Revisão da produção científica do Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA): características da violência em todos os ciclos de vida e os fatores associados à violência praticada contra o adolescente
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Resumo
A violência tem grande impacto nos serviços de saúde e na qualidade de vida dos
indivíduos, família e sociedade. Dados referentes aos países desenvolvidos, como
Estados Unidos da América (EUA) e Suécia, mostram que a cada óbito por causas
externas (acidentes e violências), ocorrem 30 internações hospitalares e 300
atendimentos em serviços de urgência e emergência que evoluem para a alta. No Brasil,
inicialmente, a Vigilância Epidemiológica a respeito das causas externas eram focadas
na Declaração de Óbito (DO) e internação hospitalar, sendo estes dados
disponibilizados pelo Sistema de Informação Sobre Mortalidade (SIM) e Sistema de
Internação Hospitalar do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). Os dados disponíveis
nestes dois sistemas são provenientes de atendimentos de grande magnitude e
gravidade, que desencadearam no óbito ou internação hospitalar, além de serem focados
exclusivamente nas vítimas. Dessa forma, verifica-se uma grande lacuna em relação aos
atendimentos por causas externas que evoluíram para formas mais leves, além de outras
características da violência que não estão exclusivamente relacionadas com as vítimas.
Mediante essa casuística, no ano de 2006, o Ministério da Saúde (MS) implantou o
Sistema de Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA), que permite analisar as
características e fatores relacionados às causas externas. O Sistema VIVA é constituído
por dois componentes: a) VIVA Inquérito e b) VIVA Sinan. O VIVA Inquérito é uma
pesquisa realizada nas principais portas de atendimento de urgência e emergência de
todo o país, sendo que suas edições ocorreram nos anos de 2006, 2007, 2009, 2011,
2014 e 2017. O VIVA Sinan dá-se por meio da coleta de dados de forma contínua,
desenvolvendo-se mediante a notificação da violência interpessoal e autoprovocada,
realizada por todos os serviços de saúde brasileiros. Os dados referentes a essas
notificações são disponibilizados por meio do Sistema de Informação de Agravos de
Notificação (SINAN). O VIVA possibilita melhorar a qualidade e o monitoramento dos
dados, atendimento integralizado às vítimas e estimulação para a implementação de
políticas públicas que visem à prevenção da violência e uma cultura de paz. Mediante a
grande importância do VIVA no subsídio de dados e informações sobre a temática da
violência, o objetivo deste estudo foi analisar a produção científica sobre o Sistema de
Vigilância de Violências e Acidentes (VIVA), quanto às características da violência em
todos os ciclos de vida (objetivo 1) e os fatores associados à violência praticada contra
os adolescentes (objetivo 2). Para alcançar o objetivo 1, foi realizada uma Revisão
Integrativa (RI) da literatura. Para alcançar o objetivo 2, foram analisados dados do
VIVA Inquérito, edição 2014, referentes aos adolescentes (n=815) que sofreram
agressões, por meio da utilização das técnicas de análise exploratória e análise de
correspondência das variáveis. Os resultados para o objetivo 1 mostraram que em
relação a agressão praticada contra as crianças e os adolescentes foram evidenciadas 18
publicações. Em relação às características da violência, o sexo masculino e a raça negra
foram mais predominantes. A negligência foi o tipo de violência mais evidenciada entre
as crianças e a física entre os adolescentes. A residência foi o local de ocorrência com
maior destaque para a violência contra as crianças e a via pública entre os adolescentes.
Quanto ao agressor, os pais foram os mais frequentes entre as crianças e o desconhecido
entre os adolescentes. A recorrência da violência foi evidenciada entre 5 a 54% dos
atendimentos, de acordo com as publicações. Em relação à violência contra os adultos
foram evidenciadas 28 publicações que analisaram dados do VIVA, sendo que 32%
destes artigos trouxeram dados relacionados a violência contra a mulher e 68%
abordaram o tema da violência contra os adultos, sem distinção de sexo. Em relação às
agressões praticadas contra as mulheres, houve a predominância da faixa etária de 20 a
39 anos, raça negra e com baixa escolaridade. A violência física foi a tipologia mais
frequente. O principal local de ocorrência da violência foi a residência. Os parceiros
íntimos (companheiro e ex-companheiro) foram evidenciados como os principais
agressores. Em relação à violência entre os adultos, avaliando o sexo masculino e o
feminino, o sexo masculino foi apontado pelas evidências científicas como o mais
predominante, na faixa etária de 20 a 29 anos, raça negra e baixa escolaridade. A
violência física foi a tipologia mais evidenciada. A via pública foi destacada como o
principal local de ocorrência e o desconhecido como o agressor mais frequente. Em
relação à violência contra os idosos foram evidenciadas 6 publicações que analisaram
dados a respeito do VIVA, sendo o sexo feminino o mais predominante. Entre os idosos
mais vitimizados foram frequentes os com baixa escolaridade e sem companhia marital.
A tipologia da violência mais recorrente foi a física. A reincidência da violência contra
os idosos foi destacada pelas publicações assumindo um percentual de 19 a 54% dos
casos. A residência foi o principal local de ocorrência e os filhos os agressores mais
frequentes. O uso de álcool foi evidenciado como um fator de risco para a ocorrência da
violência em todos os ciclos de vida analisados. Os resultados para o objetivo 2
mostraram que as vítimas mais frequentes para a violência entre os adolescentes são do
sexo masculino, o meio de agressão mais utilizado foi a arma de fogo e o objeto pérfuro
cortante. Na faixa etária de 15 a 19 anos, predominaram as ocorrências praticadas nas
vias públicas, por agressores desconhecidos e as principais lesões foram as fraturas e
cortes. Entre as vítimas de 10 a 14 anos, o principal local de ocorrência foi a escola e o
agressor o amigo, por meio de ameaças. Entre as vítimas do sexo feminino, as
ocorrências foram mais frequentes na residência. Considera-se que os dados constantes
no VIVA possibilitam uma grande visibilidade da temática da violência e que esta, por
sua vez, perpassa as mais importantes instituições socializadoras: a família, o espaço
público, a escola, apontando a necessidade de mobilizar toda a sociedade na perspectiva
do seu enfrentamento
Abstract
Assunto
Sistemas de Informação em Saúde, Violência, Causas Externas, Inquéritos e Questionários, Estatísticas de Saúde
Palavras-chave
Sistemas de Informação em Saúde, Violência, Causas externas, Inquéritos e questionários, Estatísticas de Saúde
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