Competência comunicativa do professor universitário: interface com a voz, competência interpessoal, transtornos mentais comuns e traços de personalidade

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Universidade Federal de Minas Gerais

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Resumo

Introdução: Na educação superior, a voz e as habilidades comunicativas dos professores são essenciais para transmitir informações de forma clara e envolvente. Além de dominar o conteúdo, faz-se necessário considerar características individuais dos professores, como a capacidade de comunicação interpessoal e aspectos de personalidade. Neste contexto, a autopercepção dos professores sobre a própria voz e comunicação oral influencia diretamente a forma como interagem em sala de aula, impactando tanto a clareza da mensagem, quanto o envolvimento dos discentes. Além disso, uma percepção adequada pode contribuir para o cuidado com a saúde vocal, prevenindo problemas que possam comprometer o desempenho docente a longo prazo. Objetivos: 1) Verificar quais traços de personalidade predizem a competência comunicativa em professores universitários. 2) Analisar a associação entre a autoavaliação de competência comunicativa e a autopercepção de comunicação interpessoal, e sintomas vocais em professores universitários. 3) Determinar a prevalência de transtornos mentais comuns em professores universitários e analisar sua relação com dados sociodemográficos e de trabalho, autopercepção da comunicação interpessoal e sintomas vocais. Método: trata-se de um estudo observacional transversal, realizado com professores brasileiros da universidade onde a pesquisa foi conduzida, de ambos os sexos e de diversas idades. Os participantes responderam perguntas de sete instrumentos de investigação: Autoavaliação de Competência Comunicativa (TACCom); Questionário de Informações Sociodemográficas e de Trabalho; Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20); Brazilian Dysphonia Screening Tool (Br-DST); Escala de Competência em Comunicação Interpessoal (ECCI); Escala de Sintomas de Vocais (ESV) e Inventário de personalidade HEXACO-60. Os resultados desta tese são apresentados em forma de artigos. No artigo 1, comparou-se as diferenças da mediana nos domínios de personalidade e nos resultados do TACCom. Para estimar coeficientes de associação, foi utilizado o teste de Qui Quadrado de Pearson, e para estimar os valores de OR, utilizou-se um modelo de regressão logística univariada ajustado por sexo e idade. No artigo 2, a variável dependente foi a resposta dicotomizada do protocolo TACCom. Realizou-se análise descritiva e inferencial uni e multivariada dos dados por meio da regressão logística. No artigo 3, foram realizadas análises descritivas e de associação. A medida de associação foi a razão de prevalência, estimada por regressão de Poisson com variância robusta, considerando transtornos mentais comuns como variável dependente. Resultados: No artigo 1, observou-se que os professores universitários que apresentaram maiores pontuações em competência comunicativa apresentaram maiores pontuações nos domínios de Honestidade-Humildade e Conscienciosidade do que o grupo de professores universitários com menores pontuações em competência comunicativa. A Conscienciosidade foi o domínio de personalidade preditor da competência de comunicação. A cada unidade de aumento na pontuação de Conscienciosidade se associa um aumento de 1,02 vezes nas chances de ter uma competência comunicativa (TACCom) acima da mediana. No artigo 2, verificou-se que a melhor autoavaliação da competência comunicativa por professores universitários (TACCom) relaciona-se com ausência de queixas vocais e melhor autopercepção de comunicação interpessoal (ECCI). Quanto maior é a idade melhor é a competência comunicativa (TACCom) dos professores universitários. No artigo 3, identificou-se que a prevalência de transtornos mentais comuns (TMC) em professores universitários foi de 27,6%. Houve associação significativa entre TMC e autopercepção das queixas vocais, suspeita de disfonia e autopercepção de que às vezes/sempre há dificuldade em ser ouvido com máscara. Quanto maior a pontuação no domínio autorrevelação da Comunicação Interpessoal, maior a prevalência de TMCs em professores universitários. Conclusão: o traço de Conscienciosidade tem maior força preditiva na competência comunicativa em professores universitários que se autopercebem como bons comunicadores. A autoavaliação de competência comunicativa entre os professores universitários do estudo é predominantemente alta. Os professores universitários que se autoavaliam com uma melhor competência comunicativa são os mais velhos, vocalmente saudáveis, e que se autopercebem com maiores habilidades de comunicação interpessoal. A prevalência de TMCs em professores universitários é alta e influencia a autopercepção de sintomas vocais e as relações interpessoais.

