Fatores associados à evolução da mobilidade em pacientes com lesão cerebral aguda internados no setor de terapia intensiva da emergência do hospital metropolitano Odilon Behrens

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Dissertação de mestrado

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Membros da banca

Marcelo Velloso
Juliana Martins Rocha dos Nascimento

Resumo

Pacientes com lesão cerebral aguda grave, com traumatismo cranioencefálico (TCE) e acidente vascular cerebral (AVC), frequentemente apresentam redução do nível de consciência, necessitando de cuidados intensivos e enfrentando alto risco de complicações, como fraqueza muscular adquirida na UTI. A mobilização precoce tem se mostrado uma estratégia eficaz para minimizar complicações, reduzir o tempo de internação e melhorar a funcionalidade. No entanto, os fatores que influenciam a evolução da mobilidade nesses pacientes ainda precisam ser mais bem compreendidos. O presente estudo teve como objetivo analisar a mobilidade de pacientes com lesão cerebral aguda e identificar os fatores associados com sua evolução durante a internação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Trata-se de um estudo de coorte retrospectivo realizado na UTI do setor da emergência do Hospital Metropolitano Odilon Behrens (HMOB). A amostra, de conveniência, foi composta por prontuários de pacientes internados devido a lesão cerebral aguda, como TCE e AVC. Foram incluídos pacientes com idade igual ou superior a 18 anos, internados na UTI da emergência do HMOB, no período de janeiro a dezembro de 2023. Foram excluídos da amostra os prontuários dos pacientes que foram a óbito; que permaneceram no setor por menos de 24 horas; dados incompletos das variáveis analisadas. A pesquisa foi submetida ao Comitê em Ética e Pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais e foi aprovada e registrada sob o CAAE: 83031524.7.0000.514. Variáveis coletadas incluíram dados demográficos, motivo de internação, tempo de internação, escores de gravidade: SAPS III, SOFA e ICC, coletados dados relacionados a uso de ventilação mecânica invasiva e não invasiva; uso de tubo orotraqueal ou traqueostomia; uso de sedoanalgesia; uso de drogas vasoativas; e dados de mobilidade (Escore Perme e nível de mobilidade). Foram divididos em dois grupos: grupo “ Sem melhora importante da mobilidade” (∆ Escore Perme < 7) e grupo “Com melhora importante da mobilidade” (∆ Escore Perme ≥7). Análises estatísticas incluíram estatística descritiva, testes de Wilcoxon, t de Student, Fisher, correlação de Pearson e regressão logística multivariada, com significância de 5%. Dos 552 pacientes admitidos, 70 preencheram os critérios de inclusão (72,9% homens, média de idade 57,3 ± 16,84 anos.). TCE (42,9%) e AVC hemorrágico (41,4%) foram os principais motivos de internação. O Escore Perme na admissão foi 7 (1–10) e na alta 17 (9–25) (p<0,001). O grupo Com melhora importante da mobilidade (65,7%) apresentou maior pontuação no Escore Perme, maior mobilidade final e maior alcance de marcos motores (sedestação: 68,6%; saída do leito: 42,9%; deambulação: 25,7%). A regressão logística multivariada identificou sedestação e saída do leito como preditores independentes de melhora clínica da mobilidade (OR 0,24, IC95% 0,06–0,90; OR 0,05, IC95% 0,01–0,49, respectivamente). A maioria dos pacientes desta amotra com lesão cerebral aguda grave melhorou a mobilidade durante a internação na UTI. A sedestação e a saída do leito foram os principais fatores associados à melhora clínica da mobilidade, sugerindo a importância de protocolos de mobilização precoce progressiva para otimizar desfechos funcionais.

Abstract

Patients with severe acute brain injury, including traumatic brain injury (TBI) and stroke often present with reduced consciousness, requiring intensive care and facing a high risk of complications such as Intensive Care Unit (ICU) - acquired muscle weakness. Early mobilization has proven an effective strategy to minimize complications, reduce length of stay, and improve functional status. However, the factors influencing mobility evolution in these patients still need to be better understood. This study aimed to analyze the mobility of patients with acute brain injury and identify the factors associated with its evolution during their ICU stay. This was a retrospective cohort study conducted in the Emergency Sector ICU of the Hospital Metropolitano Odilon Behrens (HMOB). The convenience sample comprised medical records of patients admitted due to acute brain injury, such as TBI and stroke. Patients aged 18 years or older, admitted to the HMOB Emergency ICU from January to December 2023, were included. Patients who died, stayed in the unit for less than 24 hours, or had incomplete data for the analyzed variables were excluded. The study was approved and registered by the Ethics and Research Committee (COEP) of the Federal University of Minas Gerais (CAAE: 83031524.7.0000.514). Variables collected included demographic data, reason for admission, length of stay, severity scores (SAPS III, SOFA, and ICC), use of invasive and non-invasive mechanical ventilation, use of orotracheal tube or tracheostomy, use of sedoanalgesia, use of vasoactive drugs, and mobility data (Perme Score and mobility level). Medical records were divided into two groups: " Without significant mobility improvement" (∆ Escore Perme < 7) and "With significant clinical mobility improvement" (∆ Escore Perme ≥7). Statistical analyses included descriptive statistics, Wilcoxon, Student’s t-tests, Fisher's exact test, Pearson correlation, and multivariate logistic regression, with a significance level of 5%. Results: Of the 552 admitted patients, 70 met the inclusion criteria (72.9% men, mean age 57.3 ± 16.84 years). TBI (42.9%) and hemorrhagic stroke (41.4%) were the main reasons for admission. The Perme Score was 7 (1–10) at admission and 17 (9–25) at discharge ($p < 0.001$). The "Significant mobility improvement" group (65.7%) showed higher Perme scores, greater final mobility, and higher achievement of motor milestones (sitting: 68.6%; out-of-bed activity: 42.9%; ambulation: 25.7%). Multivariate logistic regression identified sitting and standing as independent predictors of clinically significant mobility improvement (OR 0.24, 95% CI 0.06–0.90; OR 0.05, 95% CI 0.01–0.49, respectively). Conclusion: The majority of patients in this sample with severe acute brain injury improved their mobility during the ICU stay. Sitting and standing were the main factors associated with clinically significant mobility improvement, suggesting the importance of progressive early mobilization protocols to optimize functional outcomes.

Assunto

Cérebro - Doenças, Reabilitação, Unidades de terapia intensiva, Fisioterapia

Palavras-chave

doenças do sistema nervoso; cuidados críticos; reabilitação; mobilização precoce; limitação de mobilidade.

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