Percepções temporais e prazer e sofrimento no trabalho: um estudo com jovens trabalhadores do espro de Curitiba (PR)
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Resumo
Introdução
Nos últimos anos, as organizações vêm se modificando para se manterem
competitivas no mercado e tais mudanças decorrem, principalmente, das constantes
inovações tecnológicas e sociais ocorridas no mundo contemporâneo (SOUZA;
MENDONÇA, 2009). As fusões de grandes empresas, a concorrência nacional e
internacional, a disputa cada vez maior por espaço no mercado, a exigência de
qualidade por parte do consumidor e os imperativos de autogestão vêm delineando
significativas transformações nos âmbitos laboral, grupal e individual. Essas mudanças
perpassam também as noções de tempo e de espaço (ANTUNES, 2008), consideradas
aspectos-chaves no ambiente organizacional (ROCHA; COSTA, 2017), além de refletir
na complexidade das vivências de prazer e sofrimento no trabalho, bem como no
surgimento de patologias individuais e sociais (MENDES, 2007).
O engessamento, característico da organização do trabalho e de seus processos
clássicos, foi sistematicamente substituído pela flexibilidade no mundo do trabalho. O
que antes era lento e considerado imutável passa a ser ágil e dinâmico. Essas mudanças
incidem sobre o tempo e as percepções que se formam acerca dele, acarretando novas
formas de experimentá-lo e, daí, de organizar o trabalho, consequentemente, afetando as
vivências laborais de prazer e de sofrimento, considerando que o sofrimento é
totalmente atravessado pela dimensão temporal (DEJOURS, 1996).
Em relação à configuração do mercado de trabalho, Alves (2008) e Botelho
(2016) destacam a tendência de crescente exclusão dos jovens. Estes vivenciam uma
fase de transição da escola para o mercado de trabalho e, ao se verem sem perspectiva
de emprego, acabam buscando refúgio em trabalhos precários, na informalidade ou até
mesmo no desemprego. Acerca desse público, a Organização Internacional do Trabalho
(OIT) apresentou dados preocupantes relativos ao ano de 2017, no qual a expectativa de
desemprego entre os jovens no Brasil alcançou a maior taxa em 27 anos, com 30% das
pessoas de 15 a 24 anos em busca de uma ocupação, sendo a referida taxa mais que o
dobro da média mundial, de 13,1% (OIT, 2017).
Nesse sentido, frente a um contexto de desemprego e de empregos com vínculos
frágeis e instáveis, os jovens tendem a desenvolver percepções peculiares sobre o tempo
e tais percepções podem influenciar diretamente as vivências de prazer e de sofrimento
no trabalho. Diante disso, este estudo tem como objetivo analisar como se relacionam as
percepções temporais e as vivências de prazer e sofrimento no trabalho de jovens
trabalhadores assistidos pelo ESPRO, na cidade de Curitiba (PR). A Associação de
Ensino Social Profissionalizante, ESPRO, é uma organização sem fins lucrativos,
atuante na capacitação profissional, que promove a inclusão de jovens em situação de
vulnerabilidade social no mercado de trabalho.
Detalha-se que o estudo acerca das percepções temporais de jovens
trabalhadores se norteará nas proposições de Bluedorn e Jaussi (2007), que afirmam
existir uma heterogeneidade ao lidar com o tempo. Eles elencaram cinco dimensões
temporais, a saber: policronicidade, velocidade, pontualidade, profundidade temporal e
arrastamento. Para analisar as vivências de prazer e sofrimento, será considerada a
abordagem da psicodinâmica do trabalho, que tem como um dos principais expoentes
Christophe Dejours, em quem Ferreira e Mendes (2003) se basearam para propor quatro
instâncias de análise, a saber: contexto de trabalho, riscos do trabalho, dimensões de
prazer e sofrimento no trabalho e danos do trabalho.
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Colocar em pauta temas como tempo e prazer e sofrimento no trabalho se faz
relevante, uma vez que se trata de dimensões comumentemente relegadas no mundo dos
negócios e pouco ou mal exploradas nos estudos organizacionais (CHANLAT, 1996).
Além disso, os estudos relacionados ao comportamento humano nas organizações vêm
passando por uma renovação em que temas como esses vêm sendo incorporados,
considerando que o ser humano e seu comportamento representam mais do que uma
variável a ser medida e controlada com vistas à lucratividade (CHANLAT, 1996), mas
um emaranhado de percepções e vivências, com redes muito peculiares de influência,
que impactam o indivíduo, tanto pessoal quanto coletivamente.
Com vistas ao objetivo proposto, as referências conceituais abarcarão as
temáticas centrais e características do grupo focalizado; o percurso metodológico será
esclarecido e os dados apresentados e analisados, permitindo o delineamento das
considerações finais.
Abstract
Assunto
Jovem trabalhador, Trabalho
Palavras-chave
Percepções Temporais, Prazer e Sofrimento, Jovens Trabalhadores
Citação
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http://www.sisgeenco.com.br/sistema/cbeo/anais2018/MATRIZ/st9.html