Associação entre periodontite e câncer de próstata e níveis de antígeno prostático específico (PSA)
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Tese de doutorado
Título alternativo
Association between periodontitis and prostate cancer and prostate specific antigen levels (PSA)
Primeiro orientador
Membros da banca
Karina Imaculada Rosa Teixeira
Bernardo de Carvalho Dutra
Fernando de Oliveira Costa
Lucas Guimarães Abreu
Bernardo de Carvalho Dutra
Fernando de Oliveira Costa
Lucas Guimarães Abreu
Resumo
A periodontite tem sido reconhecida como um estímulo inflamatório sistêmico crônico com potencial risco para o desenvolvimento ou agravamento de várias condições de saúde sistêmica, incluindo doenças da próstata. Assim, este estudo apresenta duas propostas de investigação distintas com objetivos específicos: 1) um estudo caso-controle para avaliar a associação entre periodontite e câncer de próstata (CAP); 2) uma revisão sistemática e meta análise para avaliar a associação entre periodontite e os níveis de PSA (Antígeno Prostático Específico) O estudo caso-controle incluiu 372 indivíduos, sendo 152 homens com CAP (idade 63.028.67 anos) e 220 controles (idade 62.718.79 anos), selecionados no Ambulatório de Urologia do Hospital Luxemburgo, Belo Horizonte – Minas Gerais. Os participantes foram submetidos a exame periodontal completo e a condição periodontal classificada de acordo com os critérios da Academia Americana de Periodontia e da Federação Européia de Periodontologia de 2018. O estadiamento do CAP foi realizado de acordo com os escores do sistema de Gleason. A associação entre CAP e variáveis de interesse foi avaliada por regressão logística multivariada. Os casos apresentaram maior ocorrência (p=0,019) e gravidade (p=0,005) de periodontite. A ocorrência de CAP foi associada a escolaridade <9 anos (OR ajustado=1,95), ao consumo de álcool (OR ajustado=3,46), ao tabagismo (OR ajustado=2,53) e a periodontite (OR ajustado=1,76). Em relação à gravidade do CAP, os escores de Gleason 1-2 foram associados à periodontite (OR ajustado=1,90), mas os escores de Gleason 3-5 não. Além disso, foi observado no grupo caso um aumento dos níveis de PSA com o aumento da gravidade da periodontite (estágios). A revisão sistemática se baseou nas diretrizes do PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews and Meta-Analyses) e teve a seguinte pergunta PECO: homens com periodontite apresentam níveis aumentados de PSA no sangue? Foi realizada uma busca nas bases de dados PubMed, Embase, Scielo, Web of Sciences, Cochrane Library e literatura cinzenta até janeiro/2024. Foram incluídos 6 estudos, sendo 4 estudos observacionais e 2 ensaios clínicos. A qualidade metodológica foi avaliada usando as ferramentas Joana Briggs e ROBINS-I e o nível de evidência usando o sistema GRADE. Os estudos observacionais apontaram níveis de APE significativamente mais baixos em indivíduos sem periodontite (p=0,04). Os ensaios clínicos não randomizados não verificaram mudança nos níveis de PSA após o tratamento periodontal não-cirúrgico (p=0,13). Na metanálise, indivíduos com PSA>4,0 ng/ml apresentaram periodontite mais grave (OR=1,19 IC95% 0,68–2,09; I2=0%), entretanto não significativo. Houve correlação positiva entre PSA e nível de inserção clínica (r=0,55 IC95% 0,41–0,66; I2=0,0%). Não houve diferença nos níveis de PSA antes e após o tratamento periodontal (diferença média -0,18 IC95% -0,94–0,57; I2=0%). No geral, concluiu-se que a periodontite foi associada à ocorrência de câncer de próstata e não houve evidências de uma associação direta entre níveis de PSA e periodontite, apesar de observações sugerirem possível relação entre a gravidade da periodontite, parâmetros clínicos periodontais e PSA.
Abstract
Periodontitis has been recognized as a chronic systemic inflammatory stimulus with
potential risk for the development or worsening of several systemic health conditions,
including prostate diseases. Thus, this study presents two specific research proposals
with specific objectives: 1) a case-control study to evaluate the association between
periodontitis and prostate cancer (PCA); 2) a systematic review and meta-analysis to
evaluate the association between periodontitis and PSA (prostate-specific antigen)
levels. The case-control study included 372 individuals, being 152 men with CAP (age
63.02 ± 8.67 years) and 220 controls (age 62.71 ± 8.79 years), selected at the Urology
Outpatient Clinic of Hospital Luxemburgo, Belo Horizonte – Minas Gerais. Participants
underwent a complete periodontal examination and periodontal status was classified
according to the 2018 American Academy of Periodontology and European Federation
of Periodontology criteria. CAP staging was performed according to Gleason system
scores. The association between CAP and variables of interest was assessed by
multivariate logistic regression. Cases had a higher occurrence (p=0.019) and severity
(p=0.005) of periodontitis. The occurrence of CAP was associated with educational
level <9 years (adjusted OR=1.95), alcohol consumption (adjusted OR=3.46), smoking
(adjusted OR=2.53), and periodontitis (adjusted OR=1.76). Regarding CAP severity,
Gleason scores 1–2 were associated with periodontitis (adjusted OR=1.90), but
Gleason scores 3–5 were not. Furthermore, an increase in PSA levels was observed
in the case group with increasing severity of periodontitis (stages). The systematic
review was based on the PRISMA (Preferred Reporting Items for Systematic Reviews
and Meta-Analyses) guidelines and had the following PECO question: Do men with
periodontitis have increased blood levels of PSA? A search was carried out in the
PubMed, Embase, Scielo, Web of Sciences, Cochrane Library databases and gray
literature until January/2024. Six studies were included, being 4 observational studies
and 2 clinical trials. The methodological quality was assessed using the Joana Briggs
and ROBINS-I tools and the level of evidence using the GRADE system. Observational
studies showed significantly lower PSA levels in individuals without periodontitis
(p=0.04). Non-randomized clinical trials did not find changes in PSA levels after non surgical periodontal treatment (p=0.13). In the meta-analysis, individuals with PSA>4.0
ng/ml had more severe periodontitis (OR=1.19 95%CI 0.68–2.09; I2=0%), although not
significant. There was a positive correlation between PSA and clinical attachment level
(r=0.55 95%CI 0.41–0.66; I2=0.0%). There was no difference in PSA levels before and
after periodontal treatment (mean difference -0.18 95%CI -0.94–0.57; I2=0%). Overall,
it was concluded that periodontitis was associated with the occurrence of prostate
cancer and there was no evidence of a direct association between PSA levels and
periodontitis, although observations suggest a possible relationship between the
severity of periodontitis, clinical periodontal parameters and PSA.
Assunto
Neoplasias da próstata, Fatores de risco, Periodontite, Antígeno prostático específico, Estudo de avaliação
Palavras-chave
Câncer de próstata, Fatores de risco, Periodontite, PSA (Antígeno Prostático Específico)
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