Relações entre a Educação Musical Especial e o desenvolvimento da comunicação social em crianças autistas
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Marisa Trench de Oliveira Fonterrada
Liliana Pereira Botelho
Angelita Maria Vander Broock Schultz
Marina Horta Freire
Liliana Pereira Botelho
Angelita Maria Vander Broock Schultz
Marina Horta Freire
Resumo
O autismo, segundo a quinta edição do Manual Diagnóstico e Estatístico de Saúde Mental
(DSM-5) da Associação Americana de Psiquiatria, é caracterizado como um transtorno do
neurodesenvolvimento que afeta habilidades de comunicação social e de comportamento desde a primeira infância. Vários são os aspectos relacionados à comunicação nos quais os autistas podem apresentar dificuldades, tais como intenção comunicativa, contato visual, atenção conjunta, troca de turnos, imitação, simbolismo e narrativa. Estudos recentes têm demonstrado que os autistas, em geral, podem apresentar uma grande responsividade à música, bem comoobter melhora em sua comunicação por meio de intervenções musicais. A Educação Musical Especial, área que trata do ensino de música para as pessoas com deficiência, foi a modalidade
de intervenção utilizada por esta pesquisa, cujo objetivo consistiu em estudar as relações entre a Educação Musical Especial e o desenvolvimento da comunicação social de crianças autistas. Neste sentido, esta pesquisa questionou: quais relações poderiam ser estabelecidas entre a
Educação Musical Especial e o desenvolvimento da comunicação social de uma criança autista? Assim, procedeu-se um estudo do tipo método misto, pelo uso combinado de métodos
quantitativos e qualitativos. Inicialmente, quinze crianças autistas foram selecionadas e
alocadas de forma aleatória em dois Grupos. Cada Grupo participou sob dois formatos: Grupo 1 (Experimental/Follow up) e Grupo 2 (Controle/Experimental). Nas participações
experimentais, ambos os Grupos foram submetidos a um semestre de aulas de música. Nas
participações Follow up/Controle os Grupos foram ausentados da intervenção musical. Três
escalas (ABFW-Teste de Pragmática, Escala DEMUCA e IMTAP) foram utilizadas para aferir
o desenvolvimento musical e sociocomunicativo das crianças, em cada etapa da pesquisa, em seus respectivos Grupos. Os dados numéricos foram analisados estatisticamente, sendo,
primeiro, realizado o Teste Alpha de Cronbach, pelo qual confirmou-se a consistência interna das três escalas: Teste de Pragmática da Escala ABFW (a = 0,82); Escala DEMUCA (a = 0,98) e IMTAP (a = 0,98). A seguir, procedeu-se as análises intergrupo e intragrupo por meio do método GEE (Generalized Estimating Equations), a fim de contabilizar a correlação existente entre as medidas repetidas dos mesmos indivíduos. Pela análise intergrupo, os Grupos foram considerados homogêneos no início da pesquisa, com diferenciação somente após o período intervenção do Grupo 1 (um primeiro indicativo de influência da atividade musical no desenvolvimento apresentado pelas crianças). A seguir, pelas análises intragrupo, constatou-se que os dois Grupos tiveram desenvolvimento significativo em 10 categorias das três Escalas utilizadas (Jogo compartilhado, Comportamentos restritivos, Interação social-Cognição, Percepção-Exploração sonora, Exploração vocal, Segue instruções, Mudanças musicais,
Cantando-Vocalizando, Ritmo, Fundamentos de Comunicação expressiva) a partir das suas
participações nas aulas de música, outro indicativo de melhora da comunicação social e de
desenvolvimento musical das crianças participantes. Os resultados qualitativos, obtidos por
meio de um Grupo Focal procedido com os pais das crianças, apontaram que ambos os Grupos tiveram melhora dos comportamentos restritivos, da interação social, da comunicação, além de
desenvolverem habilidades musicais. A reflexões oriundas do cruzamento entre os dados
quantitativos e qualitativos mostraram que a Educação Musical Especial, de fato, favorece a
comunicação social e que a atividade musical, mediada pelo educador, instiga a musicalidade
inata do autista, abrindo janelas de comunicação que prescindem da palavra. A Musicalidade
Comunicativa do autista, em estado latente, mas mobilizada e potencializada pela atividade
musical, constitui uma oportunidade que, se bem explorada, permite o rompimento de barreiras
à comunicação, e possibilita a integração de subjetividades. Ficou evidente, ainda, que o
engajamento solidário proporcionado pela atividade musical em diversos níveis
(educador/criança, pais/criança, educador/pais) foi um elemento de grande importância para o
resultado apresentado pelas crianças da pesquisa. Da mesma forma, as diversas estratégias
utilizadas pela Educação Musical Especial também contribuíram para a melhora da
comunicação social das crianças autistas participantes. É importante ressaltar que uma
generalização dosresultados obtidos por esta pesquisa merece cuidado, visto o pequeno número
de participantes envolvidos (n = 15). Entretanto, evidências para a existência de uma interface
entre o desenvolvimento musical e o desenvolvimento da comunicação social foram aqui
apontadas, sendo necessários outros estudos que possam abarcar uma população maior, bem
como um período interventivo mais longo.
