Museu itinerante balaio da capoeira: uma proposta de mediação cultural

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Monografia de especialização

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Membros da banca

Evandro Jose Lemos da Cunha
Virgilio Carlo de Menezes Vasconcelos

Resumo

Esse trabalho analisou o caso do Museu Itinerante Balaio da Capoeira, no contexto do processo de ressignificação dos museus e da capoeira no Brasil, no final do século XIX e início do século XX até a contemporaneidade. Atento as mudanças no olhar sobre o papel e lugar do negro na sociedade brasileira, com o reconhecimento de novas categorias do saber, de legislações específicas, na mudança dos discursos sobre a cultura afrobrasileira, e as categorias de exposições de arte ontem e hoje, com os diferentes dispositivos de pensar e mediar a cultura. A montagem de exposições fabricou narrativas históricas e míticas no final do século XIX e início do XX, em consonância com os conflituosos interesses dos estados/nações modernos. Na contemporaneidade, a cultura de massas com seus paradoxos, possibilitou o surgimento de novos modelos e dispositivos expográficos, o fazer artístico e a expansão dos padrões de consumo contribuiu para questionar os paradigmas clássicos. O que reconfigurou os discursos estéticos e o pensar a cultura, nas interfaces com a política e as políticas públicas, um processo de mudança do lugar e do papel do sujeito anônimo na história, e uma mudança também no olhar sobre os aportes, suportes ou dispositivos da criação e das exposições de arte e cultura. A arte, a antropologia e o reconhecimento dos saberes imateriais, contribuíram com esse deslocamento que inseriu novos atores sociais no processo histórico. Conceitualmente a cultura afrobrasileira conquistou o espaço institucional ao longo do século XX, uma transição do lugar e do papel do negro e da cultura afrobrasileira, expressos na formulação de leis e políticas públicas específicas no final do século XX e início do século XXI. Conquistas que se materializaram, entre outros aspectos, no reconhecimento da capoeira como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil em 2008. Os artefatos, objetos e memórias presentes no Museu Itinerante Balaio da Capoeira, simbolizam as conquistas no campo social, político e estético em que a autorepresentação do negro e da cultura afrobrasileira é evidenciada. Porém, outros desafios surgem no processo de salva guarda desses bens culturais e do ensino de arte. Quem vai contar a história dos diversos grupos, mestres e rodas? Como a educação, o ensino de arte e a história podem interagir nesse processo? A mediação cultural indica alguns caminhos.

Abstract

Assunto

Artes

Palavras-chave

Capoeira, Museu Itinerante, Patrimônio Imaterial, História e Memória

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