Coexistência e prevalência de intervenções obstétricas: análise sobre os modelos de assistência ao parto em maternidades públicas e privadas de Belo Horizonte
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Dissertação de mestrado
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Primeiro orientador
Membros da banca
Elysângela Dittz Duarte
Eunice Francisca Martins
Eunice Francisca Martins
Resumo
Introdução A coexistência de intervenções obstétricas durante o trabalho de parto está associada ao
modelo de assistência ao parto e a vários fatores que podem influenciar essa relação. O objetivo deste
estudo foi avaliar os perfis de coexistência e prevalência de intervenções obstétricas em maternidades
públicas e privadas na cidade de Belo Horizonte e investigar os fatores sociodemográficos, obstétricos
e do modelo hospitalar associados a estes perfis. Métodos: Trata-se de uma revisão integrativa da
literatura e de um estudo observacional com delineamento transversal, realizado com dados da pesquisa
“Nascer em Belo Horizonte: Inquérito sobre o Parto e Nascimento”, em sete maternidades que atendem
à rede pública de saúde e em quatro maternidades que prestam assistência à rede suplementar de saúde
de Belo Horizonte – Minas Gerais, Brasil. Realizou-se a estratégia de busca na base de dados Pubmed,
e selecionaram-se artigos sobre o modelo de assistência ao parto. Ao final, incluíram-se 20 artigos. No
estudo transversal, as intervenções analisadas foram: oferecimento de dieta, liberdade para
movimentação, uso de partograma, métodos não farmacológicos para alívio da dor, enema, tricotomia,
posição deitada para o parto, Kristeller, amniotomia, infusão de ocitocina, analgesia e episiotomia. Para
a construção dos perfis, consideraram-se as variáveis idade, escolaridade, cor de pele, primigesta,
financiamento do local de parto, número de consultas de pré-natal, idade gestacional no parto, presença
de enfermeira(o) obstétrica(o), trabalho remunerado e acompanhante durante o parto. Neste estudo,
utilizou-se o método do Grade of Membership (GoM). Para verificar a magnitude da associação entre
os perfis gerados de coexistência da realização de intervenções obstétricas e seus possíveis
determinantes, construíram-se modelos de regressão de Poisson. Resultados: A análise dos artigos
selecionados levou à construção de quatro categorias: caracterização dos modelos; avaliação dos
modelos; mudança no modelo e desafios para mudança de modelo. Observou-se, ainda, a existência de
dois modelos assistenciais antagônicos nas instituições: o medicalizado e o não medicalizado. No estudo
epidemiológico, os resultados apontaram, também, para a existência de dois perfis obstétricos
antagônicos: construiu-se o perfil 1 por parturientes que tiveram oferecimento de dieta, liberdade de
movimentação, uso de partograma, métodos não farmacológicos para alívio da dor, pariram na posição
deitada, não foram submetidas à manobra de Kristeller, episiotomia nem amniotomia e não receberam
infusão de ocitocina e uso de analgesia. Ao se analisar os fatores que influenciaram a coexistência das
intervenções obstétricas, observou-se que o financiamento do hospital do parto influenciou na maior
chance de as mulheres pertencerem ao perfil 2. Entretanto, quando o hospital dispunha, na cena do parto,
da presença do profissional enfermeira(o) obstétrica(o) atuante, houve redução na chance de
pertencerem ao perfil 2. Estes resultados explicitaram, ainda, que todas as mulheres pertencentes a
determinado perfil tenderam a receber o mesmo conjunto de intervenções, demonstrando que a
coexistência de intervenções obstétricas nos perfis define dois modelos de assistência ao parto.
Conclusão: Apesar de avanços em direção à adesão a um modelo baseado em evidências científicas,
ainda há predominância de um modelo reducionista e medicalizado que remete ao poder profissional.
Este estudo contribui nas discussões acerca das intervenções obstétricas, bem como nos modelos de
assistência ao parto, visando à implementação de políticas públicas que assegurem uma assistência
pautada nas boas práticas ao parto e nascimento.
Abstract
Introduction The coexistence of obstetric interventions during labor is associated with the
model of childbirth care and several factors that may influence this relationship. The aim of this
study was to evaluate the coexistence and prevalence profiles of obstetric interventions in public
and private maternity hospitals in the city of Belo Horizonte and to investigate the
sociodemographic, obstetric and hospital model factors associated with these profiles.
Methods: This is an integrative literature review and an observational study with cross sectional design, carried out with data from the research "Nascer em Belo Horizonte: Inquérito
sobre o parto e Nascimento", in seven maternity hospitals that serve the public health network
and in four maternity hospitals that provide care to the supplementary health network in Belo
Horizonte - Minas Gerais, Brazil. Search strategy was carried out in the Pubmed database, and
articles that addressed the model of childbirth care were selected. At the end, 20 articles were
included. In the cross-sectional study, the interventions analyzed were: offering of diet, freedom
to move, use of partogram, non-pharmacological methods for pain relief, enema, trichotomy,
lying down position for labor, Kristeller, amniotomy, oxytocin infusion, analgesia and
episiotomy. To build the profiles, the variables age, education, skin color, primigravida,
financing the place of delivery, number of prenatal visits, gestational age at delivery, presence
of an obstetric nurse, paid work, and companion during delivery were considered. The Grade
of Membership (GoM) method was used in this study. To verify the magnitude of the
association between the generated profiles of coexistence of the performance of obstetric
interventions and their possible determinants. Poisson regression models were constructed.
Results: The analysis of the selected articles led to the construction of four categories:
characterization of the models; avaluation of the models; Model change and challenges for
model change. It was also observed the existence of two antagonistic care models in the
institutions: the medicalized and the non-medicalized. In the epidemiological study, the results
also pointed to the existence of two antagonistic obstetric profiles: profile 1 was constituted by
parturients who were offered a diet, had freedom of movement, used a partogram, had non pharmacological methods for pain relief, had given birth in the liying down position, had not
been submitted to the were not submitted to Kristeller maneuver, episiotomy or amniotomy,
and did not receive oxytocin infusion and use of analgesia. When analyzing the factors that
influenced the coexistence of obstetric interventions, it was observed that the financing of the
delivery hospital influenced the greater chance of women belonging to profile 2. However,
when the hospital had an obstetric nurse present at the delivery scene, there was a reduction in
the chance of belonging to profile 2. These results also showed that all women belonging to a
given profile tended to receive the same set of interventions, demonstrating that the coexistence
of obstetric interventions in the profiles defines two models of childbirth care. Conclusion:
Despite advances towards adherence to a model based on scientific evidence, there is still
predominance of a reductionist and medicalized model, which refers to professional power.
This study contributes to the discussions about obstetric interventions, as well as models of
childbirth care, aiming at the implementation of public policies that ensure care based on good
labor and birth practices.
Assunto
Enfermagem Obstétrica, Tocologia, Trabalho de Parto, Modelos de Assistência à Saúde, Estudo Observacional, Parto Humanizado, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Enfermagem obstétrica, Trabalho de parto, Obstetrícia, Parto humanizado, Nascimento
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