Narrativas de mulheres do Conjunto Mariquinhas: um estudo sobre a luta pelo direito à moradia e à educação
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Walesson Gomes da Silva
Agnez de Lélis Saraiva
Agnez de Lélis Saraiva
Resumo
O presente trabalho trata do direito à Educação Pública, sobretudo, a efetivação da EJA
a partir das narrativas de mulheres negras periferizadas na década de 1990, na Regional
Norte de Belo Horizonte. Trata-se, pois de pessoas que participaram do processo de
construção do Conjunto Mariquinhas. A temática focalizada neste estudo busca
compreender os percursos e percalços vividos por elas durante suas lutas pela conquista
de direito social, especialmente pela Educação Pública relacionados ao processo de
espraiamento da capital mineira por meio da memória de mulheres empobrecidas
inseridas em processos educativos desencadeados por movimentos coletivos em luta por
justiça social e dignidade humana. Há, por um lado, estudos, como o de Oliveira (2019,
2024) e Valério (2022), que têm comprovado que o processo de periferização oriundo
da fundação da capital Belo Horizonte evidencia as desigualdades de território e
colabora para a negligência do direito à escolarização de pessoas adultas. Por outro lado,
existem autores como França (2019) e Parreira (2022) que enfatizam que, a despeito de
haver um projeto histórico de segregação de pessoas das camadas populares, as
narrativas de resistências fortalece a construção de sujeitos resilientes e comprometidos
com a transformação social. Tendo como base os pressupostos da pesquisa qualitativa,
o presente estudo buscou, por meio de entrevista narrativa de situações do cotidiano de
quatro mulheres negras que fizeram parte de um movimento social de reivindicação por
moradia, durante meses, elas estiveram acampadas no pátio da Igreja São José, na área
central da capital mineira. As narrativas das mulheres nos permitem inferir que a
memória social pode ser ressignificada e contribuir para construção de um processo de
escolarização de pessoas adultas e voltadas para a elaboração de políticas públicas
direcionadas à efetivação da EJA. Diante disso, pode-se -se dizer que as experiências do
coletivo de mulheres do Conjunto Mariquinhas nos ensinam que é possível realizar um
exercício reflexivo da prática docente a partir de experiências que revelam o
empoderamento de pessoas marginalizadas e estimulando, assim, a construção de uma
educação como prática de liberdade.
Abstract
Assunto
Educação, Educação - Aspectos sociais, Educação de adultos, Negras - Educação
Palavras-chave
Narrativas, Mulheres, Educação
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