Estratégias de saúde digital comparadas com cuidado usual no manejo da anticoagulação oral: impacto em eventos tromboembólicos e sangramentos maiores – uma revisão sistemática de estudos randomizados
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Universidade Federal de Minas Gerais
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Tipo
Dissertação de mestrado
Título alternativo
Telemedicine strategies compared to usual care for the management of oral anticoagulation therapy: impact on thromboembolic events and major bleeding - a systematic review of randomized trials
Primeiro orientador
Membros da banca
Melissa Orlandin Premaor
Bruno Ramos Nascimento
Bruno Ramos Nascimento
Resumo
Contexto: Anticoagulação oral é um tratamento comum a várias condições de saúde. Seu manejo é frequentemente desafiador, e diferentes estratégias de saúde digital têm sido implementadas para apoiá-lo. No entanto, ainda não temos conhecimento pleno acerca do impacto dessas estratégias sobre os desfechos clínicos dos pacientes. Objetivo: Realizar uma revisão sistemática das evidências sobre o impacto das estratégias de saúde digital utilizadas para manejo da anticoagulação oral, comparadas ao cuidado usual, sobre eventos tromboembólicos e hemorrágicos. Métodos: Uma busca ampla foi realizada em cinco bases de dados eletrônicas em setembro de 2021. Estudos randomizados e controlados que comparassem estratégias de saúde digital com cuidado usual para maneio de anticoagulação oral e tivessem medido qualquer um dos desfechos de interesse foram incluídos. Dois revisores realizaram de forma independente a seleção dos estudos e a extração de dados. Foram avaliados os seguintes desfechos: eventos tromboembólicos totais, sangramentos maiores, mortalidade e tempo na faixa terapêutica (time in therapeutic range - TTR). Os resultados foram agrupados utilizando o modelo de efeitos aleatórios. Resultados: Vinte e cinco estudos foram incluídos, totalizando 25.746 pacientes e avaliando diferentes modalidades de saúde digital. A classificação dos estudos foi de moderado a alto risco de viés. Comparadas com cuidado usual, as estratégias de saúde digital resultaram em tendência a um menor risco de eventos tromboembólicos, apesar dessa diferença não ter atingido significância estatística (13 estudos, RR: 0,75 IC95%: 0,53-1,07; I²= 42%), risco semelhante de sangramentos maiores (11 estudos, RR: 0,94, IC95%: 0,82-1,07; I²= 0%) e de mortalidade (12 estudos, RR: 0,96, IC95%: 0,78-1,20; I²= 11%) e melhor qualidade da anticoagulação, medida através do TTR (16 estudos, MD: 3,38, IC95%: 1,12-5,65; I²: 90%). Na análise de subgrupos por modalidades de saúde digital, as intervenções multitarefas resultaram em importante redução de eventos tromboembólicos (RR 0,20, IC95%: 0,08-0,48). Conclusão: O manejo da anticoagulação oral utilizando estratégias de saúde digital resultou em um risco semelhante de sangramentos maiores e de mortalidade, uma tendência à redução de eventos tromboembólicos e uma melhor qualidade da anticoagulação, comparada com o cuidado usual. Diante de outros potenciais benefícios da saúde digital, tais como ampliar o acesso aos cuidados de saúde às populações remotas ou a pessoas com restrições de mobilidade, esses achados podem encorajar a implementação da saúde digital para manejo da anticoagulação, especialmente como parte de intervenções multifacetadas para o cuidado integrado de doenças crônicas. Enquanto isso, pesquisadores devem focar em desenvolver evidências de alta qualidade para avaliar desfechos clínicos relevantes, além de custo-efetividade e qualidade de vida.
Abstract
Background: Oral anticoagulation is the cornerstone treatment of several diseases. Its management is often challenging, and different eHealth strategies have been implemented to support it. However, their impact on clinical outcomes is not fully comprehended. Objective: To systematically review the evidence on the impact of telemedicine-based oral anticoagulation management compared to usual care on thromboembolic and bleeding events. Methods: Randomized controlled trials (RCTs) were searched in five databases from inception to September 2021. Two independent reviewers performed study selection and data extraction. Total thromboembolic events, major bleeding, mortality, and time in therapeutic range (TTR) were assessed. Results were pooled using random-effects models. Results: Twenty-five RCTs were included (25,746 patients), assessing different eHealth modalities, and classified as moderate to high risk of bias. Compared to usual care, telemedicine resulted in a lower risk of thromboembolic events, though not statistically significant (13 studies, RR: 0.75 95% CI 0.53, 1.07; I²= 42%), comparable risk of major bleeding (11 studies, RR: 0.94, 95% CI 0.82, 1.07; I²= 0%) and mortality (12 studies, RR: 0.96, 95% CI 0.78, 1.20; I²= 11%), and an improved TTR (16 studies, MD: 3.38, 95% CI 1.12, 5.65; I²: 90%). In the subgroup of multitasking intervention, telemedicine resulted in an important reduction of thromboembolic events (RR 0.20, 95% CI 0.08, 0.48). Conclusions: Telemedicinebased oral anticoagulation management resulted in similar risks of major bleeding and mortality, a trend for fewer thromboembolic events, and better anticoagulation quality compared to standard care. Given the potential benefits of telemedicine-based care, such as greater access to remote populations or people with ambulatory restrictions, these findings may encourage further implementation of eHealth strategies for anticoagulation management, particularly as part of multifaceted interventions for integrated care of chronic diseases. Meanwhile, researchers should develop higher quality evidence focusing on hard clinical outcomes, cost-effectiveness, and quality of life.
Assunto
Estratégias de eSaúde, Anticoagulantes, Telemedicina, Sangramento, Tromboembolia, Dissertação Acadêmica
Palavras-chave
Estratégias de eSaúde, Anticoagulantes, Telemedicina, Sangramento, Tromboembolia