Um currículo de contos de fadas da diferença: normas de gênero e produções subversivas por meio de corpos de crianças-meninas
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Universidade Federal de Minas Gerais
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A curriculum of fairy tales of difference: gender norms and subversive productions through child-girl bodies
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Resumo
Neste artigo buscamos mostrar a criação de outros possíveis no que se refere a gênero por meio dos Contos de Fadas. Embora, historicamente, tais contos tenham sido criados com base em modelos de feminilidade e masculinidade que reiteram as normas prevalentes de gênero, neste trabalho são analisados seis livros de Contos de Fadas contemporâneos que compõem um currículo cultural em que diferentes feminilidades são construídas. Por meio desses novos contos, há um significativo deslocamento: se, há tempos, os Contos de Fadas ensinam uma lógica adultocêntrica e dicotômica, há, nessas narrativas contemporâneas, uma busca por realçar o protagonismo infantil, borrar os binarismos e dar espaço para a diferença. O objetivo do artigo é, então, mostrar que diferentes técnicas produzem uma força performativa, que constrói inventivamente outras feminilidades, com condutas subversivas, por meio de corpos de crianças-meninas. Argumentamos que, nesse currículo cultural, a força performativa produz posições de sujeito criança-menina que contestam padrões de beleza: criança-menina-corajosa-e-valente-astuta-perigosa-destemida e criança-menina-que-salva-a-si-mesma. Assim, a resistência desse currículo ensina performances, com base na concepção de que a literatura, como expressão de arte, tem a potencialidade de extrapolar as relações de poder-saber engendradas, estabelecendo-se também como espaço de transgressão e proliferação da diferença.
Abstract
In this article we seek to show the creation of other possible genres through Fairy Tales. Although historically such tales have been created based on models of femininity and masculinity that reiterate the prevailing gender norms, this work analyzes six contemporary Fairy Tales books that make up a cultural curriculum in which different femininities are constructed. Through these new tales, there is a significant shift: if, for some time, Fairy Tales have taught an adult-centric and dichotomous logic, there is, in these contemporary narratives, a quest to highlight children's protagonism, blur the binarisms and make room for difference. The objective of the articleis, then, to show that different techniques produce a performative force that inventively builds other femininities, with subversive behaviors through the bodies of child-girls. We argue that in this cultural curriculum this performative force produces child-girl subject positions that contests standards of beauty, child-girl-brave-and-brave-cunning-dangerous-fearless and child-girl-who-saves-herself. Thus, resistance in this curriculum teaches performances, based on the conception that literature, as an expression of art, has the potential to extrapolate the power-knowledge relations engendered, also establishing itself as a space for transgression and proliferation of difference.
Assunto
Contos de fadas, Literatura infantojuvenil
Palavras-chave
Currículo cultural, Relações de poder, Resistência, Literatura infantil
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https://periodicos.uem.br/ojs/index.php/ImagensEduc/article/view/65605