Sabedorias ancestrais do Yoga e dos Indígenas do Brasil e da Índia: utopias cosmopolíticas para a harmonia espiritual com a natureza

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Tese de doutorado

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Ancestral wisdoms of Yoga and of the Indigenous Peoples of Brazil and India: cosmopolitical utopias for spiritual harmony with nature

Membros da banca

Frederico Canuto
Junia Cambraia Mortimer
Adriana Gomes do Nascimento
Florencio Almeida Vaz Filho

Resumo

Esta tese investiga as inter-relações entre espiritualidade, natureza e modos de vida, a partir dos saberes ancestrais dos povos indígenas do Brasil e da Índia e do Yoga Tradicional Indiano. Com base em uma abordagem comparativa, o estudo se estrutura a partir de cinco viagens cosmopolíticas de caráter etnográfico — duas à Índia (incluindo Auroville), duas ao Baixo Tapajós (PA) e uma ao sul da Bahia —, guiadas por sete instâncias analíticas centrais: corpo, espaço, tempo, espiritualidade, festa, elementos/sentidos/chakras/sons e deslocamentos. As fotografias presentes na tese ampliam a dimensão sensorial da pesquisa, permitindo que o leitor percorra visualmente os caminhos trilhados, acesse atmosferas e perceba nuances que as palavras, por si só, não alcançam. A abordagem, definida como empírico-espiritual-cosmopolítica, integra teoria e prática por meio da escuta sensível, da imersão nos territórios e da vivência das práticas espirituais locais. O corpo é abordado como meio sensível de percepção da Terra; o espaço, como extensão dos corpos coletivos e expressão espiritual em aldeias e (eco)vilas; o tempo, como continuidade sagrada, em contraposição à linearidade ocidental; e a espiritualidade, como conjunto de práticas de cura, conexão e consciência — como o Yoga, a pajelança e o xamanismo. Nesse percurso, emergem figuras centrais que operam como mediadores entre mundos visíveis e invisíveis: pajés, xamãs e sadhus — respectivamente, guardiões dos saberes espirituais nas florestas e povos originários do Brasil e da Índia. Enquanto pajés e xamãs conduzem rituais, práticas de cura, proteção dos territórios e conexão com os seres da natureza, os sadhus, na tradição hindu, são renunciantes que abandonam a vida material para se dedicar integralmente à busca espiritual, à meditação, ao Yoga e à realização interior. Suas presenças orientam caminhos de cura, de reconexão com os mundos sutis e de alinhamento energético entre corpo, território e cosmos. As festas são analisadas como celebrações coletivas da espiritualidade — como o Sairé, o Toré e o Kumbh Mela —, enquanto a articulação entre elementos, sentidos, chakras e sons revela uma cosmologia vibracional que conecta corpo, território e universo. Cada viagem dá origem a um núcleo etnográfico próprio, no qual os sentidos, os elementos naturais, as práticas espirituais e as cosmopolíticas são aprofundadamente analisados. A tese sustenta que os saberes ancestrais dos povos indígenas e do Yoga oferecem caminhos concretos para a regeneração ecológica e espiritual da vida no Antropoceno, com potencial para inspirar novas utopias cosmopolíticas, baseadas em espiritualidade, ecologia e justiça territorial. Defende, assim, o reconhecimento dos direitos espirituais dos povos originários e das próprias naturezas, apontando para transformações socioambientais fundamentadas na integração entre saberes tradicionais e futuros sustentáveis, em busca de uma harmonia espiritual com a natureza.

Abstract

This thesis investigates the interrelations between spirituality, nature, and ways of life, based on the ancestral knowledge of Indigenous peoples from Brazil and India and the Traditional Indian Yoga. Adopting a comparative approach, the research is structured around five cosmopolitical ethnographic journeys — two to India (including Auroville), two to the Lower Tapajós (Pará, Brazil), and one to southern Bahia — guided by seven core analytical instances: body, space, time, spirituality, festivity, elements/senses/chakras/sounds, and displacements. The photographs included in the thesis expand the sensory dimension of the research, allowing the reader to visually navigate the paths taken, access atmospheres, and perceive nuances that words alone cannot fully capture. The methodology, defined as empirical-spiritual-cosmopolitical, integrates theory and practice through sensitive listening, immersion in territories, and the lived experience of local spiritual practices. The body is approached as a sensitive medium for perceiving the Earth; space, as an extension of collective bodies and a spiritual expression in villages and ecovillages; time, as sacred continuity, in contrast to Western linearity; and spirituality, as a set of practices of healing, connection, and consciousness — such as Yoga, pajelança, and shamanism. Along this path, central figures emerge as mediators between visible and invisible worlds: pajés, shamans, and sadhus — guardians of spiritual knowledge within the forests and Indigenous peoples of the Amazon and India. While pajés and shamans lead rituals, healing practices, the protection of territories, and connection with the beings of nature, sadhus, in the Hindu tradition, are renunciants who abandon material life to fully dedicate themselves to the spiritual quest, meditation, Yoga, and inner realization. Their presence guides paths of healing, reconnection with subtle worlds, and energetic alignment between body, territory, and cosmos. Festivities are analyzed as collective celebrations of spirituality — such as Sairé, Toré, and the Kumbh Mela — while the articulation between elements, senses, chakras, and sounds reveals a vibrational cosmology that connects body, territory, and universe. Each journey generates a unique ethnographic core, where the senses, natural elements, spiritual practices, and cosmopolitical perspectives are deeply analyzed. This thesis argues that the ancestral knowledge of Indigenous peoples and Yoga offers concrete pathways for the ecological and spiritual regeneration of life in the Anthropocene, with the potential to inspire new cosmopolitical utopias based on spirituality, ecology, and territorial justice. It advocates for the recognition of the spiritual rights of Indigenous peoples and of nature itself, pointing toward socio-environmental transformations grounded in the integration of traditional knowledge and sustainable futures, in the pursuit of a spiritual harmony with nature.

Assunto

Yoga, Indígenas, Espiritualidade, Natureza

Palavras-chave

Yoga, Indígenas, Espiritualidade, Natureza

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