lessons for children aged 3 to 6 were observed at the Centro de Musicalização Integrado (CMI) at Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), in order to identify children’s spontaneous contributions to musical creation. The participant observation was conducted over three academic semesters, utilizing the researcher’s diaries as the primary data collection tool. The collected scenes were transcribed into chronicles and fragments, drawing on literature to demonstrate that art informs science and that childhood, children, and the arts require more discursive genres. Concurrently, semi-structured interviews were conducted with artist-teachers who work with children and whose characteristics resonate with the research. A look was also taken at artistic and educational initiatives aimed at children and childhoods conducted from perspectives similar to those of this study, as well as at some aspects of the researcher’s own trajectory – other affective and musical landscapes that can be mapped. The main authors brought into dialogue in the research are: Murray Schafer (2002, 2011), Manuel Jacinto Sarmento (2002, 2004, 2009, 2013, 2021), Willian Corsaro (2011), Spyros Spyrou (2018), Gilles Deleuze and Felix Guattari (2011, 2012), Suely Rolnik (2016), Marina Marcondes Machado (2023), Deborah Vier Fischer (2019), María Acaso and Clara Megías (2017), Carmen Capra and Luciana Gruppelli Loponte (2016), Janusz Korczak (2022), Ailton Krenak (2022), Alfredo Hoyuelos (2020), Companhia de Música Teatral – Portugal, among others. The research highlights confluences and multiplicities in artistic and musical creation with and for children, drawing attention to what circumvents and escapes the predictable and established, which has been termed the interstices of childhood. Finally, some artistic principles are presented based on musical creation with and for children, from a rhizomatic and confluent perspective.
Assunto
Educação musical - Teses, Crianças - Desenvolvimento, Professores de arte
Palavras-chave
Educação musical, Estudos da infância, Confluência das artes, Professor-artista, Cartografia