Efeitos das alterações ambientais sobre a saúde de aves silvestres utilizando hemoparasitos como indicadores
Carregando...
Data
Autor(es)
Título da Revista
ISSN da Revista
Título de Volume
Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
O estado de saúde da das aves pode ser utilizado como indicador de alterações ambientais. Diferentes tipos de estresse físicos, ambientais e antrópicos favorecem o declínio das condições de saúde das aves reduzindo sua capacidade de sobreviver e reproduzir. Uma das consequências da degradação ambiental e alterações antrópicas dos habitats é o desequilíbrio das relações parasito-hospedeiro e alterações na estrutura da comunidade de vetores, assim como a dispersão dos parasitos e o surgimento de doenças infecciosas, como a malária. Os objetivos principais desta tese foram: (i) avaliar a relação entre a prevalência de malária e a saúde das aves em áreas protegidas e urbanas em regiões de Cerrado dos estados de Minas Gerais e Tocantins, a fim de diagnosticar os fatores que influenciam a dinâmica vetor-parasito-hospedeiros nestes ambientes (Capítulo 1); e (ii) avaliar se a prevalência de malária aviária é dependente da temperatura ou da variação da riqueza em espécies em região temperada (Portugal) e tropical (Brasil), utilizando como modelo de estudo os hospedeiros Passer domesticus e de duas espécies de Turdus spp. (Capítulo 2). O diagnóstico da malária aviária foi obtido por métodos moleculares e microscopia de esfregaço sanguíneo das aves. A avaliação das condições gerais de saúde das aves foi realizada através da análise de parâmetros hematológicos: taxa de glicose, concentração de hemoglobina, volume relativo de glóbulos vermelhos (HCT) e contagem diferencial de glóbulos brancos (razão H/L), além do índice de massa corporal. Armadilhas luminosas foram utilizadas para capturar os insetos e identificar os vetores locais. A prevalência total encontrada nas aves do Cerrado de Minas Gerais e Tocantins foi de 24% de infecção e não foi influenciada pelas variações sazonais (seca e chuva) ou de ciclo de vida das aves (período reprodutivo, de muda das penas ou descanso). Quando os estados foram avaliados conjuntamente, houve diferença significativa na prevalência de aves nas áreas preservadas (25,18%) em relação às áreas urbanas (20,68%). O comportamento e ecologia das aves influenciaram na prevalência de hemoparasitos. As aves que forrageiam do subbosque ao chão foram mais prevalentes que as aves que forrageam no dossel; aves generalistas são mais prevalentes que aves exclusivas ou dependentes de mata; e quanto à guilda trófica, as aves frugívoras foram mais infectadas que as insetívoras; aves mais pesadas foram mais parasitadas. Em relação à participação em bando misto, apenas em Minas Gerais as aves que participam de bandos mistos foram mais prevalentes do que as que não participaram. O tipo de ninho não influenciou a prevalência, assim como nenhum dos fatores hematológicos foi capaz de explicar a parasitemia das aves. Em Tocantins, apenas o táxon (família das aves) pode explicar as diferentes prevalências de hemoparasitos nas aves, porém de maneira geral, com o aumento da abundância de espécies foi observada diminuição da prevalência de malária aviária. A prevalência de malária aviária no Brasil foi de 35 % em T. leucomelas e de 25 % em P. domesticus. Em Portugal, a prevalência de infecção foi de 69 % em T. merula e de 47 % em P. domesticus. Tanto para Turdus, quanto para P. domesticus, a prevalência e a intensidade de infecção foram significativamente maiores em Portugal. Indivíduos infectados apresentaram a taxa de hemoglobina significativamente menor que os não-infectados. O conhecimento dos processos ecológicos e interações complexas existentes na relação parasito-hospedeiro-vetor são necessários para direcionar as atividades de manejo na biologia da conservação, controle de doenças e biossegurança. Os resultados obtidos indicam que estes índices podem futuramente ser implementados para avaliar a saúde de aves silvestres em ambientes impactados (áreas urbanas) vs. ambientes naturais (áreas protegidas) e utilizados, por exemplo, como ferramenta na avaliação da viabilidade de reintrodução de indivíduos de cativeiro apreendidos pelos órgãos fiscalizadores. A comparação da saúde da avifauna silvestre representa um caminho na abordagem de bioindicadores de integridade ambiental em região tropical.
Abstract
Assunto
Ecologia
Palavras-chave
Ecologia, Conservação e Manejo da Vida Silvestre