Transitividade na esquizofrenia: comparação dos relatos orais de eventos psicóticos entre grupos clínico e não clínico

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Membros da banca

Andre Luiz Elias de Souza
Antonio Marcio Ribeiro Teixeira
Sergio Augusto Chagas de Laia
Sueli Maria Coelho

Resumo

Este trabalho apresenta os resultados de uma análise estatística da correlação entre aestrutura formal transitiva e diferentes valores semânticos em relatos orais de umapopulação clínica e uma não clínica. Baseado no quadro teórico da LinguísticaCognitiva, formas transitivas utilizadas por pacientes com esquizofrenia foramcomparadas com aquelas utilizadas por participantes sem histórico de transtornospsiquiátricos. Essa pesquisa teve o objetivo de estabelecer a relação entre a prevalênciade certos padrões linguísticos e uma estrutura cognitiva esquemática (um núcleoconceptual) associado a eventos delirantes e alucinatórios. As análises mostram umacorrelação significativa entre 1) a sintaxe transitiva e um conjunto específico de valoressemânticos e 2) a construção transitiva prototípica e o discurso de pacientes comesquizofrenia. O primeiro resultado foi utilizado para uma reanálise do conceito deconstrução transitiva em termos de parâmetros estatisticamente específicos da sintaxetransitiva, o que nos levou a uma definição mais estrita das construções de estruturaargumental. O segundo resultado foi interpretado como uma evidência de um núcleoconceptual, i.e., uma estrutura esquemática prototípica associada ao discurso oral dospacientes com esquizofrenia. Esses resultados corroboram a hipótese de Lepesqueur(2015, prelo) de um esquema semiótico específico envolvido na construção designificado na esquizofrenia. Para esse autor, parte do delírio pode ser entendido comoum processo de integração conceptual organizado por um esquema de interação icônicoespecífico. Em outras palavras, a natureza icônica do delírio e da alucinação pressiona agrade linguística disponível em direção ao maior uso de construções transitivas. Estesresultados sugerem, ainda que de forma preliminar, a possibilidade de se descrever aesquizofrenia também sobre uma base linguística.

Abstract

This work presents the results of a statistical usage-based analysis of thecorrelation between the transitivity formal structure and different semantic values in thediscourse of a clinical and a non-clinical population. Based on the theoreticalframework of Cognitive Linguistics, transitivity forms used by patients withschizophrenia were compared with those used by participants without psychiatricdisorders. This investigation had the objective of establishing a relation between theprevalence of certain linguistic patterns and a schematic cognitive structure (aconceptual core) associated to delusional and hallucinatory events. The study shows asignificant correlation between 1) the transitive syntax and a specific set of semanticvalues and 2) the transitivity construction and schizophrenia discourse. The first resultwas used for a reanalysis of the transitivity construction concept in terms of semanticparameters statistically specific to the transitivity syntax, which leads us to a narrowdefinition of the argument structure construction. The second result was interpreted asevidence of a schematic conceptual core, i.e. a prototypical schematic cognitivestructure associated to the speech of patients with schizophrenia, which supportsLepesqueurs (2015, in press) hypothesis of a certain semiotic scheme in theconstruction of meaning in schizophrenia. For this author, part of the delusion can beunderstood as a conceptual blending process organized by an iconic interaction scheme.In other words, the iconic nature of the delusion constrains the linguistic grid availabletowards a greater number of transitive constructions. These findings suggest, albeit in apreliminary way, the possibility of describing schizophrenia also on a linguistic basis.

Assunto

Lingüística, Esquizofrenia, Semiótica, Cognição

Palavras-chave

esquizofrenia, transitividade, semiótica cognitiva, linguística cognitiva, construção estrutura de argumentos

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