Odisseia vermelha : da ambivlência do sangue ao sistema das trocas sanguíneas nas sociedades ocidentais

dc.creatorDaniel Alves de Jesus Figueiredo
dc.date.accessioned2023-07-03T01:12:35Z
dc.date.accessioned2025-09-09T00:29:16Z
dc.date.available2023-07-03T01:12:35Z
dc.date.issued2009-08-31
dc.description.sponsorshipCAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/55665
dc.languagepor
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso Aberto
dc.rights.urihttp://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/3.0/pt/
dc.subjectAntropologia - Teses
dc.subjectSangue - Transfusão - Teses
dc.subjectCiência - Teses
dc.subject.otherAntropologia da ciência
dc.subject.otherTransfusão sanguínea
dc.subject.otherAntropologia do corpo
dc.subject.otherAntropologia da saúde
dc.titleOdisseia vermelha : da ambivlência do sangue ao sistema das trocas sanguíneas nas sociedades ocidentais
dc.typeDissertação de mestrado
local.contributor.advisor1Eduardo Viana Vargas
local.contributor.advisor1Latteshttp://lattes.cnpq.br/1084045235555351
local.contributor.referee1Leonardo Hipólito Genaro Figoli
local.contributor.referee1Guilherme José da Silva e Sá
local.creator.Latteshttp://lattes.cnpq.br/6524403706351839
local.description.resumoO sangue ocupa um lugar central nas relações sociais desde as sociedades antepassadas. Presente nos mitos e nas considerações de práticas ritualísticas, ou nos tabus referentes a uma hesitação constante, o sangue designava os aspectos tanto físicos como sociais e divinos inerentes ao estatuto de humanidade. Mas na atualidade, a relação entre nós e o nosso sangue encontra-se centralizada no trabalho técnico e científico dos hemocentros. Toda essa empreitada visa ao uso terapêutico do sangue, pautado em um intenso sistema de trocas sanguíneas em sociedade. Apesar dessa mudança radical nos quadros de uma relação entre os humanos e o seu fluido sanguíneo, existe uma característica fundamental, presente nesse vínculo, que tende a se manter no decorrer da história: um sentimento de hesitação sustentado pela consideração de uma força ambivalente presente na matéria sanguínea. Isto é, o sangue que é símbolo de vida, considerado um medicamento para os dias atuais, também é símbolo de nossa mortalidade, considerado substância de risco e transmissora de agentes nocivos. Para compreender os termos dessa atual relação com o sangue é preciso um retorno ao passado no intento de rastrear os pontos de passagem que permitiram uma profunda mudança, juntamente com a manutenção de uma ambivalência do sangue, presentes em nosso vínculo com ele. O evento fundamental que permitiu uma mudança para as considerações do corpo e do sangue, no ocidente, foi o advento da circulação sanguínea no século XVII. Na passagem do período medieval para a modernidade, essa novidade científica alterou as percepções e assentimentos cosmológicos em relação ao corpo, assim como o aparato tecno-científico e a conduta de vida das pessoas nas sociedades ocidentais. Ao seguir os desdobramentos desse acontecimento científico, levando em consideração um intenso processo de continuidades e mudanças, este trabalho visa apontar que, mesmo cerceado pelos mecanismos da ciência – que considera o sangue exclusivamente em seus aspectos biológicos – o atual sistema de trocas sanguíneas continua a reiterar o papel mediador do sangue em uma associação contínua dos seus aspectos orgânicos e sociais. Desse modo, o sangue reafirma, perenemente, que o estatuto de humanidade se perfaz em uma correlação de forças que não se restringe ou apenas aos aspectos sociais, ou apenas aos aspectos naturais de nossa existência.
local.identifier.orcid0000-0002-8484-3923
local.publisher.countryBrasil
local.publisher.departmentFAF - DEPARTAMENTO DE ANTROPOLOGIA E ARQUEOLOGIA
local.publisher.initialsUFMG
local.publisher.programPrograma de Pós-Graduação em Antropologia

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