Um impresso para mulheres e seus modos de apropriação: a revista Grande Hotel e seus (supostos) leitores (Minas Gerais, 1947-1961)

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Primeiro orientador

Membros da banca

Maurilane de Souza Biccas
Antonio Augusto Gomes Batista
Andrea Moreno
Monica Yumi Jinzenji
Matthieu Letourneux

Resumo

O objetivo desta pesquisa foi investigar, na revista Grande Hotel, destinada, sobretudo, ao público feminino, seus supostos leitores e a apropriação do impresso por seus leitores empíricos em Minas Gerais, do início de sua circulação no Brasil, em 1947, até 1961, ano em que a maior parte da revista passou a ser ocupada por fotonovelas. Como fontes para o estudo, utilizamos números de Grande Hotel, produzidos no período compreendido pela investigação; alguns números da revista francesa Nous Deux e da revista italiana Grand Hôtel, o protótipo das revistas brasileira e francesa, bem como depoimentos orais de leitores de Grande Hotel nessa época. Com a realização da pesquisa, buscamos estudar a leitura, tanto a partir do impresso, como a partir das experiências de leitura de diferentes sujeitos quanto às seguintes variáveis: gênero, origem social, escolaridade. Mais especificamente, desejávamos entender as apropriações que os diferentes leitores faziam de um mesmo impresso. Do ponto de vista teórico e metodológico, fundamentamos a investigação nos estudos da História Cultural, da História da Leitura, da Teoria da História. Mas, também foram importantes, para a análise dos dados, alguns trabalhos da Sociologia e da História Oral. Os resultados da pesquisa apontam que a revista Grande Hotel era, entre 1947 e 1961, uma tradução da revista italiana Grand Hôtel, assim como recebia material da França para a sua composição. Seu suposto leitor, portanto, não era um leitor brasileiro, mas um leitor mais geral, que integrava diferentes características quanto à nacionalidade, ao gênero, à origem social, ao domínio das habilidades de leitura e escrita, especialmente no início da circulação da revista no Brasil. À medida que avançamos em direção aos anos 1950, o leitor pensado para Grande Hotel no País modificouse. A análise do nosso corpus evidenciou que a revista tornou-se um impresso cada vez mais feminino e adaptado ao público leitor brasileiro. Do ponto de vista da apropriação do impresso, podemos afirmar que leitores de diferentes regiões do Brasil liam a revista e que, embora ela fosse se tornando gradativamente mais feminina, entre 1947 e 1961, homens e mulheres liam Grande Hotel, inclusive mulheres negras, muito pouco contempladas nas páginas da revista. Apesar de ser um impresso barato, de larga circulação, por isso mesmo, supostamente destinado a sujeitos de meios populares, considerados sujeitos de baixa renda e de baixa escolaridade, homens e mulheres de origens e pertencimentos sociais diversos, de meios populares, mas também de elites culturais e intelectualizadas, com diferentes níveis de alfabetismo e escolaridade leram Grande Hotel. Verificamos, assim, que existem diferenças entre os leitores pensados para a revista, o que se esperava deles, e os seus leitores empíricos. Esses leitores, por meio de diferentes modos de apropriação, fizeram usos diversificados do impresso, nem sempre coincidentes com o que havia sido pensado na produção de Grande Hotel para a sua recepção; nem sempre coincidentes com aquilo que se esperava de leitores colaborativos, em termos de produção de sentido para os textos veiculados pela revista.

Abstract

Assunto

Periodicos para mulheres Brasil Historia  , Educação  Minas Gerais  Historia, Leitura  História

Palavras-chave

Educação

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