Parentalidade na perda gestacional : o tempo de luto para o retorno às atividades profissionais - aspectos emocionais e legais
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Gestational loss: emotional and legal aspects
Primeiro orientador
Membros da banca
Bárbara Fernandes de Carvalho Figueiredo
Zeni Carvalho Lamy
Sara de Pinho Cunha Paiva
Flávia Cristina de Carvalho Mrad
Helian Nunes de Oliveira
Zeni Carvalho Lamy
Sara de Pinho Cunha Paiva
Flávia Cristina de Carvalho Mrad
Helian Nunes de Oliveira
Resumo
O repouso remunerado de mulheres, pautado pela lei brasileira, após perda
gestacional menor que 22 semanas é de apenas duas semanas. Com relação ao pai,
inexiste licença trabalhista nesta situação, acentuando uma desigualdade de gênero.
Através de entrevistas semiestruturadas propõe-se verificar as condições emocionais
das mães e suas vivências, para retorno as atividades profissionais pós-perda
gestacional espontânea. As condições emocionais dos pais para manter a rotina de
trabalho, sob a ótica de suas companheiras, foi também objeto de investigação, além
de conhecer a dor paterna pelos relatos de alguns pais presentes nas entrevistas.
Utilizou-se perguntas norteadoras para verificar percepções do momento que estavam
vivendo, sobre adaptação à rotina de vida e sobre o luto e qualidade do exercício
profissional. Originou-se oito categorizações, a partir dos núcleos de sentido das
entrevistas: sintomas do luto; tempo de retorno ao trabalho e rotina; não
reconhecimento do luto pela sociedade; luto e espiritualidade; relação cuidador
(hospital)/paciente; dor paterna; querer alguém consigo; quem é este bebê. O retorno
das mães enlutadas ao trabalho e o amparo na religião foram estratégias de
elaboração do luto (terapia laboral) e de enfrentamento. Nas entrevistas, foram
evidenciados os sentimentos: sensação de perda de controle da própria vida, quebra
de sonhos, sentimento de incompletude, culpa e derrota pessoal. Sentimentos de
menos valia como mulher em relação a visão do feminino pela sociedade. Evidenciouse uma vulnerabilidade trabalhista, com necessidade de assistir o pai, na perda
gestacional, dor não reconhecida e não amparada legalmente. Para as mulheres a
perda não foi só do bebê, evidenciou-se perdas subjetivas, perda de identidade, ideal,
erotismo e do papel da mulher. A relação da mulher com ela mesma, com outra
mulher, a maternidade, com o ideal, dentre outras, são temas significativos levando a
abrir espaço para mais investigação na abordagem do luto gestacional.
Abstract
The paid rest for women, according to Brazilian law, related to cases of gestational
loss with less than 22 weeks, is it equivalent to two weeks. Regarding the father, we
have no labor license in this situation, which accentuates gender inequality. With the
use of semi-structured interviews, this work addresses the emotional conditions of
mothers and their experiences, evaluating if they can return to professional activities
after spontaneous pregnancy loss. The father’s emotional conditions to maintain their
usual work routine, seen from the eyes of their partners was also an object of
investigation. Some fathers also gave testimonies expressing their grief during the
process. Guiding questions were used to verify their perception on the moment they
went through. These questions were related to their adaptation of routine, their
mourning, and the quality of their own professional practice. After analysing the
testimonies and their respective meanings, eight categorizations emerged: symptoms
of grief; time to return to work and routine; non-recognition of mourning by society; grief
and spirituality; caregiver (hospital) / patient relationship; paternal pain; the need of
wanting someone with you; Who is this baby. Some of the strategies bereaved mothers
used in order to cope, were seeking support in religion and in work. During the
interviews, some feelings were highlighted: loss of control over one’s life; shattered
dreams; feeling of incompleteness; guilt and personal defeat; and feelings of being
considered “less of a Woman” by society’s eyes. A labor vulnerability was shed to light,
with regard of assisting the fathers in their grief during the gestational loss, a pain that
is neither recognized nor legally supported. For women, the loss was not only of their
babies, there was also subjective loss, loss of identity, loss of ideal, eroticism and their
role as women. The women’s resolution towards themselves, to other women,
motherhood, the ideal of a woman, among others, are significant themes, that lead the
opening for a space of further investigation in how to approach and deal with
gestational mourning.
Assunto
Licença Parental, Morte Fetal, Aborto Espontâneo/psicologia, Luto, Adaptação Psicológica, Saúde da Mulher
Palavras-chave
Licença parental, Luto, Óbito fetal, Saúde do trabalhador, Aborto espontâneo