Distribuição espacial de casos da dengue em Belo Horizonte, 2019 e síntese de indicadores intraurbanos para o controle vetorial do Aedes aegypti
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Spatial distribution of dengue cases in Belo Horizonte, 2019 and synthesis of intra-urban indicators for Aedes aegypti vector control
Primeiro orientador
Membros da banca
Resumo
Introdução: Fatores ambientais são importantes determinantes de saúde individuais
e coletivos. No caso da dengue, tais fatores explicitam quais características do
ambiente podem favorecer a proliferação do seu mosquito vetor e consequentemente
pôr em risco a população à essa doença. Objetivos: Identificar e definir indicadores
intraurbanos que contribuem para a presença do vetor Aedes aegypti e caracterizar o
ambiente construído de duas áreas vulneráveis e seus respectivos bairros
circunvizinhos, no munícipio de Belo Horizonte, Minas Gerais, Brasil, a partir do
conhecimento acerca da distribuição dos casos de dengue em 2019 neste mesmo
município. Métodos: Este estudo utilizou dados do projeto BH-Viva, projeto do
Observatório de Saúde Urbana de Belo Horizonte, que conta com um Ambiente
Estruturado de Armazenamento de dados composto por diferentes bases. Dentre elas,
o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) da Secretária Municipal
de Saúde de Belo Horizonte, utilizada neste estudo. A ocorrência de dengue foi
descrita por análises espaciais por meio do estimador de Kernel para calcular a
densidade e a razão da distribuição de casos. Empregando análise de componentes
principais (APC) via matriz de correlação, indicadores simples e compostos foram
construídos a partir da seleção de variáveis obtidas pelo método da Observação
Social Sistemática aplicado em 373 segmentos de ruas reunidos em 63 setores
censitários em 2019. Com base na literatura, foram selecionadas 20 variáveis
relevantes para a proliferação do Ae. aegypti agrupadas em 3 domínios: Infraestrutura
urbana; Cobertura vegetal e Estruturas/objetos capazes de acumular água. Valendose desses indicadores criados, o ambiente construído de duas favelas e dos bairros
do seu entorno imediato foram então comparados por meio do teste de Mann-Whitney
com nível de significância de 5%. Resultados: Os mapas de densidade e razão de
Kernel mostraram diferentes padrões de ocorrência de dengue na cidade e em ambos
se observou média e alta intensidade de casos dentro das favelas e comunidades
urbanas. Após APC restaram 13 variáveis nos 3 domínios, e os indicadores síntese
revelaram que a cidade formal possuía uma Infraestrutura urbana melhor (p<0,05) ao
apresentar mais segmentos do tipo via, presença de passeio, meio fio e postes de
iluminação pública e maior Cobertura vegetal formada por árvores, arbustos e mudas
(p<0,01). Quanto às Estruturas/objetos potenciais acumuladores de água, foi
observado nas áreas vulneráveis maior presença de superfícies formadoras de poças
como laje de casas sem telhado, passeios e pavimentação de ruas públicas
danificadas além de contêineres diversos (pneus, garrafas, copos de plástico, latas,
sacolas de plástico) e outros possíveis reservatórios a céu aberto (pratinho de vasos
de plantas, baldes, cisternas) (p<0,01). Conclusão: Os indicadores propostos
forneceram informações úteis ao planejamento de ações de vigilância adaptadas aos
diferentes contextos urbanos. Mostraram também potencial utilização em análises
futuras de associação entre o ambiente físico e a ocorrência da dengue e de outras
arboviroses de impacto para a saúde pública no Brasil.
Abstract
Introduction: Environmental factors are important determinants of individual and
collective health. In the case of dengue, such factors elucidate what environmental
characteristics can favor the proliferation of its vector mosquito and consequently pose
a risk to the population for this disease. Objectives: To identify and define intra-urban
indicators that contribute to the presence of the Aedes aegypti vector and to
characterize the built environment of two vulnerable areas and their surrounding
neighborhoods in the municipality of Belo Horizonte, Minas Gerais, Brazil, based on
the knowledge about the distribution of dengue cases in 2019 in this same municipality.
Methods: This study used data from the BH-Viva project, a project of the Belo
Horizonte Urban Health Observatory, which has a Structured Data Storage
Environment composed of different databases. Among them is the Notifiable Diseases
Information System (SINAN) from the Belo Horizonte Municipal Health Department,
which was used in this study. The occurrence of dengue was described by spatial
analyses using the Kernel estimator to calculate the density and rate of case
distribution. Using principal component analysis (PCA) via the correlation matrix,
simple and composite indicators were constructed from the selection of variables
obtained by the Systematic Social Observation method applied in 373 street segments
grouped into 63 census tracts in 2019. Based on the literature, 20 relevant variables
for the proliferation of Ae. aegypti were selected, grouped into 3 domains: Urban
infrastructure; Vegetative cover, and Structures/objects capable of accumulating
water. Using these created indicators, the built environment of two slums and their
immediate surrounding neighborhoods were then compared using the Mann-Whitney
test with a significance level of 5%. Results: The Kernel density and rate maps showed
different patterns of dengue occurrence in the city, and both showed medium and high
intensity of cases within the slums and urban communities. After PCA, 13 variables
remained in the 3 domains, and the synthetic indicators revealed that the formal city
had better Urban Infrastructure (p<0.01), with more road segments, sidewalks, curbs,
and street lighting poles and greater Vegetative cover consisting of trees, shrubs, and
seedlings (p<0.05). Regarding structures/objects potentially accumulating water, it was
observed in vulnerable areas a higher presence of surfaces forming puddles such as
house roofs without tiles, damaged sidewalks and public street pavements, as well as
various containers (tires, bottles, plastic cups, cans, plastic bags) and other possible
open reservoirs (plant pot saucers, buckets, cisterns) (p<0.01). Conclusion: The
proposed indicators provided useful information for planning surveillance actions
adapted to different urban contexts. They also showed potential for future analyses of
the association between the physical environment and the occurrence of dengue and
other arboviruses affecting public health in Brazil.
Assunto
Ambiente Construído, Dengue, Análise Espacial, Aedes
Palavras-chave
Ambiente construído, Dengue, Análise espacial