Mobilidade educacional e fecundidade: uma análise pautada no status socioeconômico de origem
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Luciana Soares Luz do Amaral
André Braz Golgher
Joice Melo Vieira
Wanda Cabella
André Braz Golgher
Joice Melo Vieira
Wanda Cabella
Resumo
De forma concomitante a um aparente processo de convergência na fecundidade por
grupos socioeconômicos, observa-se uma expansão educacional generalizada na América
Latina desde as últimas décadas século XX. Nesse contexto, inserindo mais uma variável
no triângulo de classe social de origem – escolaridade – classe social de destino, vem à
tona questões relacionadas à transformação ou manutenção das intenções e do
comportamento reprodutivo por parte de mulheres que experimentaram uma mobilidade
educacional ascendente. Adicionalmente, surgem questionamentos sobre a atuação da
própria fecundidade e intenções reprodutivas como características seletivas para o
ingresso e conclusão de um nível de ensino, especialmente o ensino superior. Diante desse
cenário, o presente estudo visa analisar como e em que medida o status socioeconômico
de origem está relacionado à fecundidade das mulheres dada a recente expansão do ensino
superior no Brasil. Especificamente, pretende-se analisar, por meio de análises
descritivas, possíveis padrões de fecundidade e de expectativas futuras relacionadas ao
mercado de trabalho e à própria escolarização entre mulheres de 15 a 29 anos por
escolaridade dos pais. Além disso, buscou-se analisar, utilizando regressões de Poisson,
a existência de uma relação entre status socioeconômico de origem e a parturição de
mulheres de 25 a 34 anos e identificar, via regressões de Poisson multinível, possíveis
heterogeneidades na relação entre a escolaridade e a parturição dessas mulheres. Além
disso, valendo-se de uma decomposição multivariada não linear, buscou-se avaliar em
que medida as transformações na parturição média de mulheres dos grupos de ensino
médio e ensino superior entre anos de 1996 e 2014 se deve às diferenças na composição
desses grupos em termos das características inatas dos indivíduos, como raça, e
características socioeconômicas de origem. Utilizou-se a base de dados School to Work
Transition Survey e as PNAD’s de 1996 e 2014. Identificou-se uma forte correlação entre
a escolaridade dos pais e aspirações educacionais e ocupacionais das próprias mulheres,
o que pode ser explicado à luz da literatura de transmissão intergeracional a partir de
mecanismos como a socialização na infância. Ademais, constatou-se uma correlação
expressiva entre a parturição e o status socioeconômico de origem. Os resultados
sugerem, no entanto, que boa parte dessa correlação é mediada pela transmissão
intergeracional de escolaridade e status socioeconômico, o que pode estar correlacionado
a uma estratificação educacional horizontal nesse nível de ensino. Essa estratificação faria
com que indivíduos de diferentes origens sociais acessassem cursos com diferentes
retornos financeiros e, consequentemente, enfrentassem diferentes custos e tivessem
diferentes níveis de recursos disponíveis para a maternidade. Por fim, embora o
percentual de universitárias de primeira geração tenha se mantido relativamente constante
nos períodos e amostras analisados, os resultados sugerem que a mudança nas
características do perfil de ingressantes nos níveis superior e médio atuou de modo a
atenuar o padrão de queda na parturição média desses grupos. Esse resultado evidencia
que, embora a escolaridade seja uma variável amplamente utilizada para mensurar níveis
de fecundidade por status socioeconômico, diferenças na composição dos grupos
educacionais podem constituir uma limitação nas comparações entre diferentes períodos.
As análises realizadas na tese fomentam a discussão sobre o poder equalizador da
escolaridade, sobretudo do ensino superior, no que se refere às características
socioeconômicas e padrões reprodutivos.
Abstract
Concurrently with an apparent convergence process in fertility by socioeconomic groups,
a widespread educational expansion has been observed in Latin America since the last
decades of the 20th century. In this context, adding another variable to the social class of
origin - education - social class of destination triangle, raises questions about the
transformation or maintenance of reproductive intentions and behavior among women
who have experienced upward educational mobility. Additionally, there are concerns
about the role of fertility and reproductive intentions as selective characteristics for
entering and completing a level of education, especially higher education. Given this
scenario, the present study aims to analyze how and to what extent the socioeconomic
status of origin is related to women's fertility given the recent expansion of higher
education in Brazil. Specifically, through descriptive analyses, we intend to examine
possible patterns of fertility and future expectations related to the labor market and
education among women aged 15 to 29, based on their parents' educational attainment.
Furthermore, using Poisson regressions, we sought to explore the relationship between
socioeconomic status of origin and childbirth among women aged 25 to 34, and to
identify, through multilevel Poisson regressions, potential heterogeneities in the
relationship between education and childbirth among these women. Additionally,
employing a nonlinear multivariate decomposition, we aimed to assess the extent to
which changes in the average childbirth rate among high school and college-educated
women between the years 1996 and 2014 are due to differences in the composition of
these groups in terms of individuals' innate characteristics, such as race, and
socioeconomic characteristics of origin. We used data from the School to Work Transition
Survey and the 1996 and 2014 PNADs. A strong correlation was found between parental
education and women own educational and occupational aspirations, which can be
explained through the lens of intergenerational transmission literature, considering
mechanisms such as childhood socialization. Moreover, a significant correlation between
childbirth and socioeconomic status of origin was observed. However, the results suggest
that much of this correlation is mediated by intergenerational transmission of education
and socioeconomic status, which may be correlated with horizontal educational
stratification at this level of education. This stratification would lead individuals from
different social backgrounds to access courses with different financial returns,
consequently facing different costs and having different levels of resources available for
motherhood. Lastly, although the percentage of first-generation female university
students has remained relatively constant in the analyzed periods and samples, the results
suggest that changes in the profile of entrants into higher and secondary education have
acted to attenuate the pattern of decline in the average childbirth rate among these groups.
These finding highlights that, although education is widely used as a variable to measure
fertility levels by socioeconomic status, differences in the composition of educational
groups may limit comparisons between different periods. The analyzes carried out in the
thesis encourage discussion about the equalizing power of schooling, especially higher
education, regarding socioeconomic characteristics and reproductive patterns.
Assunto
Fecundidade humana, Mulheres na educação, Demografia
Palavras-chave
Expansão educacional, Mobilidade educacional, Fecundidade, Estratificação