No rastro do outro, nos restos de mim: rubricar o irmão, esconder Narciso
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Editor
Universidade Federal de Minas Gerais
Descrição
Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Primeiro orientador
Membros da banca
Marcelino Rodrigues da Silva
Reinaldo Martiniano Marques
Claudia Dias Sampaio
Paulo Roberto Barreto Caetano
Reinaldo Martiniano Marques
Claudia Dias Sampaio
Paulo Roberto Barreto Caetano
Resumo
Para o desenvolvimento desta investigação, as obras que compõem o corpus analítico são A Resistência, de Julián Fuks, publicada pela Companhia das Letras em 2015, e De mim já nem se lembra, de Luiz Ruffato, cuja primeira edição foi lançada em 2007, sob encomenda da Editora Moderna, com uma versão definitiva publicada em 2016, também pela Companhia das Letras. Partimos da tentativa de entender o papel da memória familiar na construção de narrativas autoficcionais. Este exercício, ao misturar as fronteiras entre realidade e ficção, revela outras linhas de transgressão que emergem quando o sujeito se torna referên-cia em seu próprio discurso. A recepção, marcada pela oscilação entre o real e o ficcional, premissa da autoficção, pode ser potencializada por rastros de identidade autoral, mas também por elementos que sustentem o pacto ambíguo. A memória familiar seria um desses elementos fomentadores desse pacto necessário à recepção das obras? Nesse sentido, com base na indagação investigativa de Philippe Gasparini (2004) “é este autor que reconta a sua vida ou a personagem fictícia?”, desenvolvemos nossa chave analítica sobre obras contemporâneas e autoficcionais. Ambas as obras possuem, como ponto de contato, a correspondência com os irmãos, que se tornam o motivo da escrita, seu material e o locus psicológico e afetivo dentro da narrativa. A hipótese interpretativa central consiste em afirmar que os enredos de A Resistência e De mim já nem se lembra articulam memórias por meio da linguagem, buscando nos traços dos irmãos – um que se isolou e outro que faleceu – o reconhecimento de si próprio. Narrar o outro, assim, expõe as dobras da própria fisionomia.
Abstract
The works analyzed in this study are Julián Fuks's A Resistência (Companhia das Letras, 2015) and Luiz Ruffato's De mim já nem se lembra (2007, Editora Moderna; definitive version in 2016, Companhia das Letras). Our starting point is the attempt to understand the role of family memory in constructing autofictional narratives. These narratives blur the boundaries between reality and fiction, revealing other transgressed limits when the subject becomes the discourse’s referent. Reception, oscillating between real and fictional ele-ments, inherent to autofiction, may be enhanced by traces of authorial identity or by other elements that guarantee an ambiguous pact. Would family memory be one of these ele-ments supporting the reception of the works? Based on Philippe Gasparini’s (2004) investi-gative question, “Is it the author recounting their life or the fictional character?”, we devel-oped our analytical approach to contemporary autofictional works. Both novels share a common theme: correspondence with siblings, who become the reason for writing and the psychological and emotional locus of the narrative. Our reading hypothesis affirms that the plots of A Resistência and De mim já nem se lembra use language to elaborate memory, seeking in the depiction of siblings – one who isolated himself and another who passed away – the recognition of the self. Narrating the other, thus, exposes the folds of one’s own physiognomy.
Assunto
Fuks, Julián, 1981- – Resistência – Crítica e interpretação, Ruffato, Luiz, 1961- – De mim já nem se lembra – Crítica e interpretação, Ficção brasileira – História e crítica, Memória na literatura, Famílias na literatura, Alteridade, Subjetividade na literatura, Narrativa (Retórica)
Palavras-chave
autoficção, alteridade, memória familiar, irmãos, narrativa contemporânea