Fatores associados a desfechos nutricionais em mães e crianças da América Latina
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tese de doutorado
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Resumo
Nos últimos anos, países da América Latina apresentam em suas populações a
coexistência de agravos como a desnutrição infantil e excesso de peso materno,
fenômeno denominado dupla carga de desfechos nutricionais. Baixa estatura e
excesso de peso têm sido historicamente considerados como desafios independentes
que afetam populações distintas e que apresentam determinantes contrastantes.
Entretanto, há evidências de que existem fatores que contribuem para ambos os
agravos. O objetivo deste estudo é analisar como fatores de risco socioeconômicos e
individuais se associam à dupla carga de desfechos nutricionais no binômio mãe-filho
no Brasil, Bolívia, Colômbia e Peru. Trata-se de um estudo de delineamento
transversal para o qual foram utilizadas bases populacionais: no Brasil, a Pesquisa
Nacional de Demografia e Saúde da Criança e da Mulher (PNDS) de 2006; na Bolívia,
na Colômbia e no Peru, a Encuesta Nacional de Demografía y Salud, respectivamente
nos anos de 2008, 2010 e 2012. Foram avaliadas crianças de 0 a 5 anos e mulheres
de 15 a 49 anos. Variável de interesse: mãe com ou sem excesso de peso e filho com
ou sem baixa estatura, sendo dupla carga quando presentes ambos os desfechos.
Variáveis exposição: condições socioeconômicas, características do domicílio,
utilização de serviços de saúde, características maternas e infantis. Foi utilizado
modelo de regressão logística multinomial hierarquizado. A prevalência de dupla
carga foi de 2,01% no Brasil, 8,84% na Bolívia, 4,10% na Colômbia e 8,00% no Peru.
Após os ajustes entre os blocos do nível proximal e pelos níveis hierarquicamente
superiores em cada país, foram encontrados os seguintes resultados: diarreia na
criança na semana anterior à pesquisa aumentou a chance de dupla carga no Brasil
(OR = 4,38). Na Bolívia e no Peru, o aumento no tempo de amamentação aumentou
a chance de dupla carga (OR = 1,04 e 1,02, respectivamente). O número de filhos
maior que um aumentou a chance de dupla carga em mais de 2 vezes, tanto na
Bolívia, como na Colômbia. Na Bolívia, Colômbia e Peru o aumento da estatura
materna diminuiu as chances de dupla carga. Na Colômbia e no Peru, o baixo peso
ao nascer aumentou a chance de dupla carga em mais de 2 vezes. A prevalência de
dupla carga de doenças pode ser considerada indicador de baixo nível
socioeconômico e do estágio de transição nutricional. No Brasil e na Colômbia, a
prevalência de carga dupla não seria considerada um problema de saúde pública.
Peru e Bolívia ainda apresentam prevalências acima de 5%. As estratégias dos
serviços e das políticas de saúde devem ser focadas em ambas as formas de má
nutrição ao mesmo tempo. Além disso, intervenções, como por meio de programas de
transferência de renda e melhorias na educação, saneamento e no acesso e
qualidade dos serviços de saúde, devem ser priorizados, principalmente no Peru e
Bolívia.
Abstract
Assunto
Criança, Estatura-Idade, Insuficiência de Crescimento, Sobrepeso, Prevalência, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Criança, Estatura-Idade, Sobrepeso, Prevalência, Insuficiência de crescimento