Dados brasileiros do mundo real sobre imunoterapia em câncer de pulmão de células pequenas com doença extensa
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Brazilian real-world data of immunotherapy in extensive stage small cell lung cancer
Primeiro orientador
Membros da banca
André Márcio Murad
Carlos Gil Moreira Ferreira
Gabriel Oliveira Bernardes Gil
Carlos Gil Moreira Ferreira
Gabriel Oliveira Bernardes Gil
Resumo
Objeto da pesquisa: os marcos da oncologia torácica nas duas últimas décadas têm sido acompanhados por crescimentos exponenciais dos custos, o que torna imperativa a avaliação do real benefício da incorporação de novas tecnologias, principalmente aquelas com ganhos marginais. A combinação de imunoterapia (IO) com quimioterapia à base de platina-etoposídeo tornou-se o padrão de cuidado no tratamento de primeira linha do carcinoma de células pequena, doença extensa (CPCP-DE), embora a diferença absoluta na sobrevida global (SG) mediana tenha atingido três meses. Esse estudo teve como objetivo investigar o impacto dessa intervenção em uma coorte do mundo real de um país de renda média.
Objetivos e metodologia: após aprovação pelo Comitê de Ética local, foram analisados retrospectivamente os dados dos pacientes com CPCP - DE das unidades de Salvador, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e São Paulo da Oncoclinicas, o maior grupo de oncologia da América Latina, diagnosticados e tratados entre janeiro de 2018 e junho de 2022. Os objetivos primários foram a SG mediana e o tempo mediano para início de nova linha de tratamento (mTNT) de acordo com a exposição a imunoterapia no cenário de primeira linha. Como objetivo secundário, comparamos esses resultados com uma coorte contemporânea tratada com quimioterapia isolada. Características clínicas relevantes que possam impactar os resultados foram também avaliadas.
Resultados: Oitenta e cinco pacientes com CPCP foram incluídos nesta análise. A mediana de idade foi de 69 anos, 49% eram do sexo masculino, 57% eram tabagistas e apenas 10% apresentava ECOG 2-3. Ao diagnóstico, 80% apresentavam CPCP - DE e 20% apresentavam metástase no sistema nervoso central. Os esquemas de primeira linha foram atezolizumabe + platina-etoposídeo em 53%, platina-etoposídeo em 36% e platina-irinotecano em 11%. O seguimento mediano foi de 9 meses. Entre os pacientes com CPPC - DE que receberam IO em seu tratamento de primeira linha, a mediana de mSG foi de 15,0 meses (IC 95: 11,20; 18,80) em comparação com 9,0 meses (IC 95: 2,08; 19,92) naqueles que não receberam IO (p = 0,672). O TNT mediano da primeira linha IO foi de 8,0 meses (IC 95: 6,25; 9,75) em comparação com 7,0 meses (IC 95: 5,88; 8,12) daqueles que receberam apenas quimioterapia (p = 0,759).
Conclusão: Nossos dados reforçam o impacto positivo da IO no tratamento de primeira linha do CPCP - DE, com SG mediana comparável aos ensaios clínicos em cenário de vida real em um país de renda média. Até então, as poucas coortes avaliando o papel da IO nessa neoplasia são limitadas a países de alta renda. Entretanto, amostras maiores, acompanhamento mais longo e análises prospectivas poderão acrescentar evidências mais robustas.
Abstract
Background: The landmarks of thoracic Oncology in the last two decades have been
accompanied by exponential growths in costs, which makes imperative the assessment of the
real benefit of new technologies incorporations, particularly those with marginal gains. The
combination of immunotherapy (IO) with platinum-etoposide chemotherapy has become the
standard of care in first-line treatment of extensive stage small cell lung cancer (ES-SCLC),
although the absolute difference in median overall survival (OS) has reached three months. This
study aimed to investigate the impact of this intervention in a real-world cohort of a middleincome country.
Objetivies and methods: We retrospectively analyzed data from all ES-SCLC patients from
Oncoclinicas, the largest community oncology practice in Latin America, diagnosed and treated
between January 2018 and June 2022. Primary objectives were median OS (mOS) and median
time to next treatment (mTNT) according to IO exposure in the first-line setting. Secondarily,
we intent to compare these results with an internal and contemporary cohort of patients treated
with chemotherapy alone. Relevant clinical characteristics which might impact the results were
also evaluated. The project was approved by local Ethics Committee.
Results: Eighty-five patients with SCLC were included in this analysis. The median age was
69 years, 49% were male, 57% had smoking history, and only 10% had ECOG 2-3. At
diagnosis, 80% presented with ES-SCLC and 20% had central nervous system metastasis. First
line regimens were atezolizumab + platinum-etoposide in 53%, platinum-etoposide in 36% and
platinum-irinotecan in 11%. Median follow-up was 9.0 months. Among ES-SCLC pts who
received IO in their first-line treatment, median mOS was 15.0 months (95 CI: 11.20; 18.80)
compared to 9.0 months (95 CI: 2.08; 19.92) in those who did not receive IO (p = 0,672).
Median TNT of the first line IO was 8.0 months (95 CI: 6.25; 9.75) compared to 8.0 months
(95 CI: 5.88; 8.12) of those who received chemotherapy only (p = 0,759).
Conclusions: There are few real-world cohorts evaluating the impact of IO in ES-SCLC and
they are limited to high-income countries. Our data suggest that IO may have a meaningful
impact in the outcome of ES-SCLC in in a real-world setting of a middle-income country, with
median OS comparable to clinical trials. Larger sample, longer follow-up as well as prospective
analysis may add more robust evidence.
Assunto
Carcinoma de Pequenas Células do Pulmão, Imunoterapia, Cooperação Internacional, Oncologia, Pacientes, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
imunoterapia, carcinoma de pequenas células de pulmão, doença extensa, dados de mundo real