Estudo prospectivo das alterações cognitivas e seus marcadores séricos em pacientes com sepse grave e choque séptico

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Introdução: A encefalopatia associada a sepse (EAS) é uma disfunção cognitiva caracterizada por novos déficits (ou piora dos déficits leves preexistentes) cognitivos globais ou da função executiva secundária a sepse, sem evidência de infecção no sistema nervoso central (SNC). EAS é frequentemente encontrada em pacientes graves internados nas unidades de terapia intensiva. A identificação de fatores de risco para EAS potencialmente modificáveis pode abrir caminho para o desenvolvimento de estratégias de prevenção e/ou tratamento para reduzir a incidência gravidade e/ou duração da deterioração cognitiva em longo prazo e melhorar a recuperação funcional em pacientes com doença crítica. Objetivos: Avaliar a cognição de pacientes com sepse ou choque séptico e relacioná-la a aspectos clínicos e laboratoriais. Métodos: Estudo de coorte prospectivo realizado em pacientes com sepse grave e choque séptico avaliados 24h após alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e em torno de um ano após a alta. Foram incluídos 33 pacientes recrutados da UTI do Hospital das Clínicas (HC) da UFMG. Foram extraídos dados demográficos, clínicos e laboratoriais, realizada dosagem de biomarcadores e dos testes neurocognitivos: Consortium to Establish a Registry for Alzheimer’s Disease (CERAD), Mini Exame do Estado Mental (MEEM), Teste de Trilhas (TT) forma A e B, Inventário de Ansiedade e depressão de Becker (IAB, IDB, respetivamente), Inventário Neuropsiquiátrico de Cummings (INC), The Informant Questionnaire on Cognitive Decline in the Elderly Brazil (IQCODE-BR) e Escala Autoaplicável de Rastreamento de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (PCL-C). Resultados: Através da bateria CERAD, do MEEM e dos TT foram verificados déficits cognitivos que se atenuaram na segunda avaliação, realizada em torno de um ano após a primeira. Alterações dos níveis séricos de BDNF, ENE, sTREM-1, IL6, IL10 e IL-17A entre as duas avaliações também foram observadas. Por meio de análise de regressões marginais a bateria CERAD, por meio de pontuação total, apresentou o melhor coeficiente de determinação (R2) entre os testes estudados, refletindo um melhor ajuste do modelo à nossa amostra. Variáveis clínicas como: reserva cognitiva, escore APACHE II, tempo transcorrido entre as avaliações, tempo entre diagnóstico da sepse e início de antibiótico, dose acumulada de haloperidol e fentanil; demográficas como escolaridade e laboratoriais como: glicemia média, nível sérico de lactato à admissão na UTI, níveis séricos das citocinas IFN-γ, IL-6, IL-10, nível sérico de sTREM-1, ENE e BDNF; estão associadas com o desempenho cognitivo e/ou alterações psiquiátricas na dependência do teste neuropsicológico utilizado. Conclusão: Diversos fatores de risco clínicos, hemodinâmicos, laboratoriais e terapêuticos estão associados ao dano cognitivo-comportamental. A intrincada relação destes fatores reforça a natureza complexa e multifatorial da EAS. Mais estudos devem ser realizados na tentativa de avaliar o impacto do controle de determinados fatores de risco identificados no desfecho cognitivo destes pacientes.

Abstract

Assunto

Encefalopatia associada a sepse, Choque séptico, Cognição, Biomarcadores, Unidades de terapia intensiva, Estudos prospectivos, Dissertações acadêmicas

Palavras-chave

Encefalopatia associada a sepse, Sepse grave, Choque séptico, CERAD, Mini exame do estado mental, Teste de trilhas, Inventário de ansiedade de Becker, Inventário de depressão de Becker, Inventário neuropsiquiátrico de Cummings, IQCODE-BR, PCL-C, BDNF, ENE, sTREM-1, IL-2, IL-4, IL-6, IL10, IL17A, TNF, IFN-γ

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