Promoção de atividade física em indivíduos após um Acidente Vascular Encefálico

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Indivíduos após um acidente vascular encefálico (AVE) possuem maiores chances de desenvolver um novo evento. Nesse sentindo realizar atividades que reduzam esse risco é essencial para essa população. Cerca de 90% dos fatores de risco para o desenvolvimento de um AVE são modificáveis. Dentre eles, a prática de atividade física parece desempenhar um papel fundamental na diminuição de novos eventos cardiovasculares. No entanto, apenas cerca de 30% dos indivíduos após um AVE são fisicamente ativos. É essencial que intervenções foquem na promoção de atividade física a longo prazo, com o intuito de promover mudança de comportamento nessa população. Estudos apontam que programas de autogerenciamento que levem em consideração referenciais teóricos e técnicas de mudança de comportamento possam apresentar potencial para promover atividade física a longo prazo. Dessa forma, o objetivo geral desta tese foi avaliar os potenciais efeitos de um programa de autogerenciamento para a promoção de atividade física em indivíduos após um AVE. Para viabilizar a sua condução, alguns estudos preliminares foram realizados, como a tradução e a análise das propriedades de medida de uma escala que avalia a autoeficácia para o exercício físico após o AVE. Além disso, para dar seguimento a estudos futuros um estudo de avaliação de propriedades de medida de dois monitores de atividade física foi desenvolvido. O primeiro estudo desta tese refere-se a um estudo metodológico que teve como objetivo realizar a tradução e adaptação transcultural da versão em inglês da escala Self-Efficacy for Exercise para o português-Brasil. O processo de tradução e adaptação transcultural da escala foi realizado em seis estágios: (1) tradução; (2) síntese; (3) retrotradução; (4) revisão por comitê de especialistas; (5) pré-teste; e (6) aprovação pelos autores que desenvolveram o instrumento. Os resultados demonstraram que todos os seis estágios necessários para que a escala pudesse ser traduzida e transculturalmente aceita, foram realizados de forma satisfatória, viabilizando seu uso na população brasileira. O segundo estudo refere-se a um estudo metodológico que teve como objetivo investigar a confiabilidade teste-reteste, o erro padrão de medida e a mudança mínima detectável da versão traduzida da escala Self-Efficacy for Exercise-Brasil. Indivíduos após o AVE com idade igual ou superior a 18 anos e que não apresentaram alterações cognitivas foram incluídos. A escala foi aplicada duas vezes com um intervalo entre as medidas de 4 a 10 dias. A confiabilidade teste-reteste foi calculada através do Coeficiente de Correlação Intraclasse (ICC), o erro padrão de medida foi calculado e reportado em pontos e em porcentagem de erro e a mudança mínima detectável foi calculada e reportada em pontos. A confiabilidade teste-reteste da escala foi considerada boa, com um coeficiente de correlação intraclasse de 0,85 (IC 95%: 0,75–0,91). O erro padrão de medida foi de 1.08 pontos, representando uma porcentagem de erro de 20% e a mudança mínima detectável foi de 2.99 pontos. A escala Self-Efficacy for Exercise-Brasil apresentou adequada confiabilidade teste-reteste e erro de medida. Por fim, uma mudança de 3 pontos na escala pode ser interpretada como um mudança real. O terceiro e quarto estudos referem-se ao protocolo e ao ensaio clínico aleatorizado piloto, respectivamente, desenvolvidos com o objetivo de avaliar se um programa domiciliar de autogerenciamento tem potencial para promover atividade física mais do que o cuidado usual, a curto e a longo prazo. Indivíduos com menos de 6 meses após o AVE, idade igual ou superior a 18 anos, fisicamente inativos e com leves déficits foram incluídos. Eles foram randomizados em dois grupos, experimental e controle. O grupo experimental recebeu seis sessões domiciliares de autogerenciamento com duração de 60 minutos e cuidado usual, ao longo de 3 meses. O grupo controle recebeu uma sessão de educação sobre o AVE com duração de 60 minutos e cuidado usual, ao longo de 3 meses. A medida de desfecho primária foi o nível de atividade física, mensurada através do número de passos por dia. Para avaliar a diferença estatisticamente significativa entre os grupos, utilizou-se ANOVA two-way. Para avaliar a diferença clinicamente importante observou-se o valor das diferenças médias entre os grupos. Foram incluídos 24 indivíduos (67 ± 11 anos). ANOVA two-way não revelou diferença estatisticamente significativa entre os grupos nem a curto prazo nem a longo prazo. Em relação a diferença clinicamente importante, a curto prazo, houve uma diferença clinicamente importante entre os grupos de 1380 passos por dia (IC 95%: -161 a 2921). No entanto, a longo prazo, essa diferença não se manteve clinicamente relevante, 842 passos por dia (IC 95%: -1621 a 3305). Futuros estudos devem ajustar o protocolo de intervenção com o intuito de manter os níveis de atividade física a longo prazo. Por fim, o quinto estudo refere-se a um estudo metodológico que teve como objetivo investigar a validade de critério e acurácia de dois monitores de atividade física (Actigraph e Xiaomi) para a contagem de passos em indivíduos após um AVE. Indivíduos após o AVE com idade igual ou superior a 18 anos, capazes de deambular e que não apresentaram alterações cognitivas foram incluídos. Indivíduos realizaram o Teste de Caminhada de 2 Minutos (TC2) utilizando simultaneamente o Actigraph e o Xiaomi no membro superior não parético. O TC2 foi filmado e uma fisioterapeuta realizou a contagem de passos através das gravações. A validade de critério foi avaliada por meio do coeficiente de correlação de Spearman (rho), que comparou o número de passos estimado pelos monitores de atividade física com a contagem da fisioterapeuta. Para avaliar a acurácia dos monitores, foram calculados o erro absoluto e a porcentagem de erro. Foram incluídos 50 indivíduos (64 ± 11 anos). Os passos estimados pelo Actigraph demonstraram baixa correlação (rho 0,41; IC 95%: 0,15 a 0,62) e alta percentagem de erro absoluto de 39% (IC 95%: 33 a 45) quando comparados com a contagem dos passos realizada pela fisioterapeuta. Os passos estimados pelo Xiaomi demonstraram alta correlação (rho 0,83; IC 95%: 0,72 a 0,90) e moderada percentagem de erro absoluto de 12% (IC 95%: 6 a 19) quando comparados com a contagem dos passos realizada pela fisioterapeuta.

