Trabalho e banalidade do mal em Hannah Arendt : a vitória do animal laborans como condição do mal banal
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Labor and the banality of evil in Hannah Arendt : the triumph of the animal laborans as a condition of banal evil
Primeiro orientador
Membros da banca
Newton Bignotto de Souza
Helton Machado Adverse
José Luiz de Oliveria
Natália Braga Tavares
Helton Machado Adverse
José Luiz de Oliveria
Natália Braga Tavares
Resumo
Hannah Arendt, em sua obra A Condição Humana, propõe uma análise profunda sobre a condição humana, destacando as atividades fundamentais da vita activa – trabalho, obra e ação. Seu objetivo é compreender a alienação e sua relação com a Modernidade, ressaltando as dinâmicas entre a vita activa e a vita contemplativa. Em paralelo, ao abordar o conceito da “banalidade do mal” em Eichmann em Jerusalém, Arendt reflete sobre a ausência de pensamento crítico e os perigos do conformismo, exemplificados na figura de Adolf Eichmann, cuja conduta automatizada contribuiu para os horrores do Holocausto. Esta tese tem como objetivo examinar a hipótese de que a vitória do animal laborans – o homem dedicado à produção e ao consumo – é a condição para o mal banal, que não se limita ao totalitarismo, mas emerge da solidão e da alienação social, que o caracterizam na modernidade. A tese sugere que a centralidade do trabalho na sociedade moderna promove a abdicação do senso crítico e do pertencimento social, favorecendo ações desprovidas de responsabilidade ética. A investigação estrutura-se em três capítulos. No primeiro, analisa-se o conceito de vita activa, enfatizando a ascensão do trabalho sobre as demais atividades humanas e suas implicações na perda de sentido do espaço público e na aniquilação da pluralidade de ação e de pensamento. No segundo capítulo, aprofunda-se a análise do animal laborans e seus efeitos sobre as faculdades do espírito – pensamento, vontade e julgamento –, demonstrando como a Modernidade, ao submeter essas capacidades à lógica do trabalho, enfraquece a possibilidade de reflexão, liberdade e responsabilidade moral. Já o terceiro capítulo relaciona diretamente a vitória do animal laborans à banalidade do mal, argumentando que o totalitarismo apenas intensificou tendências já presentes na figura do homem trabalhador moderno, especialmente a solidão, entendida como desconexão com o mundo e com os outros. Neste momento, torna-se inevitável questionar: estamos caminhando para uma sociedade de Eichmanns? A pesquisa conclui que a vitória do animal laborans representa uma ameaça à liberdade e à responsabilidade, sugerindo a necessidade de integrar as dimensões da vita activa e da vita contemplativa na vida humana, para não incorrer nesse risco. Ao revisitar o pensamento de Arendt, o estudo busca iluminar questões contemporâneas sobre a alienação, o isolamento e os riscos de uma sociedade, que prioriza o trabalho em detrimento da reflexão e da ação política e os riscos de uma sociedade, que prioriza o trabalho em detrimento da reflexão e da ação política.
Abstract
This thesis investigates Hannah Arendt’s theoretical framework to examine the relationship between modernity, alienation, and the emergence of the “banality of evil.” Drawing on The Human Condition, it explores the dynamics of the vita activa—labor, work, and action—highlighting the historical ascendancy of labor and its implications for the erosion of public space, the weakening of plurality, and the prevalence of alienation. In dialogue with Eichmann in Jerusalem, the research connects the triumph of the animal laborans to the phenomenon of the banality of evil, understood as the absence of critical thinking and responsibility exemplified in Adolf Eichmann. The study advances the hypothesis that the predominance of the animal laborans, centered on production and consumption, creates the conditions for ethical abdication and social isolation, which extend beyond totalitarianism to define key features of modern society. To substantiate this claim, the analysis proceeds in three stages: first, it clarifies the concept of the vita activa and the subordination of political action to labor; second, it investigates the effects of this shift on the faculties of mind—thinking, willing, and judging—arguing that their subjection to the logic of labor undermines reflection, freedom, and moral responsibility; third, it demonstrates how the banality of evil is rooted in the solitude and disconnection that accompany the dominance of the animal laborans. The thesis concludes that the victory of the animal laborans poses a threat to both freedom and responsibility, underscoring the urgency of reestablishing a balance between the vita activa and the vita contemplativa. By revisiting Arendt’s reflections, this work contributes to contemporary debates on alienation, isolation, and the risks of a society that prioritizes labor over critical thought and political action.
Assunto
Filosofia - Teses, Banalidade (Filosofia) - Teses, Trabalho - Teses, Arendt, Hannah, 1906-1975
Palavras-chave
Animal laborans, Mal banal, Mal radical, Trabalho
Citação
Departamento
Endereço externo
Avaliação
Revisão
Suplementado Por
Referenciado Por
Licença Creative Commons
Exceto quando indicado de outra forma, a licença deste item é descrita como Acesso aberto