Abstract

Introduction: In higher education, the voice and communication skills of professors are essential for conveying information clearly and engagingly. Beyond mastering the content, it is necessary to consider individual characteristics of professors, such as interpersonal communication skills and personality traits. In this context, professors' self-perception of their own voice and oral communication directly influences how they interact in the classroom, impacting both the clarity of the message and the engagement of students. Furthermore, adequate perception can contribute to vocal health care, preventing problems that may compromise teaching performance in the long term. Objectives: 1) To verify which personality traits predict communicative competence among university professors. 2) To analyze the association between selfassessment of communicative competence and self-perception of interpersonal communication, and vocal symptoms in university professors. 3) To determine the prevalence of common mental disorders in university professors and analyze their relationship with sociodemographic and work data, self-perception of interpersonal communication and vocal symptoms. Method: This is a cross-sectional observational study conducted with Brazilian professors from the university where the research was conducted, of both genders and various ages. Participants answered questions from seven research instruments: Self-Assessment of Communicative Competence (TACCom); Sociodemographic and Work Information Questionnaire; Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20); Brazilian Dysphonia Screening Tool (Br-DST); Scale of Competence in Interpersonal Communication (ECCI); Vocal Symptom Scale (ESV) and HEXACO-60 Personality Inventory. The results of this thesis are presented in the form of articles. In article 1, the differences in the median scores for personality domains and TACCom results were compared. To estimate association coefficients, Pearson's Chi-Square test was used, and to estimate OR values, a univariate logistic regression model adjusted for sex and age was used. In article 2, the dependent variable was the dichotomized response of the TACCom protocol. Univariate and multivariate descriptive and inferential analysis of the data was performed through logistic regression. In article 3, descriptive and association analyses were performed. The association measure was the prevalence ratio, estimated by Poisson regression with robust variance, considering common mental disorders as the dependent variable. Results: In article 1, it was observed that university professors who scored higher in communicative competence had higher scores in the Honesty-Humility and Conscientiousness domains than the group of university professors with lower scores in communicative competence. Conscientiousness was the personality domain that predicted communication competence. For every unit increase in Conscientiousness score, there was a 1.02-fold increase in the odds of having communicative competence (TACCom) above the median. In article 2, it was verified that better self-assessment of communicative competence by university professors (TACCom) is associated with the absence of vocal complaints and better self-perception of interpersonal communication (ECCI). The older the age, the better the communicative competence (TACCom) of university professors. In article 3, it was found that the prevalence of common mental disorders (CMD) among university professors was 27.6%. There was a significant association between CMD and self-perception of vocal complaints, suspected dysphonia, and self-perception that sometimes/always there is difficulty being heard with a mask. The higher the score in the self-disclosure domain of Interpersonal Communication, the higher the prevalence of CMDs among university professors. Conclusion: The trait of Conscientiousness has a greater predictive power in communicative competence in university professors who perceive themselves as good communicators. Self-assessment of communicative competence among the university professors in the study is predominantly high. University professors who self-assess themselves with better communicative competence are older, vocally healthy, and perceive themselves as having greater interpersonal communication skills. The prevalence of CMDs among university professors is high and influences the selfperception of vocal symptoms and interpersonal relationships.

Assunto

Docentes, Relações Interpessoais, Transtornos mentais, Personalidade, Dissertação Acadêmica

Palavras-chave

Docentes, Comunicação, Relações interpessoais, Transtornos mentais, Personalidade

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