Excesso de peso em crianças e adolescentes com Fenilcetonúria: características clínicas e alterações metabólicas

dc.creatorViviane de Cassia Kanufre
dc.date.accessioned2019-08-10T13:05:27Z
dc.date.accessioned2025-09-08T23:42:45Z
dc.date.available2019-08-10T13:05:27Z
dc.date.issued2012-06-19
dc.description.abstractO excesso de peso é, hoje, um problema de saúde pública em vários países. Dados do Ministério da Saúde indicam que quase metade da população brasileira encontra-se acima do peso. Em nossa experiência, no atendimento de crianças e adolescentes com fenilcetonúria, temos observado que também nesse grupo os números são preocupantes. Em dois anos de intervalo (2007/2009), observamos um aumento na prevalência de excesso de peso nesses indivíduos. Assim, com o objetivo de identificar características clínicas e metabólicas das crianças e adolescentes com excesso de peso, decidimos realizar esse estudo. Participaram da investigação pacientes de 4 a 15 anos de idade, em tratamento no Ambulatório de Fenilcetonúria. Foram constituídos dois grupos: excesso de peso (n=29) e eutróficos (n=29). O grupo excesso de peso foi classificado de acordo com o Índice de Massa Corporal, considerando o percentil p> 85. Os sujeitos da pesquisa responderam a um questionário de frequência alimentar para cálculo da ingestão de macronutrientes. Foram também estimadas a massa magra e massa adiposa. Os pacientes foram submetidos à realização de calorimetria indireta, para determinação da taxa de metabolismo de repouso (TMR). Foram colhidas amostras de sangue para a determinação das concentrações de leptina, fenilalanina, glicemia, insulina basal, triglicérides, colesterol total e HDL-c. A resistência à insulina foi calculada pelo modelo matemático de Matheus et al. (1985). As variáveis foram comparadas pelos testes t Student ou Mann Whitney e para associação, foram utilizados os testes Qui-quadrado de Pearson ou de tendência. A correlação das variáveis foi realizada de acordo com o teste de Spearman. Os fenilcetonúricos com excesso de peso apresentaram menor ingestão, em valores absolutos, de lipídios, carboidratos, calorias totais e maior ingestão proteica na análise por percentuais. O grupo com excesso de peso apresentoumassa adiposa, massa magra e relação AMB/estatura significativamente maiores do que os eutróficos. Houve diferença significativa entre os grupos na relação TMR/AMB e TMR/peso, com valores mais elevados no grupo dos eutróficos. Foram encontradas correlações positivas entre os valores de leptina, da TMR, da insulina e do HOMA com a circunferência da cintura no grupo excesso de peso. Os dois grupos apresentaram correlação positiva entre a TMR-c e os valores de HOMA. O grupo excesso de peso apresentou valores maiores de leptina, triglicérides, CT/HDL-c, insulina basal e HOMA e valores menores de HDL-c, em relação aos eutróficos. A fenilcetonúria, por si só, parece não interferir no balanço energético dos fenilcetonúricos, pois os resultados das análises da TMR encontrados nesse estudo não diferiram dos resultados daqueles sem a doença. O relato de consumo alimentar no grupo excesso de peso parece estar subestimado. Os níveis aumentados de triglicérides e o consumo proteico nesse grupo podem confirmar esta hipótese. É necessário, mediante os resultados encontrados, que sejam iniciadas discussões pela Equipe do Ambulatório de Fenilcetonúria, para adequação do Protocolo de Atendimento. Além do monitoramento das dosagens de phe, lípides, glicemia e insulina basal nos pacientes com excesso de peso, que apresentem curva ascendente da medida da circunferência abdominal, é imperativo que se busquem propostas eficazes de prevenção. Orientações nutricionais devem ser enfatizadas para modificar o hábito alimentar, diminuindo a ingestão de açúcar, bem como a mudança do estilo de vida, com incentivo à prática de atividade física regular. Medidas tais que podem favorecer a redução da circunferência abdominal, da gordura visceral e melhorar a sensibilidade à insulina, além de diminuir as concentrações plasmáticas de glicose e triglicérides, aumentar os valores de HDL colesterol e, consequentemente, reduzir os fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e de doenças cardiovasculares.