Abstract
Autism, according to the fifth edition of the American Psychiatric Association's Diagnostic and
Statistical Manual for Mental Health (DSM-5), is characterized as a neurodevelopmental
disorder that affects social communication skills and behavior from early childhood. There are
several aspects related to communication in which autistic people may experience difficulties,
such as communicative intent, eye contact, joint attention, shift changes, imitation, symbolism
and narrative. Recent studies have shown that autistic people, in general, can be highly
responsive to music, as well as improve their communication through musical interventions.
Special Musical Education deals with the teaching of music to people with disabilities. It was
the intervention modality used by this research, whose objective was to study the relationship
between Special Musical Education and the development of the social communication of
autistic children. In this sense, this research asked: what relations could be established between
Special Musical Education and the development of autistic child’s social communication?
Thus, a mixed method study was carried out, through the combined use of quantitative and
qualitative methods. Initially, fifteen autistic children were selected and randomly allocated to
two groups. Each Group participated in two formats: Group 1 (Experimental / Follow up) and
Group 2 (Control / Experimental). In the experimental participations, both Groups were
submitted to a semester of music lessons. In the Follow up / Control participations, the Groups
were absent from the musical intervention. Three scales (ABFW-Pragmatic Test, DEMUCA
Scale and IMTAP) were used to assess children's musical and socio-communicative
development, at each stage of the research, in their respective groups.The numerical data were
analyzed statistically, and the Cronbach's Alpha Test was first performed, by which the internal
consistency of the three scales was confirmed: Pragmatic Test of the ABFW Scale (a = 0.82);
DEMUCA scale (a = 0.98) and IMTAP (a = 0.98). Next, intergroup and intragroup analyzes
were performed using the GEE (Generalized Estimating Equations) method, a way to account
for the correlation between the repeated measures of the same individuals. By the intergroup
analysis, the Groups were considered homogeneous at the beginning of the research, with
differentiation after the intervention period of Group 1 (a first indication of the influence of
musical activity on the development presented by the children). Then, by the intragroup
analyzes, it was found that the two Groups had significant development in 10 categories of the
three scales (Shared game, Restrictive behaviors, Social-Cognition interaction, Perceptionsound exploration, Vocal exploration, Follows instructions, Musical changes, SingingVocalizing, Rhythm, Fundamentals of Expressive Communication) based on their participation
in music classes, thus demonstrating an improvement in children’s social communication and
musical development. The qualitative results, obtained through a Focus Group carried out with
the children's parents, pointed out that both Groups had an improvement in restrictive
behaviors, social interaction, communication, in addition to developing musical skills.
Reflections from the intersection between quantitative and qualitative data demonstrated that
Special Musical Education, in fact, favors social communication and that musical activity,
mediated live by the educador, instigates autistic's innate musicality, opening communication
windows without the need for words. The autistic’s Communicative Musicality, in a latent state,
but mobilized and enhanced by musical activity, constitutes an opportunity that, if well
explored, allows the breaking of barriers to communication and the integration of subjectivities.
It was also evident that the solidary engagement provided by the musical activity at different
levels (educator / child, parents / child, educator / parents) was an element of great importance
for the results presented by the research children. Also, the different strategies used by Special
Music Education contributed to the social communication improvement of the participating
children. It is important to emphasize that a generalization of this reasearch results deserves
care, given the small number of participants involved (n = 15). However, evidence for the
existence of an interface between musical development and the development of social
communication were pointed here. Further studies are needed to cover a larger population, as
well as a longer intervention period.
Assunto
Educação musical, Educação especial, Autismo em crianças
Palavras-chave
Autismo, Comunicação, Educação Musical Especial, Desenvolvimento, Musicalidade Comunicativa
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