Abstract

Individuals after a stroke are more likely to develop a new event. Therefore, engaging in activities that reduce this risk is essential for this population. Approximately 90% of the risk factors for stroke are modifiable. Among these, physical activity appears to play a key role in reducing new cardiovascular events. However, only about 30% of individuals after a stroke are physically active. It is essential that interventions focus on promoting long-term physical activity to promote behaviour change in this population. Studies indicate that self-management programs that consider theoretical frameworks and behaviour change techniques may have the potential to promote long-term physical activity. Therefore, the overall objective of this thesis was to evaluate the potential effect of a self-management program for promoting physical activity in individuals after a stroke. To facilitate its implementation, some preliminary studies were conducted, such as the translation and analysis of the measurement properties of a scale that assesses self-efficacy for physical exercise after stroke. Furthermore, to support future studies, a study evaluating the measurement properties of two physical activity monitors was developed. The first study in this thesis refers to a methodological study that aimed to translate and cross-culturally adapt the English version of the Self-Efficacy for Exercise scale into Brazilian Portuguese. The translation and cross-cultural adaptation process of the scale was carried out in six stages: (1) translation; (2) synthesis; (3) back-translation; (4) review by a committee of experts; (5) pre-test; and (6) approval by the authors who developed the instrument. The results demonstrated that all six stages necessary for the scale to be translated and cross-culturally accepted were completed satisfactorily, enabling its use in the Brazilian population. The second study is a methodological study that aimed to investigate the test-retest reliability, standard error of measurement, and minimum detectable change of the translated version of the Self-Efficacy for Exercise-Brazil scale. Post-stroke individuals aged 18 years or older who did not present cognitive changes were included. The scale was administered twice with a 4- to 10-day interval between measurements. Test-retest reliability was calculated using the Intraclass Correlation Coefficient (ICC). The standard error of measurement was calculated and reported in points and percentage error, and the minimum detectable change was calculated and reported in points. The test-retest reliability of the scale was considered good, with an intraclass correlation coefficient of 0.85 (95% CI: 0.75–0.91). The standard error of measurement was 1.08 points, representing a 20% percentage error, and the minimum detectable change was 2.99 points. The Self-Efficacy for Exercise-Brazil scale showed adequate test-retest reliability and measurement error. Finally, a 3-point change on the scale can be interpreted as a real change. The third and fourth studies refer to the protocol and the pilot randomized clinical trial, respectively, developed to assess whether a home-based self-management program has the potential to promote physical activity more than usual care, in the short and long term. Individuals less than 6 months post-stroke, aged 18 years or older, physically inactive, and with mild deficits were included. They were randomized into two groups: experimental and control. The experimental group received six 60-minute home-based self-management sessions and usual care over 3 months. The control group received one 60-minute stroke education session and usual care over 3 months. The primary outcome measure was physical activity level, measured by the number of steps per day. Two-way ANOVA was used to assess statistically significant differences between groups. Clinically important differences were assessed by observing the mean differences between groups. Twenty-four individuals (67 ± 11 years) were included. Two-way ANOVA revealed no statistically significant differences between groups in either the short or long term. Regarding clinically important differences, in the short term, there was a clinically important difference between the groups of 1,380 steps per day (95% CI: -161 to 2,921). However, in the long term, this difference did not remain clinically relevant, at 842 steps per day (95% CI: -1,621 to 3,305). Future studies should adjust the intervention protocol to maintain physical activity levels in the long term. Finally, the fifth study refers to a methodological study that aimed to investigate the criterion validity and accuracy of two physical activity monitors (Actigraph and Xiaomi) for counting steps in individuals after a stroke. Post-stroke individuals aged 18 years or older, able to walk, and without cognitive impairment were included. Individuals performed the 2-Minute Walk Test (2MWT) using the Actigraph and Xiaomi simultaneously on the non-paretic upper limb. The 2MWT was videotaped, and a physical therapist performed step counts based on the recordings. Criterion validity was assessed using Spearman's correlation coefficient (rho), which compared the number of steps estimated by the physical activity monitors with the physical therapist's count. To assess the accuracy of the monitors, the absolute error and the percentage error were calculated. Fifty individuals (64 ± 11 years) were included. The steps estimated by Actigraph demonstrated low correlation (rho 0.41; 95% CI: 0.15 to 0.62) and a high absolute error rate of 39% (95% CI: 33 to 45) when compared with the step count performed by the physiotherapist. The steps estimated by Xiaomi demonstrated high correlation (rho 0.83; 95% CI: 0.72 to 0.90) and a moderate absolute error rate of 12% (95% CI: 6 to 19) when compared with the step count performed by the physiotherapist.

Assunto

Acidente vascular cerebral, Exercícios físicos - Uso terapêutico, Estudo de validação, Reprodutibilidade dos testes

Palavras-chave

acidente vascular encefálico; atividade física; autogerencimento; instrumentos de medidas e propriedades de medida

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