dc.identifier.urihttps://hdl.handle.net/1843/BUOS-8ZKLQW
dc.languagePortuguês
dc.publisherUniversidade Federal de Minas Gerais
dc.rightsAcesso Aberto
dc.subjectFenilcetonúrias
dc.subjectComposição corporal
dc.subjectIngestão de alimentos
dc.subjectBioquímica
dc.subjectAvaliação nutricional
dc.subjectObesidade
dc.subjectMacronutrientes
dc.subjectCalorimetria
dc.subjectInsulina/uso terapêutico
dc.subject.otherLipídios
dc.subject.otherHiperfenilalanina
dc.subject.otherCrianças e adolescentes
dc.subject.otherLeptina
dc.subject.otherExcesso de peso
dc.subject.otherCalorimetria
dc.subject.otherResistência à insulina
dc.subject.otherFenilcetonúria
dc.titleExcesso de peso em crianças e adolescentes com Fenilcetonúria: características clínicas e alterações metabólicas
dc.typeTese de doutorado
local.contributor.advisor-co1Ana Lucia Pimenta Starling
local.contributor.advisor1Rocksane de Carvalho Norton
local.contributor.referee1Ana Lucia Pimenta Starling
local.contributor.referee1Marcos Jose Burle de Aguiar
local.contributor.referee1Ann Kristine Jansen
local.contributor.referee1Cristiane de Freitas Cunha
local.contributor.referee1Ana Lucia Rissoni dos Santos Regis
local.description.resumoO excesso de peso é, hoje, um problema de saúde pública em vários países. Dados do Ministério da Saúde indicam que quase metade da população brasileira encontra-se acima do peso. Em nossa experiência, no atendimento de crianças e adolescentes com fenilcetonúria, temos observado que também nesse grupo os números são preocupantes. Em dois anos de intervalo (2007/2009), observamos um aumento na prevalência de excesso de peso nesses indivíduos. Assim, com o objetivo de identificar características clínicas e metabólicas das crianças e adolescentes com excesso de peso, decidimos realizar esse estudo. Participaram da investigação pacientes de 4 a 15 anos de idade, em tratamento no Ambulatório de Fenilcetonúria. Foram constituídos dois grupos: excesso de peso (n=29) e eutróficos (n=29). O grupo excesso de peso foi classificado de acordo com o Índice de Massa Corporal, considerando o percentil p> 85. Os sujeitos da pesquisa responderam a um questionário de frequência alimentar para cálculo da ingestão de macronutrientes. Foram também estimadas a massa magra e massa adiposa. Os pacientes foram submetidos à realização de calorimetria indireta, para determinação da taxa de metabolismo de repouso (TMR). Foram colhidas amostras de sangue para a determinação das concentrações de leptina, fenilalanina, glicemia, insulina basal, triglicérides, colesterol total e HDL-c. A resistência à insulina foi calculada pelo modelo matemático de Matheus et al. (1985). As variáveis foram comparadas pelos testes t Student ou Mann Whitney e para associação, foram utilizados os testes Qui-quadrado de Pearson ou de tendência. A correlação das variáveis foi realizada de acordo com o teste de Spearman. Os fenilcetonúricos com excesso de peso apresentaram menor ingestão, em valores absolutos, de lipídios, carboidratos, calorias totais e maior ingestão proteica na análise por percentuais. O grupo com excesso de peso apresentoumassa adiposa, massa magra e relação AMB/estatura significativamente maiores do que os eutróficos. Houve diferença significativa entre os grupos na relação TMR/AMB e TMR/peso, com valores mais elevados no grupo dos eutróficos. Foram encontradas correlações positivas entre os valores de leptina, da TMR, da insulina e do HOMA com a circunferência da cintura no grupo excesso de peso. Os dois grupos apresentaram correlação positiva entre a TMR-c e os valores de HOMA. O grupo excesso de peso apresentou valores maiores de leptina, triglicérides, CT/HDL-c, insulina basal e HOMA e valores menores de HDL-c, em relação aos eutróficos. A fenilcetonúria, por si só, parece não interferir no balanço energético dos fenilcetonúricos, pois os resultados das análises da TMR encontrados nesse estudo não diferiram dos resultados daqueles sem a doença. O relato de consumo alimentar no grupo excesso de peso parece estar subestimado. Os níveis aumentados de triglicérides e o consumo proteico nesse grupo podem confirmar esta hipótese. É necessário, mediante os resultados encontrados, que sejam iniciadas discussões pela Equipe do Ambulatório de Fenilcetonúria, para adequação do Protocolo de Atendimento. Além do monitoramento das dosagens de phe, lípides, glicemia e insulina basal nos pacientes com excesso de peso, que apresentem curva ascendente da medida da circunferência abdominal, é imperativo que se busquem propostas eficazes de prevenção. Orientações nutricionais devem ser enfatizadas para modificar o hábito alimentar, diminuindo a ingestão de açúcar, bem como a mudança do estilo de vida, com incentivo à prática de atividade física regular. Medidas tais que podem favorecer a redução da circunferência abdominal, da gordura visceral e melhorar a sensibilidade à insulina, além de diminuir as concentrações plasmáticas de glicose e triglicérides, aumentar os valores de HDL colesterol e, consequentemente, reduzir os fatores de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e de doenças cardiovasculares.
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